| Cooperativas
são alternativa de crédito mais
barato
O envolvimento com a comunidade
é o grande diferencial do cooperativismo
de crédito, em regiões muito ou
pouco desenvolvidas do país. Ao mesmo tempo
em que exercitam uma saudável concorrência
com as instituições financeiras
tradicionais e fortalecem a atividade empresarial,
as cooperativas também contribuem para
a superação dos desafios apresentados
pelas comunidades onde operam.
No Paraná, um olhar inteligente e emotivo
dos dirigentes e associados, resultado de firmes
vínculos com a comunidade, permite às
cooperativas uma estratégia de atuação
que, na prática, abre perspectivas promissoras
à população em geral.
Essa visão, ao mesmo tempo
local e abrangente, focada no presente e no futuro,
já se incorporou à rotina de trabalho
das cooperativas de crédito de cidades
paranaenses, entre elas, Maringá, Paranavaí
e Apucarana.
Começa a se consolidar, assim, um cooperativismo
profissional e idealista, atento não só
ao sucesso dos negócios, mas também
a projetos educacionais, de geração
de renda e ocupação, abertos à
comunidade. As cooperativas dessas cidades estão
ali não só para reduzir os custos
e facilitar a vida financeira do associado, mas
também para organizar uma demanda com foco
na produção local, fortalecer manifestações
culturais e artísticas e incentivar ações
solidárias.
Menina-dos-olhos
Os efeitos financeiros para os associados são
tão visíveis na forma de crédito
facilitado e mais barato e de incentivo à
poupança, que o diretor-presidente da Cooperativa
Sicoob-Metropolitano de Maringá, Luiz Ajita,
gosta mesmo é de falar sobre conquistas
nas áreas social e ambiental. Ele é
também presidente do Sicoob Central-PR,
da qual o Metropolitano faz parte.
A menina-dos-olhos de Ajita é
o Instituto Sicoob-PR que tem como missão
contribuir para o desenvolvimento sustentável
ao se apresentar como um canal para viabilização
de projetos. O Instituto tem por objetivo fortalecer
e qualificar as organizações do
Terceiro Setor que se articulam em torno da inclusão
social, da preservação do meio ambiente
e do desenvolvimento econômico. Pode ter
parcerias com empresas e organizações
governamentais ou não-governamentais interessadas
em exercer sua responsabilidade socioambiental.
O Instituto Sicoob-PR atua, por enquanto, apenas
em Maringá, mas pretende estender a ação
para outras cidades do Estado. Tem como foco,
na área social, o jovem empreendedor, a
educação financeira e o consumo
consciente, a acessibilidade para portadores de
deficiência física, a ação
voluntária corporativa, a inclusão
digital e o fortalecimento das microfinanças.
Na área ambiental, apóia a organização
dos catadores de lixo, o gerenciamento de resíduos,
campanhas de reciclagem, escola de jardinagem,
cursos e treinamentos específicos. A gestão
executiva do Instituto é feita pela Cia.
Brasil, uma Organização da Sociedade
Civil de Interesse Público (Oscip).
Lixo que gera emprego e ocupação
Segundo a especialista em gestão
do Terceiro Setor, Roni Enara, da Cia. Brasil,
o Instituto Sicoob-PR providencia a documentação,
e a legalização de projetos. Na
área de reciclagem, apóia a organização
dos catadores, faz campanhas que orientam a população
sobre a separação adequada do lixo,
doa sacarias reutilizáveis e já
preparou uma cartilha sobre coleta seletiva. Falta
só encontrar parceria que arque com os
custos de sua impressão. O próximo
passo será treinar os catadores a observar
os padrões de qualidade na seleção
do lixo, as regras de manuseio e como se comportar
no trânsito.
Roni explica que a qualidade da
seleção é fundamental para
o aumento da renda dos catadores. O preço
de uma garrafa de plástico, do tipo PET,
é maior se ela for entregue limpa, sem
rótulos, sem tampas e argolas de plástico
duro que as envolvem. Rótulos, tampas e
argolas podem ser vendidos a outros clientes.
Devidamente organizada e documentada,
a Associação dos Catadores e Agentes
Ecológicos Vida e Esperança, de
Maringá, conhecida como Recimar, tem dois
postos de coleta. Um no bairro Alvorada e outro
no bairro Requião. Neste ano, habilitou-se
a um empréstimo de R$ 10 mil para capital
de giro concedido pelo Sicoob- Metropolitano.
O empréstimo foi liberado
com três meses de carência, para permitir
a formação de poupança para
a quitação das parcelas. "A
primeira parcela, em de setembro, foi paga com
duas semanas de antecedência", lembra
com orgulho o presidente da Associação,
Paulo José de Oliveira. O capital de giro
permite o pagamento à vista aos atuais
236 catadores cadastrados. Com isso, os catadores
ficam menos dependentes dos atravessadores e são
mais bem remunerados.
A Associação pretende
conseguir um novo empréstimo no início
de 2006. Segundo Paulo José, o objetivo
é aumentar o número de fornecedores
e ter produção suficiente para que
as vendas possam ser feitas diretamente às
empresas de reciclagem. Essas empresas demandam
no mínimo 15 mil quilos de garrafas PET/mês.
Atualmente, a coleta mensal do produto, por parte
da Recimar, está em torno de 5 mil quilos.
Outro projeto comunitário
relevante é o da Biblioteca Digital, um
'internet-point' situado em um bairro popular
de Maringá. Os 2, 4 mil associados, na
maioria estudantes, contam com 20 computadores
de última geração. Os custos
de instalação da biblioteca foram
pagos pelo Sicoob - Metropolitano e pela Associação
Comunitária Jardins Liberdade e América.
Liderança e transparência
Lideranças de prestígio
na comunidade, transparência contábil
e nas ações implementadas, e os
pés firmes no chão. Essa é
a receita do sucesso do cooperativismo de crédito
no Paraná. Outro ponto forte da atuação
do segmento no Estado é o profissionalismo.
Gerentes e analistas de crédito de bancos
tradicionais de varejo, já aposentados
ou ainda na ativa, estão sendo recrutados
pelos sistemas cooperativos de crédito
que atuam no Estado, o Sicoob e o Sicredi.
Esse é o caso de Kazuo
Fukuyama, gerente e um dos fundadores do Sicoob-Paranavaí,
que começou a funcionar em setembro de
2003, resultado de uma mobilização
no interior da associação comercial
da cidade. "Procuramos profissionalizar a
administração sem que isso afete
o espírito cooperativista que deve prevalecer
nas relações com os associados.
Não é fácil criar e levar
adiante uma cooperativa sem gente que entenda
do negócio", afirma.
Kazuo é contabilista, nasceu
em Duardina, interior de São Paulo, mas
mora há mais de 20 anos em Paranavaí.
Trabalhou por 15 anos no Banco Mercantil de São
Paulo, comprado pelo Bradesco, e outros cinco
no Banco Noroeste. "É fundamental
entender de mercado financeiro e das necessidades
da gente do lugar", explica.
Rafael Benjamim Cargnin Filho, diretor-presidente
do Sicoob-Paranavaí, é contabilista
e professor universitário. Ele explica
que todo cuidado é pouco quando se trata
da solidez da cooperativa. Os pretendentes a associados
passam por um primeiro filtro que é feito
pelo gerente. Só depois a solicitação
é analisada pelos conselheiros da cooperativa.
Por isso a importância de um gerente treinado
nas práticas bancárias e, ao mesmo
tempo, ligado à comunidade.
As instalações do Sicoob-Paranavaí
mostram o zelo com que tudo foi feito para garantir
o conforto e a segurança do cliente-associado
e dos funcionários. O prédio já
abrigou uma agência bancária. Tem
um amplo espaço de atendimento no térreo.
No segundo piso, ficam as salas de reunião,
da Diretoria e da Controladoria.
"O nosso grande diferencial é o serviço
prestado ao associado, que precisa não
só se sentir responsável pelos rumos
da cooperativa, mas constatar que, de fato, ela
pode facilitar a sua vida pessoal e empresarial",
afirma Rafael Cargnin. O cliente/associado é
tratado com toda a deferência sem que se
exija dele relacionamento exclusivo. Pode, dessa
forma, ser associado à cooperativa, ter
todos os benefícios nas áreas de
serviços e empréstimos, e ainda
operar com um ou vários bancos.
A privatização do
Banco do Estado do Paraná, o Banestado
, diz Rafael, deixou nos paranaenses um sentimento
de perda, que começa agora a ser compensado
pelas cooperativas de crédito. "Elas
são agora o nosso banco", afirma.
São verdadeiros correspondentes bancários,
onde também se pode pagar e receber contas,
receber benefícios, ter acesso a produtos
como seguros e cartões de crédito,
receber aconselhamento sobre investimentos, entre
outros.
Para melhor atender aos associados, as cooperativas
do Sicoob, em Paranavaí e Apucarana, começam
o atendimento da clientela às 8 horas ou
até antes, se algum funcionário
estiver a postos ,e só encerram às
18 horas. Apenas o caixa fecha no meio da tarde,
em obediência às normas de compensação
do Banco Central.
Serviço:
Agência Sebrae de Notícias
- (61) 3348-7494
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