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Pesquisas

Ficou mais fácil fisgar talentos no mercado

Pelas mais variadas razões, o mercado de trabalho tem mudado drasticamente nos últimos 10 anos. Uma dessas alterações tem ligação com o vaivém experimentado pela economia brasileira.

Até 2002, as empresas contratavam muito mais executivos empregados que os desempregados. A partir daquele ano mesmo o jogo mudou e as empresas começaram a contratar mais desempregados que empregados.

A tabela a seguir ilustra a mudança ao longo da última década.

Evolução na contratação (Empregados vs. Desempregados – em %)

 

2005

2004

2003

2002

2001

2000

1999

1998

1997

1996

antes

Desempregado

63,47

55,40

53,66

50,45

46,59

39,98

42,96

42,92

41,76

46,90

40,14

Empregado

36,53

44,60

46,34

49,55

53,41

60,02

57,04

57,08

58,24

53,10

59,86

 

Os dados fazem parte da pesquisa "A Contratação, A Demissão e a Carreira dos Executivos - 2005", realizada pelo Grupo Catho, que coletou informações de 31.000 executivos e profissionais durante os meses de maio e julho de 2005.

Segundo o levantamento, o tamanho da empresa contratante também afeta a contratação de um profissional empregado ou um desempregado.

A tabela a seguir indica que as pequenas empresas contratam mais desempregados que empregados. Já nas grandes empresas há uma ligeira tendência a acontecer o inverso.

Qual empresa contrata mais desempregados (em %)

 

Geral

acima de U$ 100 milhões/ano

U$ 50 a 99 milhões/ano

U$ 15 a 49 milhões/ano

abaixo de U$ 15 milhões/ano

Desempregado

58,72

49,90

53,06

57,25

62,15

Empregado

41,28

50,10

46,94

42,75

37,85

 

Segundo Thomas A. Case, coordenador da pesquisa, algumas razões podem explicar essa mudança no perfil do contratado. As principais são as seguintes:

1) Aumento da oferta de mão-de-obra de qualidade - Durante os últimos anos, muitos profissionais competentes foram demitidos em decorrência do encerramento de negócios ou do fechamento de departamentos de empresas, diante de dificuldades econômicas.

Antes, a tendência era crer que todos os bons profissionais – ou pelo menos a maioria -- estavam empregados. Com a crise, entretanto, cresceu a oferta de bons profissionais disponíveis no mercado.

2) Redução de custos - Um outro forte incentivo para contratar funcionários desempregados é o custo, pois é natural que o executivo acabe aceitando receber menos do que se estivesse empregado.

Os números levantados pela pesquisa do Grupo Catho provam que a negociação é mais fácil com um executivo desempregado. Em 82% dos casos ele aceita a primeira oferta da empresa versus 71% dos executivos empregados.

Fica evidente concluir, aproveitando a clássica lei da oferta e da procura, que a instabilidade econômica facilitou a pescaria de talentos no mercado de trabalho por parte das empresas. Tanto em quantidade, como em qualidade e em custo.

Um lembrete para o profissional que está nesse mar: quem aparece e circula mais tem mais chances de ser fisgado.

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