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Lombalgia é maior causa de afastamento do trabalho

Popularmente conhecida como dor nas costas, a lombalgia é o segundo motivo que mais leva o paciente ao consultório do clínico geral no Brasil. As consultas de pessoas alegando dores, que podem ir do pescoço (cervicalgia), passando pelo meio da coluna (dor torácica) até o final das costas (lombalgia) são superadas apenas pelo resfriado comum.

Quatro em cada cinco brasileiros têm ou terão uma dor digna de atenção na coluna, problema que já é a principal causa de afastamento temporário do trabalho no país. Dados estatísticos recentes de agências públicas nos EUA apontam a lombalgia também como principal causa de afastamento do trabalho em pessoas com menos de 45 anos de idade.

Nos EUA, causas relacionadas com a coluna lombar respondem por 31% de todas as compensações trabalhistas pagas. Os custos sociais são enormes - em 1990, calculou-se que os custos anuais com problemas da coluna lombar chegaram a US$ 23 bilhões. A fonte do dado é a International Study of the Lumbar Spine.

Segundo o médico Ari Stiel Radu-Halpern, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia e chefe do grupo de coluna do serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, os números vêm crescendo de tal forma que o problema passou a ser encarado nos países industrializados como uma epidemia.

As causas para a lombalgia são variadas. Desde a má postura, passando por doenças degenerativas, como a Osteoartrose; doenças inflamatórias, como a Espondilite Anquilosante; infecções ósseas e musculares, e até tumores. Por isso, o diagnóstico preciso é fundamental para o sucesso do tratamento.

Na prática clínica, homens e mulheres são afetados igualmente pela lombalgia. No entanto, a faixa de maior risco é a economicamente ativa entre 30 e 50 anos de idade. De acordo com o médico, muitas doenças que afetam a coluna têm um tratamento cuja qualidade do resultado depende de um tratamento precoce.
Além disso, em geral, quanto mais crônica - mais antiga a dor - pior é a resposta ao tratamento. O médico Radu-Halpern alerta para o erro mais comum no tratamento da lombalgia: o início do tratamento sem um diagnóstico preciso.

“Medidas fisioterápicas, acupuntura, atividades físicas variadas ou massagens são válidas quando indicadas, em casos selecionados. No entanto, existem outras formas de doenças da coluna que não se beneficiam desses tratamentos e adiar o diagnóstico pode ter conseqüências sérias”, diz.

Outro erro muito comum é a supervalorização de exames de imagem como o Raio X, a tomografia ou a ressonância magnética. “Esses exames têm um papel importante, mas isoladamente não permitem realizar um diagnóstico correto”, diz.

Segundo ele, inúmeras dicas relacionadas à postura e atividades diárias podem ser postas em prática para se evitar o problema, dentro e fora do ambiente de trabalho. Em ambos os casos, manter-se ativo é a primeira delas - caminhar a pé sempre que possível, sobretudo pela manhã quando a temperatura está mais amena, e caminhadas regulares durantes os finais de semana para evitar o sedentarismo são essenciais.

Outros dois itens importantes citados pelo médico são a manutenção do controle do peso, evitando excessos, e um diagnóstico preciso logo nos primeiros sintomas do problema. Por fim, uma postura saudável é fundamental para a prevenção e para a saúde diária do paciente, sobretudo no local de trabalho. Assim, os profissionais que trabalham em frente a um computador devem procurar mesas e cadeiras ergonômicas e estudar o melhor posicionamento de mouses e teclados.


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