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Região
Norte tem melhores hábitos alimentares
Por ser um pouco menos afetada
por hábitos "industrializados",
a Região Norte ainda mantém algumas
características positivas na alimentação,
como maior consumo de raízes e tubérculos.
Na Região Sul, no entanto, a disponibilidade
de colesterol é mais elevada devido aos
hábitos alimentares, que inclui o maior
consumo de carne vermelha. A nutricionista Carla
Enes encontrou esses resultados ao analisar informações
relativas à disponibilidade alimentar das
duas regiões. Contudo, ela ressalta que
a alimentação ainda pode ser considerada
nutricionalmente inadequada sob alguns aspectos
em ambos os locais.
Carla utilizou dados da Pesquisa
de Orçamentos Familiares (POF) de 2002-3003,
realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), relativos à
disponibilidade de energia e nutrientes nos domicílios
brasileiros. "A disponibilidade alimentar
per capita corresponde à quantidade total
de alimentos adquiridos para consumo dividida
pelo número de moradores do domicílio.
Apesar de não indicar o consumo real de
alimentos, essa medida dá um indicativo
dos padrões alimentares", explica.
Ela escolheu as Regiões Norte e Sul por
possuírem características diferenciadas
e por existirem poucos estudos referentes aos
hábitos alimentares dessas regiões.
Na região Norte foi encontrada
uma maior disponibilidade de cereais, raízes
e tubérculos, fontes de fibras e carboidratos
complexos, importantes componentes da dieta alimentar.
A disponibilidade de carnes mostrou-se ligeiramente
um pouco superior à encontrada no Sul,
"provavelmente devido ao maior consumo de
peixes, de fácil acesso e de custo mais
barato na região".
A despesa com alimentação
fora de casa é maior na Região Sul.
"Quanto mais desenvolvida a região,
há uma tendência de reduzir o consumo
de alimentos de origem vegetal em detrimento daqueles
de origem animal", conta Carla. A disponibilidade
de colesterol foi maior nas áreas rurais
e entre as famílias de maior poder aquisitivo.
Nas duas regiões, a disponibilidade
de frutas, verduras e legumes foi de apenas um
terço da considerada ideal. "Apenas
entre famílias relativamente ricas da Região
Sul a contribuição desses alimentos
para a energia total pôde ser considerada
satisfatória", conta a nutricionista.
A disponibilidade de açúcares, refrigerante
e doces ultrapassou o limite recomendado para
as duas regiões, tendência observada
para os dados do Brasil.
Renda
A pesquisa mostra que a renda
exerce uma influência importante na composição
alimentar. Famílias mais pobres tendem
a manter uma alimentação mais tradicional,
com uma maior presença de arroz e feijão.
"Com o aumento da renda, parece que o 'prestígio'
desses alimentos é menor", explica
Carla. Os carboidratos também diminuem
sua participação na dieta conforme
o aumento da renda. "O contrário ocorre
com os lipídios, que aumentam sua participação
na dieta em rendas superiores e excedem o percentual
preconizado pela Organização Mundial
de Saúde entre os mais ricos".
Quanto maior a renda, também
é maior a participação de
refrigerantes, doces, açúcares e
gordura na dieta. Além disso, ela implica
na menor participação de cereais
e derivados, o que mostra uma tendência
da redução da importância
do consumo desses produtos pela população.
"Nestas famílias, a disponibilidade
de energia encontrada foi menor, provavelmente
devido ao maior número de refeições
efetuadas fora de casa", conta a nutricionista.
Carla ressalta que a disponibilidade
de fibras ainda está muito abaixo do recomendado
em ambas as regiões, causando preocupação.
"Ainda assim, nas áreas rurais da
Região Norte, esse nutriente mostrou-se
mais presente". Nas áreas urbanas
da Região Sul, ao contrário, há
um maior consumo de alimentos prontos. A pesquisa
faz parte do mestrado de Carla, realizado na Escola
Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"
(Esalq) da USP com o financiamento do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq). (Agência USp
de Notícias)
Mais informações:
cenes@esalq.usp.br,
com Carla Enes
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