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Cresce
o consumo de produtos piratas
A Associação Nacional
para Garantia dos Direitos Intelectuais (ANGARDI)
divulgou, em São Paulo, uma pesquisa que
comprova que a pirataria de produtos em apenas
três setores – roupas, tênis
e brinquedos – tira do país pelos
menos R$ 18,6 bilhões anuais em arrecadação
de impostos.
Este valor seria suficiente, por
exemplo, para cobrir 45% do déficit da
Previdência Social. A simulação
faz parte de um estudo realizado pelo Ibope para
a ANGARDI, para a Câmara de Comercio dos
E.U.A e para o Conselho Empresarial Brasil Estados
Unidos (seção americana).
A pesquisa foi feita com os seguintes
objetivos: mensurar diretamente, junto à
população brasileira, o consumo
de falsificações e cópias
não registradas; levantar atitudes gerais
sobre consumo de produtos “piratas”
e temas correlatos; medir o consumo intencional
de falsificações e cópias
não registradas junto à população
do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte;
e estimar volume de unidades, valores médios
e valores totais gastos com esse tipo de consumo.
Foram feitas 1.715 entrevistas,
com moradores das cidades acima citadas, com idade
acima de 16 anos. Desse total, 602 entrevistas
foram realizadas em São Paulo e Rio de
Janeiro e 511 em Belo Horizonte.
Já existe na população
um hábito declarado de compra de produtos
piratas. Os resultados nacionais indicam que 12%
da população brasileira compra brinquedos
no mercado informal e 24% compra roupas piratas,
ou seja, cerca de um em cada quatro brasileiros
compra roupas no mercado informal.
É notável a similaridade
dos preços praticados, o que demonstra
mais uma vez, que por trás deste comércio
existe uma estrutura organizada de distribuição
e controle de preços. O valor do comércio
ilegal declarado para os três setores foi
de R$ 23,2 bilhões, um crescimento de 45%
em cima do valor de 2005, que foi de R$ 16 bilhões.
“A pirataria, definida como
“o crime do século” pela Interpol,
é um dos crimes mais lucrativos do mundo
e movimenta anualmente entre US$ 500 a US$ 600
bilhões – superando o tráfico
de entorpecentes (US$ 360 bilhões)”
alerta José Henrique Werner, diretor da
ANGARDI.
A grande maioria dos entrevistados
concorda que a pirataria contribui para a sonegação,
diminuindo investimentos em setores como educação
e saúde, bem como inibe novos investimentos
que poderiam gerar mais empregos no país.
Porém, os mesmos entrevistados justificam
o hábito de compra com os seguintes argumentos:
Ø Marcas famosas lucram
muito, impõem preços altos e não
são prejudicadas seriamente pelo consumo
de falsificações;
Ø Produção
e comércio de falsificados geram muitos
empregos nos países pobres, enquanto marcas
famosas só criam vagas de trabalho nos
países ricos;
Em comparação com
as pesquisas previamente realizadas, pode-se constatar
que não houve alteração no
comportamento de consumo da população
pesquisada. Na média das três maiores
cidades brasileiras, três em cada dez entrevistados
declararam nunca ter comprado produtos piratas.
Além disso, quatro pessoas em cada dez
compram sempre, ou às vezes, produtos de
comerciantes, ambulantes e de lojas do comércio
informal.
Cerca de 74% da população
pesquisada continua comprando com freqüência,
compra às vezes, ou já comprou produtos
piratas. Houve uma redução neste
índice em Belo Horizonte e Rio de Janeiro
(84% para 76% em BH, e de 78% para 75%, no RJ),
enquanto em SP houve um pequeno aumento.
Houve uma ligeira melhora na conscientização
dos entrevistados quanto aos malefícios
da pirataria (contribuição para
a sonegação fiscal, diminuição
de investimentos em setores como a educação,
saúde, etc., e inibição de
novos investimentos para geração
de empregos). Mesmo assim, 50% dos entrevistados
continua comprando CD’s piratas. Conclui-se,
portanto, que tal conscientização
não altera o comportamento de consumo.
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