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Empresas resistem em registrar passivos com benefícios

Os planos de aposentadorias e pensões começaram a se avolumar no Brasil a partir de 1970. Nesta mesma década, a economia começou a apresentar novos mecanismos de poupança e a incentivar a manutenção contínua da força de trabalho qualificada, o que levou as empresas a adotarem planos de previdência complementares como benefícios de primeira linha, a fim de reter a mão de obra qualificada no seu quadro de funcionários.

Nos primeiros planos instituídos, os métodos de avaliação atuarial seguiam modelos escolhidos pelos poucos profissionais da época. Segundo Paulo Mente, sócio da Assistants, consultoria especializada em avaliações atuariais, os resultados dessas avaliações, evidenciando grandes compromissos patronais de longo prazo, não eram refletidos com propriedade nas peças contábeis das empresas, permanecendo registrados apenas nas entidades paralelas por elas criadas, as chamadas entidades de previdência complementar.

Os impactos dos programas de benefícios sobre as empresas e seus balanços foram notados nos Estados Unidos, onde os órgãos reguladores baixaram regras para a exposição dos valores envolvidos. As empresas passaram a ser obrigadas a padronizar os registros contábeis desses passivos sob critérios de proteger os interesses dos acionistas.

A globalização econômica provocou a extensão desses critérios e, atualmente, esses padrões são adotados em quase todo o mundo. “O Brasil demorou a entender a necessidade de adoção dos mesmos mecanismos, mas não teve como se esquivar diante da chegada do investimento estrangeiro, da onda de privatizações e da modernidade de seu próprio mercado de capitais”, explica Paulo Mente. Somente no ano 2000, a CVM - Comissão de Valores Mobiliários acatou a iniciativa do IBRACON, e editou a Deliberação CVM nº 371, que determinou padrões de registros dos passivos com programas de benefícios, inicialmente dirigida às empresas de capital aberto.

Porém, após mais de cinco anos, essa Deliberação ainda é objeto de discussões e resistências. Para o consultor, ainda falta a plena compreensão dos dirigentes de empresas quanto à necessidade de adaptarem suas práticas àquelas já adotadas há décadas em ambientes globalizados ou desenvolvidos. "Não há como resistir a isso, mantendo práticas contábeis e financeiras enganosas, em prejuízo aos interesses dos atuais ou futuros acionistas”.

O correto registro dos passivos de longo prazo com os planos de benefícios, nos balanços das empresas, garantem a plena exposição patrimonial e de resultados, evitando a oclusão de dados e a transferência de compromissos entre diferentes gerações de acionistas. “As resistências ainda notadas na adoção dos padrões recomendados pela Deliberação CVM nº 371 devem ser removidas com rapidez e, para isso, é preciso que tanto a CVM, quanto os próprios acionistas e outros atores do mercado de capitais assim exijam”, finaliza.


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