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Estudo
traça perfil do profissional globalizado
Com a intensificação
da globalização da economia, ter
uma formação de nível superior
com uma formação básica consistente
já não é mais garantia de
um bom desempenho no mercado de trabalho. Daqui
para frente, o profissional terá de se
preparar para atuar em uma comunidade global,
o que exigirá habilidades que vão
além daquelas aprendidas na grade curricular
tradicional. É o que revela o estudo “Excelência
em Engenharia Global”, realizado por oito
universidades de seis países – entre
elas a Escola Politécnica da Universidade
de São Paulo (Poli-USP).
Embora seja focado na área
de Engenharia, o estudo é um espelho do
que está ocorrendo com boa parte das profissões;
especialmente as que estão diretamente
ligadas ao setor produtivo. “A prática
global da Engenharia requer um profissional que,
além de capacidade técnica, seja
poliglota, amplamente instruído e culturalmente
bem informado, conhecedor dos mercados, empreendedor
e inovador, além de muito flexível
e móvel – seja virtual ou fisicamente”,
afirma o professor Márcio Lobo Netto, do
Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos,
que, juntamente com o professor Paulo Carlos Kaminski,
do Departamento de Engenharia Mecânica,
representou o Brasil nesse estudo.
Preparar um profissional com tamanha
gama de habilidades é uma tarefa complexa,
mas necessária diante da mudança
radical na maneira como as economias passaram
a desenvolver, produzir e distribuir os bens de
consumo. “Com a globalização,
um produto desenvolvido no Brasil, pode ser produzido
na China e distribuído na Europa, e os
profissionais envolvidos nesse processo precisam
saber atuar em uma escala global”, afirma
Lobo. Para tanto, será necessária
uma mudança nas abordagens dos programas
de ensino, além de um compromisso de colaboração
entre instituições de ensino, governo,
indústria e entidades profissionais.
Um dos desafios é tornar
a competência global uma qualificação
central nos programas de educação.
“Será necessário integrar
na grade curricular mecanismos que ajudem o aluno
de graduação a se inserir nessa
nova realidade”, afirma Lobo. Exemplos:
ensiná-lo aluno a trabalhar em equipe em
um projeto global e estimular atividades extra-curriculares
que despertem seu espírito empreendedor
e inovador.
Estudo
no exterior
A internacionalização
do estudo e da pesquisa científica deve
ser outra prioridade. “Despender parte dos
estudos no exterior durante a graduação,
seja por meio de cursos de curta duração
ou de dupla formação, é uma
experiência essencial para a prática
global”, afirma o professor Kaminski. “Os
acordos de cooperação entre as universidades
devem ser cada vez mais estimulados para viabilizar
a mobilidade dos estudantes, e o apoio das agências
de financiamento nesse processo deve ser redobrado”,
acrescenta. O mesmo se aplica aos alunos de pós-graduação
e ao corpo docente, pois um pesquisador que desenvolva
trabalhos científicos a nível internacional
está mais apto a oferecer conhecimentos
e tecnologias de ponta para uma indústria
transnacional.
Os laços da universidade
com a indústria também terão
que ser mais estreitos. “O ensino precisa
ser vinculado à prática profissional
globalizada”, afirma Kaminski. Um exemplo
é o Partners for the Advance of Collaborative
Engineering Education (PACE), um programa educacional
da General Motors Mundial feito em parceria com
universidades de vários países –
entre elas a Poli –, no qual alunos de graduação
desenvolvem projetos virtuais de carros a distância.
“Cada equipe, representando sua universidade,
cria uma parte do carro, sendo que o projeto deve
facilitar sua aplicação na prática,
como, por exemplo, prever mudança de medidas
para diferentes processos de fabricação”,
explica ele.
Concluído em novembro de
2006, o estudo é uma iniciativa da AG Continental
– transnacional do setor automotivo –
e foi conduzido com total autonomia pela Technische
Universität Darmstadt (Alemanha), em parceria
com o Massachusetts Institute of Technology, Georgia
Institute of Technology (ambas dos EUA), Eidgenössische
Technische Hochschule Zürich (Suíça),
Tsinghua University, Shanghai Jiaotong University
(ambas da China) e University of Tokyo (Japão),
além da Escola Politécnica.
Durante um ano, os docentes envolvidos
no projeto analisaram os fatores históricos,
econômicos e sociais de cada país,
os desafios do mercado, as necessidades da indústria
em relação à força
de trabalho dos engenheiros – agora e no
futuro – e o quanto eles estão preparados
para atender essas expectativas. Paralelamente,
também fizeram uma avaliação
das abordagens educacionais usadas para preparar
os engenheiros para a prática global, incluindo
seus próprios programas em todos os níveis.
A Escola Politécnica, assim
como as demais instituições, foi
convidada para participar do projeto por oferecer
uma educação de nível mundial.
Embora a Poli esteja em sintonia com as diretrizes
apontadas pelo estudo, o diretor da Escola, o
professor Ivan Sandoval Falleiros, lembra, porém,
que é necessário não perder
o foco do que é imprescindível no
ensino.
“As necessidades do mercado
aparecem e desaparecem em um espaço de
tempo muito curto. Muitas vezes a tecnologia de
ponta que se aprende em cinco anos de curso está
ultrapassada depois de três anos. Por isso,
o papel da universidade é oferecer aquilo
que o mercado precisa sempre, que é uma
formação básica consistente,
ampla, e tão forte quanto possível”,
afirma. Na sua avaliação, as demais
habilidades devem ser ensinadas indiretamente,
e o que a universidade pode e deve oferecer são
oportunidades aos estudantes por meio de atividades
extra-curriculares, da internacionalização
do estudo e da pesquisa, entre outras ações.
Serviço:
A íntegra do estudo está
disponível no site www.global-engineering-excellence.org.
Para conhecer mais os programas da Escola Politécnica
acesse: www.poli.usp.br
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