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Lições
da Copa para o mundo corporativo
*Por Gustavo Ponce de Leon
Muitas considerações
podem ser feitas a partir do desempenho sofrível
da seleção brasileira de futebol
na segunda fase da Copa do Mundo. Me interessa
aqui tecer comentários sobre dois personagens
do escrete canarinho, que têm similares
no mundo corporativo: o chupa-sangue e o chefe
inoperante.
Para quem não sabe, leva
o epíteto de chupa-sangue aquele jogador
que faz corpo-mole em campo e deixa para seus
companheiros todo o trabalho pesado. Pior, faz
pose de que é imprescindível quando
as coisas vão bem e se faz de morto quando
tudo vai mal.
Ronaldo, vulgo "o fenômeno",
foi, na minha opinião, o maior chupa-sangue
desta seleção. Mesmo tendo batido
o recorde de maior goleador de Copas, que pertencia
ao alemão Gerd Müller, o atacante
exibiu atuações canhestras. A maior
de todas foi no primeiro jogo. Visivelmente fora
de forma, se arrastou em campo na partida contra
a Croácia. Engraçado foi mostrar
contrariedade ao ser substituído.
É aí que aparece
a questão do chefe inoperante. Veja você:
o jogador vinha de contusão e precisava
entrar em forma. O que seria prático fazer?
Colocá-lo em campo aos poucos, principalmente
no segundo tempo. Uma das vantagens dessa ação
é que o jogador já pega os adversários
mais cansados. Parreira resolveu diferente e Ronaldo
ficou em campo até os 30 minutos do segundo
tempo.
A atitude passiva do treinador,
que tem lá seus motivos e se estendeu a
outros integrantes da velha guarda, como Cafu
e Roberto Carlos, repercutiu no elenco mais jovem.
Talvez isso explique o baixo rendimento de Kaká,
visto por muitos como a grande promessa para a
competição. Outro jovem, Adriano,
também não conseguiu se encontrar.
Sem falar do Ronaldinho Gaúcho, que consolida
a figura de jogador de clube.
Pela soma de craques, a seleção
era vista como a favorita ao título. Mas
isso não basta, nem no futebol e nem no
mundo corporativo. É por isso que a função
maior de um líder é saber mesclar
talentos e depois mantê-los empolgados na
busca pelos resultados. Como fazer é uma
questão do estilo de comando. Uns são
passionais e mantêm a equipe em constante
tensão. Apelam, às vezes, para as
chicotadas. Outros são mais políticos
e buscam argumentos racionais para convencer e
motivar o pessoal.
Improvisar
Aproveitando o gancho futebol
e a tão falada criatividade do jogador
nacional, toco num assunto tido como tabu nas
empresas, há até bem pouco tempo:
a improvisação. Pois é, já
tem gente que defende sua prática como
modelo de estratégia empresarial. Um dos
integrantes desse time é o americano Stephen
J. Wall, diretor da Right Management Consultants
nos EUA e autor do livro "On the Fly: Executing
Strategy in a Changing World", ainda não
lançado no Brasil.
"Esse modelo deve permitir
e delegar a tomada de decisões aos chamados
estrategistas de linha de frente, que são
os funcionários em contato direto com os
clientes", diz ele, como um pregador em busca
de seguidores.
Para o executivo da Right, representada
no Brasil pela RightSaadFellipelli, há
três tipos de estrategistas nas empresas:
os da linha de frente, que são os olhos
e os ouvidos das organizações e,
ao mesmo tempo, a voz do cliente; os integradores,
que são aqueles com a missão de
fazer a estratégia se traduzir em ação;
e, por fim, os líderes da estratégia,
que são os que fornecem o foco, o equilíbrio
e a coordenação de todo o processo.
Stephen Wall enfatiza que sua
fórmula não significa que as empresas
deixem de formular planos estratégicos
tradicionais. A proposta dele é para que
esses planos sejam vistos de outra forma: não
como leis imutáveis, mas como projetos,
como tarefas em desenvolvimento.
"Criei um modelo baseado
na improvisação cujo objetivo é
oferecer um foco estratégico coerente,
associado ao planejamento analítico tradicional
e à flexibilidade para responder oportunamente
às mudanças que ocorrem no mercado",
esclarece.
Neste modelo, segundo ele, a estratégia
e a implementação não são
elementos distintos e separados. Quando o desenvolvimento
da estratégia se torna mais fluido e improvisado,
esses aspectos se unem. "O improviso, por
si só, contém implementação,
daí a estratégia se desenvolve ou
se modifica. Portanto, o risco de fracassar na
execução fica reduzido ao mínimo",
ressalta.
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