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Crédito
mercantil bate crédito do sistema financeiro
Estudo da Serasa mostra que o
desempenho do crédito mercantil, concedido
pelas empresas aos seus clientes, teve um crescimento
expressivo, em termos reais, nos últimos
anos. As empresas têm ampliado a oferta
de crédito para seus clientes, alcançando
em setembro de 2006 a cifra de R$ 297 bilhões.
Esse saldo é superior aos empréstimos
destinados às empresas, na modalidade de
recursos livres, realizados pelo sistema financeiro,
que totalizaram, na mesma data, R$ 204 bilhões.
O valor apresentado no estudo
da Serasa foi obtido pelo somatório da
conta clientes registrada nos balanços
de 60 mil empresas, encerrados em setembro de
2006. Fatores como a estabilidade da economia,
os juros em queda, apesar de ainda situarem-se
em um patamar elevado, e o aumento da massa salarial
real foram os mais relevantes para que as empresas
ampliassem os créditos a seus clientes,
contribuindo, desta forma, para o crescimento
desses negócios.
O comércio foi o grande
destaque, com crescimento acumulado de 30% do
crédito mercantil, já descontada
a inflação do período. Por
atuar basicamente no mercado interno, mesmo sob
o impacto do baixo crescimento da economia, o
comércio conseguiu, utilizando-se do crédito
mercantil, alavancar seus negócios por
estar mais perto do consumidor final e sentiu
de perto o crescimento da demanda favorecida pela
expansão da massa salarial, derivada do
aumento do emprego e do rendimento real da população.
A indústria também
mostrou uma expansão real importante, de
20%, no crédito mercantil, motivada pelo
crescimento em 2004, decorrente do bom desempenho
da economia doméstica e do volume das exportações.
Em 2005 e 2006, o desempenho foi alicerçado
por segmentos com forte expansão de negócios
como siderurgia, eletrônicos e suco de laranja.
O resultado poderia ter sido melhor não
fosse a valorização da moeda norte-americana,
que conteve o crescimento das exportações
e estimulou a importação, notadamente,
a de bens de consumo, contribuindo para a relativa
estabilidade no faturamento do setor.
Os serviços tiveram o menor
crescimento, quando comparado ao comércio
e a indústria, com expansão real
de 13% do crédito mercantil no período
analisado. Por sua atuação exclusiva
no mercado interno, após a retração
dos negócios no início de 2003,
segmentos importantes como telefonia e energia
elétrica foram impactados pelos reajustes
de tarifas públicas, relativamente próximos
dos índices inflacionários, que
estão em queda desde aquela época.
Além disso, devido aos
baixos investimentos em infra-estrutura, muitos
negócios deixaram de acontecer, contribuindo
para um menor dinamismo no setor. Por essa razão,
os créditos mercantis praticamente acompanharam
o desempenho do faturamento no período.
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