Pesquisas

Juro alto inibe uso maior do crédito

O consumidor tem amplo conhecimento sobre as alternativas de crédito do mercado, mas as utiliza com restrição em função dos juros, que classifica como altos ou proibitivos. Entre os produtos de crédito que mais deixou de utilizar devido à alta taxa associada, o campeão é o empréstimo em banco, seguido do crediário de financeiras e do crediário de loja.

Essa foi a constatação de uma pesquisa quantitativa sobre produtos de crédito e taxas de juros, parte de um estudo mais amplo que aborda a relação do brasileiro com o dinheiro, que acaba de ser concluída pela TNS InterScience e foi realizada junto a 500 moradores da cidade de São Paulo. Foram entrevistadas pessoas de ambos os sexos, com mais de 18 anos, das classes A, B e C, ‘bancarizadas’ (que possuem pelo menos um produto financeiro, como conta corrente, poupança ou cartão de crédito) e com renda familiar mensal mínima de R$ 500.

De acordo com a pesquisa, entre todas as modalidades disponíveis os entrevistados conhecem, em média, seis produtos de crédito. Os principais são o empréstimo em banco, o cartão de crédito e o cheque especial. Segundo Paulo Secches, diretor da TNS InterScience, “os produtos de crédito são o veículo para a realização dos sonhos de consumo da classe média e da baixa renda, mas 70% deste último segmento já deixaram de fazer empréstimos por causa do custo elevado”.

O levantamento detectou ainda que o cartão de crédito de banco é o recurso mais utilizado pela maioria dos entrevistados (61%) para financiamentos e empréstimos. Em menor proporção aparecem o crediário de loja (24%), o empréstimo em banco (18%) e o cheque especial (15%). Constatou ainda que as atuais taxas de juros influem decisivamente no momento da tomada de crédito e que, por esse motivo, 81% dos entrevistados já deixaram de fazer empréstimos ou financiamentos. Os produtos que mais deixaram de ser utilizados em função dos juros foram empréstimo em banco, crediário de financeiras e crediário de lojas (gráfico 2).

Ao serem questionados sobre a percepção dos juros praticada em cada linha de crédito, classificando-as como “proibitivas”, “altas”, “baixas” ou “justas”, a maioria dos pesquisados avaliou como “altos” ou “proibitivos” os juros cobrados em todas as opções de crédito. Apenas no caso do empréstimo consignado e dos produtos de crédito mais relacionados ao consumo (cartão de loja, crediário e cartão de crédito de loja) há uma parcela significativa que classifica como “justos” os juros cobrados.

“Olhando esses percentuais percebemos que a grande oportunidade para a expansão do crédito está no cartão de loja porque as taxas de juros são percebidas como sendo muito mais baixas, além de o produto estar associado a uma área-chave do desejo que é o vestuário”, conclui Secches.

A TNS InterScience, empresa da holding inglesa TNS, que atua no segmento de pesquisas Ad Hoc (sob encomenda), desenvolve regularmente estudos institucionais. O Brasileiro e o Dinheiro avalia como o brasileiro se relaciona com as finanças, em diferentes perspectivas.


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