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Nível
de crédito é o mais alto desde 1995
Nota distribuída pela Febraban,
a federação dos bancos, informa
que o crédito no Brasil, se comparado a
outros países, tem apresentado no período
1990 - 2006 duas características marcantes.
A primeira é a escassez. No período,
o volume de crédito correspondeu, em média
a 27,3% do PIB. Este indicador é muito
inferior ao volume observado em outras economias
em desenvolvimento. No Leste da Ásia, essa
taxa média foi de 72%, no Chile de 61%,
no Oriente Médio de 43% e no Norte da África
de 40%.
Outra característica do
crédito no Brasil, neste período,
é a sua volatilidade. O crédito
no Brasil apresentou três fases distintas
desde 1990. A primeira fase (1990 a 1994) foi
caracterizada por movimentos de expansão
e contração do crédito, decorrentes
da implementação de planos de estabilização,
que ora controlavam a inflação,
ora a aceleravam, repercutindo, invariavelmente,
em redução do da demanda agregada.
Na segunda fase, nos anos que
se seguiram à estabilização
da inflação, o crescimento do crédito
foi interrompido por seguidos choques internacionais:
crise da Ásia (1997), crise da Rússia
(1998) e também pela desvalorização
cambial de 1999. Como resultado, o crescimento
do crédito apresentou um resultado medíocre,
particularmente entre 1995 e 1997. Os anos seguintes
foram caracterizados por flutuações
na evolução do crédito até
2000, quando se iniciou uma recuperação
no seu crescimento, interrompida em 2002, pela
incerteza da continuidade da estabilização
econômica trazida pelo processo eleitoral.
A partir de meados de 2003, com
a incorporação de novas modalidades
de crédito às carteiras dos bancos
múltiplos, teve início a terceira
fase da evolução do crédito
no Brasil caracterizada pelo mais longo ciclo
expansionista dos últimos 10 anos. Em setembro
de 2006, o crédito como proporção
do PIB atingiu 33%, o nível mais elevado
desde 1995 (22,5% do PIB com recursos livres e
10,5% do PIB com recursos direcionados).
Em setembro de 2006, o volume
de crédito do sistema financeiro atingiu
R$ 682,9 bilhões, um incremento de 1,3%
em relação a agosto e 21% em 12
meses (em termos nominais). Já o crédito
direcionado alcançou R$ 217,1 bilhões,
enquanto o crédito com recursos livres
somou R$ 465,8 bilhões, expansões
nominais de 15,6% e 23,7% em 12 meses, respectivamente.
Essa comparação
leva em conta, ainda, que o crédito habitacional
sofreu, em meados de 2001, um profundo ajuste
patrimonial. Houve transferência da Caixa
Econômica Federal para o Tesouro Nacional
das operações inadimplentes do antigo
Sistema Financeiro da Habitação
(SFH), mais especificamente do Fundo de Compensação
de Variação Salarial (FCVS), que
retirou da estatística do crédito
um volume substancial de operações.
Este ajuste explica a redução de
2,5 pontos percentuais no volume de crédito
habitacional de maio de 2001 para junho de 2001,
que foi de 4,4% para 1,9% do PIB.
Ciclo
de expansão
Este novo ciclo de expansão
foi "puxado" pelo vigoroso aumento do
crédito às pessoas físicas.
O crédito às pessoas físicas
representava, em janeiro de 1990, 0,5% do PIB.
Já em setembro de 2006, este indicador
atingiu 10,8% do PIB (um aumento de 10,3 pontos
percentuais) ou R$ 225,5 bilhões (expansão
nominal de 26,5% em 12 meses).
O maior propulsor do crescimento
do crédito para pessoas físicas
foi o crédito consignado. Em setembro,
esta modalidade alcançou R$ 44,4 bilhões
(incremento de 49,6% em 12 meses). Também
o financiamento de veículos vem seguindo
uma trajetória ascendente, atingindo R$
61,7 bilhões (expansão de 33,6%
em 12 meses).
O crédito para pessoas
jurídicas também contribuiu para
que o crescimento do crédito fosse superior
a expansão do PIB. Em setembro de 2006,
o crédito para pessoas jurídicas
atingiu R$ 240,3, expansão de 21,2% em
12 meses.
Esta expansão no crédito
decorreu, portanto da melhora dos fundamentos
macroeconômicos que, por sua vez, deu início
a um processo de redução das taxas
de juros da economia.
Em linha com a redução
da taxa Selic, as taxas de juros do crédito
para o setor privado também se reduziram.
Em setembro de 2006, a taxa de juros consolidada
para pessoas físicas atingiu 53,8% ao ano
e para pessoas jurídicas, 27,3% ao ano,
reduções de 8 p.p e 6 p.p em 12
meses. Este é o menor patamar de taxas
de juros desde 1995.
No entanto, as três fases
de evolução do crédito foram
marcadas por uma alta percentagem de depósitos
compulsórios sobre o saldo dos depósitos
dos bancos junto ao Banco Central. Desde o final
dos anos 90, o governo vem usando este mecanismo
para regular o multiplicador bancário,
de forma a restringir o processo de expansão
dos meios de pagamentos e controlar a inflação.
O Brasil é praticamente
o único país do mundo a utilizar
tão drasticamente esse instrumento, em
nível muito superior ao de outros países
emergentes. Em setembro, os depósitos compulsórios
atingiram R$ 157,6 bilhões ou 23,1% do
crédito total do sistema financeiro.
Depósitos compulsórios
elevados restringem fortemente a liquidez do sistema
financeiro e diminuem a oferta de crédito,
não só pela esterilização
dos recursos, mas sobretudo por reduzirem o chamado
multiplicador bancário. O multiplicador
bancário é o coeficiente que mede
a taxa de expansão dos meios de pagamento
da moeda criada pelos depósitos bancários.
Havendo menos moeda disponível, diminui
a expansão monetária.
De cada R$ 100 em depósitos,
um percentual é recolhido ao Banco Central,
o que limita o montante disponível para
empréstimos. No caso de depósitos
à vista, este percentual é de 53%
(45% em espécie sem remuneração
e 8% com remuneração da taxa Selic),
restando apenas R$ 47 para operações
de empréstimos.
Suponhamos que estes R$ 47 restantes
para operações de empréstimo
são depositados no banco por outro correntista.
Por sua vez, este depósito também
deve recolher 53% de compulsório, restando
apenas R$ 24,9 para emprestar e assim por diante.
Compulsório
O estudo da Febraban mostra que
R$ 100 geram R$ 188,6 de moeda escritural (emissão
de cheques, ordem de pagamento, débito
automático, crédito de salário
etc) dos quais R$ 99,9 são recolhidos compulsoriamente,
e R$ 88,6 são emprestados, quando o depósito
compulsório é de 53%. Em outras
palavras, se o depósito compulsório
fosse zero (0), de cada R$ 100 depositados, os
bancos teriam R$ 188,60 para emprestar - no exemplo
acima. Mas com a esterilização de
53%, acabam dispondo de apenas R$ 88,60.
A autoridade monetária
pode, portanto, conter ou expandir este efeito,
aplicando alíquotas maiores ou menores,
respectivamente, sobre o recolhimento compulsório
dos depósitos bancários. Assim,
quanto maior o percentual de recolhimento compulsório
menor é o efeito multiplicador, e vice-versa.
Conclui-se que quanto maior o valor do compulsório
menor os recursos disponíveis para operações
de empréstimos do sistema financeiro.
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