Pesquisas

Brasileiro não se prepara para aposentadoria

O HSBC anunciou, em âmbito mundial, os resultados do mais amplo estudo global sobre envelhecimento, atitudes e expectativas em relação à aposentadoria. Intitulada “O Futuro da Aposentadoria: O que o mundo quer”, a pesquisa, realizada pela instituição em parceria com a Oxford Institute of Ageing, Age Wave e Harris Interactive, abrangeu 20 países e territórios de cinco continentes. Foram entrevistadas 21 mil pessoas e 6 mil empregadores, amostragem que representa 62% da população mundial. O trabalho apresenta dados e análises sobre temas relacionados com três áreas fundamentais da vida: trabalho, dinheiro e planos para o futuro.

Ao explicar as motivações que levaram a instituição a promover esse estudo, Stephen Green, CEO mundial do grupo HSBC, comentou ser do interesse do HSBC e da sociedade conhecer as atitudes e perspectivas das pessoas e empregadores em relação à velhice para que se organizem e possam moldar suas expectativas do futuro. “O estudo mostrou que cresce em todo o mundo a consciência das limitações práticas em relação ao que governos e empregadores podem fazer para ajudar as pessoas no futuro e, assim, aumenta cada vez mais a responsabilidade individual. Para atingir as nossas aspirações por um padrão de vida na aposentadoria semelhante ao da vida de trabalho, precisamos planejar com antecedência”, complementa Green.

O Brasil, um dos países incluídos na pesquisa, apresentou o maior índice de preocupação com a falta de dinheiro na velhice: 76% dos entrevistados. Outro dado relevante é que 52% entendem que o governo deveria ser a principal fonte de suporte financeiro nessa fase, mas não acreditam que fará isso como deveria. Além disso, 69% dos entrevistados se preocupam também com a possibilidade de se tornarem dependentes de parentes nesse período. Apesar desse receio, apenas 6% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter investido algum recurso especificamente para aposentadoria no ano passado.

Outros dados:

· 30% das pessoas acham que elas mesmas devem arcar com a maior parte dos custos financeiros de sua aposentadoria.

· 4% acham que os custos devem ficar por conta de seu empregador.

· 13% acham que seus filhos ou sua família devem arcar com os custos.

· 52% pensam que o governo deveria arcar com a maior parte dos custos financeiros de seu sustento na aposentadoria.

· 33% acreditam que o governo de fato arcará com esses custos.

· O intervalo de confiança é, portanto, de 19%.

Uma das razões da idéia crescente de que as pessoas devem arcar com a maioria dos custos financeiros de sua própria aposentadoria é o intervalo de confiança entre os que acham que os governos deveriam e que os acreditam que os governos irão arcar com esses custos. Os indivíduos esperam poder contar com suas famílias quando chegarem à velhice, mesmo que não esperem que esta arque com a maior parte dos custos financeiros de sustentá-los quando estiverem aposentados.

· Apenas 35% prevêem viver com seus filhos quando chegarem à velhice

· 57% esperam que seus filhos cuidem deles

· 24% esperam que seus filhos ajudem a pagar suas despesas de vida, e

· 35% esperam que seus filhos ajudem a pagar suas despesas médicas.

Os brasileiros rejeitam os mecanismos usuais por meio dos quais os governos podem sustentar as pessoas na aposentadoria. Quando lhes é apresentada a opção entre impostos mais altos, aposentadorias menores, trabalhar por mais anos e poupança compulsória (sob a forma de poupanças privadas adicionais obrigatórias), os resultados são:

· 53% escolhem a poupança compulsória para ajudar na aposentadoria

· 13% optam pelo aumento da idade mínima para a aposentadoria

· 3% optam pelo aumento dos impostos, e

· 8% escolhem a redução do valor das aposentadorias.

De maneira global, o estudo promovido pelo HSBC comprova mais uma vez a premissa de que o grau de envelhecimento da população mundial é acelerado. As economias em desenvolvimento como América Latina, Europa Oriental, Ásia, Oriente Médio e África estão na liderança desse processo. Essas regiões já abrigam dois terços das pessoas mais idosas do mundo. A estimativa média de vida da população também aumentou paulatinamente nos últimos anos e, conseqüentemente, o estudo global detectou algumas mudanças de atitude da população dessas regiões, que seguem as tendências das economias adiantadas – América do Norte e Europa Ocidental -, ao adotar novas formas de aposentadoria.

Gerações sucessivas estão vivendo por mais tempo, aposentando-se mais cedo e tendo expectativa de melhor padrão de vida na aposentadoria. Tudo isso faz com que a garantia de segurança financeira na aposentadoria seja um desafio cada vez maior, quer se tratem dos sistemas de aposentadoria públicos, dos planos de aposentadoria privados ou do apoio dado pela família.

A exemplo do que se verificou no Brasil, o estudo do HSBC aponta que nos demais países pesquisados as pessoas também percebem as limitações práticas quanto ao que os governos e empregadores podem fazer para sustentá-las, prevendo, assim, que os governos não serão sua única fonte de apoio financeiro na velhice.

Outros resultados globais

· As pessoas querem pagar por sua aposentadoria por meio de poupança adicional imposta pelo governo, em vez de pagar mais impostos ou receber pensões menores.

· Enquanto tiverem saúde e forem capazes, as pessoas desejam cada vez mais ter alguma atividade durante sua aposentadoria, em vez de apenas descansar.

· A maioria esmagadora das pessoas rejeita a aposentadoria compulsória por idade.

· À medida que envelhecem, cada vez mais pessoas exigem condições de trabalho flexíveis.

·Os empregadores acham que os empregados devem continuar trabalhando independentemente da idade, desde que sejam capazes de fazer um bom trabalho.

· Os empregadores dizem que os trabalhadores mais idosos são tão produtivos quanto os mais jovens.

· Poucos empregadores, grandes ou pequenos, estão realmente preparados para a escassez global de aptidões que se aproxima, causada pelo envelhecimento da população.

Em 2005, o HSBC publicou os resultados de seu primeiro estudo global, O Futuro da Aposentadoria em um Mundo de Expectativa de Vida Crescente. Esse estudo abrangeu 11 mil adultos em dez países e territórios de quatro continentes.

O relatório deste ano, O Futuro da Aposentadoria: O que o mundo quer, foi uma realização do HSBC em colaboração com três organizações. A autoria do relatório é do Oxford Institute of Ageing, integrante da Oxford University. A consultoria principal foi da Age Wave, dirigida pelo gerontologista Dr. Ken Dychtwald, Consultor Especial do HSBC sobre Envelhecimento Global, e o trabalho de campo global foi empreendido pela Harris Interactive. O alcance e a natureza desse estudo fazem dele o maior jamais realizado no gênero, segundo o banco.


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