Pesquisas

Média empresa vê ajuda do governo como fundamental

Empresas de médio porte são a força motriz de vários países, mas a dominação crescente de grandes empresas invadindo seu território ameaça deixá-las para trás. Essa é uma das constatações de um grande projeto de pesquisa da "Economist Intelligence Unit", patrocinado pela SAP AG , baseada em entrevistas detalhadas com mais de 3.700 executivos de empresas de médio porte - com faturamento anual entre US$ 20milhões e US$ 500 milhões - no setor público e privado da Europa, Ásia/Oceania e Américas. No Brasil, foram entrevistados 242 executivos, sendo 61% deles donos de empresas ou diretores gerais, financeiros ou de tecnologia.

As principais conclusões no Brasil são as seguintes:

- Suporte governamental é fundamental para o crescimento. A oferta de incentivos fiscais para investimento e a redução de burocracia foram citadas por entrevistados brasileiros como as duas principais formas de o governo ajudar empresas de médio porte a crescer nos próximos três anos.

- TI será um importante fator viabilizador de crescimento. Dos executivos brasileiros, 64% destacaram TI como fator central para sua estratégia de crescimento, enquanto 66% consideram TI um elemento crítico para sua capacidade de manter flexibilidade enquanto crescem. Empresas também usarão TI para aprofundar seu conhecimento do comportamento de clientes e, assim, melhor atendê-los.

Boa parte dos líderes de negócios de empresas de médio porte brasileiras (41%) citou a força crescente de rivais maiores como a maior ameaça competitiva ao crescimento durante os próximos três anos. Além disso, os entrevistados concordaram em ampla medida que a pressão cada vez maior sobre os preços (44%), os crescentes custos de matérias-primas e serviços (32%) e a saturação de mercado (31%) serão alguns dos principais obstáculos que suas empresas precisarão sobrepor para competir efetivamente.

Se os entrevistados citaram os rivais maiores como sua maior ameaça competitiva, por outro lado, eles também reconhecem que possuem vantagens nítidas sobre eles,, citando fatores como maior rapidez para executar mudanças em suas estratégias (49%), custos de operação menores (46%) e relacionamentos mais estreitos com clientes (46%) como as armas-chave que os diferenciam na luta por participação de mercado.

Porém, estas são as mesmas características que os entrevistados apontaram como mais prováveis de se deteriorarem à medida que suas companhias cresçam. Um terço dos executivos apontou a capacidade de manter relacionamentos mais estreitos com seus clientes como a mais provável, seguida pela rapidez para executar mudanças em suas estratégias (31%) e a capacidade de operar com custos menores (29%).

Neste ponto, a pesquisa nacional diverge um pouco dos resultados globais. Entre os brasileiros a capacidade de executar, rapidamente, mudanças estratégicas foi citada pela maioria dos entrevistados (44%). A vantagem de relacionamentos estreitos com clientes tende a diminuir para 36% dos entrevistados à medida que eles cresçam. A perda de flexibilidade em relação a preços, em um ambiente em que clientes de todas as indústrias se tornam cada vez mais exigentes, foi outro fator preocupante, principalmente para os executivos asiáticos.

Para equilibrar essas preocupações, empresas de médio porte adotarão uma abordagem estável e gerenciável para o crescimento. Comitês executivos e gerentes da maioria das firmas entrevistadas identificaram uma ótima taxa de crescimento. Neste ponto, executivos brasileiros não fogem à regra, já que 63% dizem que suas empresas crescerão a taxas satisfatórias.

Em todas as regiões do mundo, a maior parte das empresas de médio porte pretende "resolver tudo sozinha", com 68% planejando crescer organicamente. No Brasil, mais da metade dos executivos entrevistados apontaram a mesma estratégia, sendo que a maioria deles (53%) pretende fazê-lo utilizando seus próprios recursos internos, enquanto 17% pretende utilizar sua rede de parceiros para produção e distribuição e 13% pretendem comprar outras empresas.

Essa posição contrasta significativamente com a do mercado como um todo, em que as atividades de fusões e aquisições aumentaram 38% entre 2004 e 2005* - uma tendência que deve continuar em 2006 à medida que empresas maiores buscam economias de escala para crescimento.

Um ambiente de negócios mais competitivo e enxuto está forçando líderes de empresas de médio porte a reavaliar suas estratégias de crescimento. A pesquisa revela diferenças marcantes na forma de alcançar isso. Dos entrevistados no Brasil, 48% procurarão ampliar sua base atual de clientes, enquanto 45% pretendem reduzir custos através do aprimoramento de operações e 41% deseja diversificar seu portifólio de produtos e serviços. Tais números diferem um pouco dos resultados globais, onde a redução de custos operacionais foi o fator mais apontado (51%), seguido da expansão da base de clientes (48%) e da ampliação do portifólio de produtos e serviços.

No entanto, todos concordam que a intenção é de se globalizar. Mais de um terço dos executivos brasileiros buscam novos mercados geográficos para crescer. Em particular, a abertura de mercados nos países emergentes, como Brasil, Rússia, Índia e China, oferece ampla variedade de novas oportunidades de negócio e as empresas de médio porte estão bem posicionadas para tirar partido delas.

"A mensagem inequívoca desse estudo é que empresas de médio porte desejam crescer, mas temem perder justamente as características que foram originalmente responsáveis por seu sucesso", disse Léo Apotheker, membro do Comitê Executivo da SAP. Na mesma linha, Luis Banhara, diretor de vendas da SAP Brasil para o mercado de pequenas e médias empresas, afirma que "os executivos brasileiros demonstraram uma grande preocupação em não deixar que o crescimento torne suas empresas menos flexíveis". Fica clara, também, segundo Banhara, a importância que tais executivos dão à eficiência operacional e para ao conhecimento de seus clientes.

Com base nos resultados locais do estudo, a SAP avalia que o caminho para as médias empresas alcançarem o crescimento orgânico desejado passa por acompanhar o ritmo dos concorrentes maiores e o ritmo acelerado de mudanças nos mercados globais. "A empresa de médio porte atual precisa buscar uma estratégia otimizada de crescimento. É preciso evitar peso excessivo na estrutura organizacional e viabilizar a flexibilidade para inovar e corresponder às expectativas dos clientes", finaliza Banhara.

* Fonte: Thomson Financial


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