Carreiras & Gestão

Empresário sugere reduzir margem e aplicar em tecnologia

“O estudo Índice de Competitividade das Nações, divulgado no início de setembro pela Fiesp, evidencia que o Brasil ainda tem imensos desafios a cumprir no sentido de ganhar posições no mercado internacional e crescer de maneira mais consistente”. O alerta é de Dimas de Mello Pimenta II, economista, diretor do Departamento Sindical (Desin) da entidade e presidente da Dimep, indústria com tecnologia de ponta no segmento de controles de acesso e de ponto.

Segundo o empresário, a visão meramente monetarista da política econômica, o anacrônico controle da inflação por meio dos juros altos e câmbio sobrevalorizado, a ausência de crédito, política industrial débil, legislação burocrática e jurássica e os gargalos da infra-estrutura explicam, em boa parte, o porquê de o País situar-se no 38º lugar, dentre 43 nações, no ranking elaborado pela Fiesp.

“De fato, os obstáculos internos prejudicam muito a competitividade da economia e da indústria brasileiras”, observa, ressalvando: “Contudo, é preciso que cada empresa, numa atitude de superação, procure fazer sua lição de competitividade, investindo em tecnologia e conhecimento, embora eu reconheça o quanto é difícil mobilizar capital em meio aos juros mais altos do mundo”. Assim, deverá ser o papel dos políticos brasileiros, reduzir os custos governamentais e aplicar em educação, saúde e segurança da população.

O empresário salienta que no Brasil, em meio aos juros mais altos do mundo, uma alternativa para investir em tecnologia, agregando a indispensável competitividade, é reduzir por determinado período as margens das empresas, carreando os recursos ao aporte de conhecimento, equipamentos e processos de ponta. “Na Dimep – Dimas de Melo Pimenta Sistemas de Ponto e Acesso, temos buscado este caminho, investindo, no último qüinqüênio, o montante de R$ 30 milhões, o equivalente a 15% de todo o faturamento”.

A decisão foi tomada há cinco anos, quando Dimas percebeu que o mercado de relógios de ponto seria em parte, concluído por outros segmentos, sentindo a necessidade de dar início à produção de outros equipamentos de alta tecnologia, mais relacionados à área de segurança eletrônica. Assim, ampliou o nicho de atuação da empresa, passando a fabricar hardwares e softwares capazes de controlar, também, os horários dos funcionários, além do acesso de pessoas a prédios, condomínios e estacionamentos.

“Para inovar e ter um diferencial, é necessário aplicar em tecnologia, em recursos humanos qualificados e maquinário”, frisa o empresário. De acordo com ele, o aporte de capital foi decisivo para manter a competitividade da empresa. “Crescemos 156% depois de concretizarmos esses investimentos, nos últimos cinco anos”. Para Dimas de Melo Pimenta, além de encontrar meios que permitam às empresas continuar crescendo, é papel dos executivos divulgar as ações políticas desastrosas que vão contra o crescimento econômico do País. “Esta atitude é uma forma de oferecer à sociedade elementos que garantam uma votação mais consciente, em políticos que possam administrar melhor”, pondera.

Segundo ele, a Dimep é líder no setor de relógios e controles de acesso no Brasil e em Portugal. Detém 65% do mercado brasileiro. A empresa, que está na área há 70 anos, possui filiais e concessionárias, com estrutura de venda e assistência técnica, em todas as capitais e grandes cidades. É certificada pela ISO 9001 e exporta para diversos países da América, Europa, África e Ásia.

Pesquisa

O Brasil subiu uma posição no ranking do Índice de Competitividade das Nações de 2004, divulgado em 4 de setembro pela Fiesp, ficando em 38º lugar. Embora o País tenha apresentado um crescimento de 15% em relação ao índice anterior, ainda ficou abaixo da média de 27% do conjunto de países incluídos no estudo. Numa simulação para 2005, realizada com 70% dos dados já disponíveis, o Brasil manteria o 38º lugar. A pesquisa contempla 43 países, responsáveis por 95% do PIB mundial. A valorização da taxa do câmbio, a alta carga tributária e os juros elevados foram os protagonistas da baixa posição brasileira.

Os cinco primeiros países no Ranking foram os Estados Unidos, Japão, Suécia, Noruega e Cingapura. O Brasil recebeu nota 21,6, que, pelo Índice, está no rol dos países com baixa competitividade. O País só fica à frente das Filipinas (16,1), Colômbia (15,0), Turquia (14,4), Índia (11,5) e Indonésia, na lanterna com nota 7,6. O Brasil somente conseguiu subir um degrau no ranking devido a um incremento no comércio internacional, que vem crescendo nos últimos anos.

Dentre os fatores que contribuíram para esse novo cenário, está a diminuição dos spreads bancários, o leve aumento da produtividade na indústria e na agricultura e os investimentos. Estes, no entanto, ainda estão aquém da média dos países selecionados. Embora os spreads e os juros venham caindo, seu valor ainda é superior em relação às nações analisadas. Os juros para empréstimos de curto prazo, em 2004, oscilaram em torno de 54,7%, ante 6,3% dos países que integram o Índice. Mesmo no bloco das nações menos competitivas, do qual o Brasil faz parte, essa média oscilou em 11,3% ao ano.


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