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Emprego
industrial faz a festa no Interior
* Gustavo Ponce de Leon
O modelo de crescimento
econômico brasileiro seguiu a receita de
primeiro fazer crescer o bolo para depois dividir.
Deixando de lado as inúmeras conseqüências
danosas, interessa aqui falar de apenas uma delas:
a concentração do emprego industrial
nas grandes áreas urbanas, principalmente
nas capitais.
Tempos atrás, restava ao
jovem que investia numa formação
superior ou num curso técnico colocar o
canudo embaixo braço e bater perna atrás
de uma boa colocação em cidades
como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre,
Recife ou Belo Horizonte.
A crise econômica dos anos
80 começou a mudar o cenário. Em
busca de custos menores, muitas empresas fizeram
as malas de olho nas cidades do interior. Uma
nova onda veio fortalecer essa tendência
nos anos 90, com a germinação do
que viria a ser a explosão do agronegócio.
Resultado: o emprego industrial
consolidou neste século XXI a tendência
de migrar para o Interior do país, conforme
o estudo Geração do Emprego Industrial
nas Capitais e no Interior, divulgado em 2006
pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(SENAI).
Nos últimos cinco anos,
a indústria só ficou atrás
da agropecuária no ranking da criação
de postos de trabalho longe das capitais. A cada
grupo de quatro empregos abertos pelo setor no
período, apenas um surgiu nas capitais.
Do total de 1,057 milhão de vagas criadas
pela indústria, 75,99% foram oferecidas
em municípios distantes das principais
regiões metropolitanas. No comércio,
essa proporção foi de 57,8% e, nos
serviços, de 44,2%.
Entre os principais pólos
de emprego industrial se destacaram Campinas,
São José dos Campos, Franca, Joinville,
Blumenau, Caxias do Sul e Divinópolis.
O estudo mostra que o deslocamento do emprego
industrial para o interior se intensificou a partir
de 2000. Do estoque de 6,06 milhões de
postos de trabalho existentes no setor em 1999,
55,98% estavam fora das capitais.
"Os principais fatores que
influenciam o crescimento do emprego industrial
no interior são as vantagens fiscais oferecidas
pelos municípios para instalação
de novas empresas e o baixo custo da mão-de-obra",
disse em entrevista à Agência da
Confederação Nacional da Indústria
(CNI) o coordenador do estudo, João Luiz
Saboia, que é diretor do Instituto de Economia
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Baseada em dados do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação
Anual de Informações Sócias
(Rais), do Ministério do Trabalho, a pesquisa
revela que atividades tradicionais, como as de
minerais não-metálicos, madeira
e mobiliário, têxtil e vestuário,
calçados, alimentos e bebidas foram as
que mais criaram empregos no interior.
Mais de 80% das vagas abertas
nesses segmentos nos últimos cinco anos
surgiram em empresas localizadas fora dos grandes
centros. Mas mesmo em setores modernos, como o
de material de transporte, a geração
de emprego nas capitais não chegou a 40%
do total, informa a pesquisa.
Ainda que o caminho para o interior
atraia, ele ainda está limitado às
regiões mais ricas do país e às
áreas de influência das capitais.
O estudo informa que 11 capitais se destacam entre
as 50 microrregiões responsáveis
pela criação de 60% dos empregos
industriais desde 2000. Dessas microrregiões,
39 estão localizadas no Sul e no Sudeste.
Na outra ponta, as 50 microrregiões
que mais eliminaram empregos industriais estão
concentradas em regiões menos desenvolvidas
do país. Dessas, 22 ficam no Nordeste,
sete no Centro-Oeste e três no Norte. Apenas
18 estão localizadas no Sul ou no Sudeste.
"A criação de empregos continua
concentrada nas áreas mais desenvolvidas
do Sul e do Sudeste, com destaque para o estado
de São Paulo", explicou Saboia.
De acordo com a pesquisa, a microrregião
que mais criou empregos industriais no país
foi Porto Alegre. Com uma indústria diversificada,
a capital gaúcha abriu 48.496 empregos
industriais entre 2000 e 2004, principalmente
nos segmentos de metalurgia, mecânica, calçados,
borracha, fumo e couros.
Em seguida, vem São Paulo,
com a criação de 35.801 postos de
trabalho industriais. Campinas aparece como a
terceira microrregião que mais ofereceu
empregos. Nos últimos cinco anos, a indústria
dessa região contratou 35.633 trabalhadores,
especialmente nos setores de metalurgia, material
de transporte, química, produtos farmacêuticos,
têxtil e vestuário.
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