| Como
resolver conflitos no mundo das franquias
Uma rede, como o próprio
nome diz, envolve necessariamente o relacionamento
de muitas pessoas nas mais diferentes dimensões.
É só parar um segundo para imaginar
a operação de negócios desse
tipo que ficam claros os elos da cadeia: empregador,
empregados, franqueador, franqueados, clientes,
fornecedores, parceiros e empresas terceirizadas,
dentre outros.
Só que quando se fala em
gestão de pessoas é fácil
observar conflitos de relacionamento. “Isso
acontece porque as pessoas não são
gerenciáveis e previsíveis como
máquinas”, afirma Melitha Novoa Prado,
consultora jurídica especializada em redes
de negócios.
A consultora, baseando-se em sua
experiência de mais de dez anos orientando
o relacionamento de redes, conta que os conflitos
mais comuns gerados pela falta de habilidade no
relacionamento das partes são a ausência
de conformidade às regras e padrões;
a omissão de informações;
a ausência de diálogo; a ausência
do franqueado na operação da franquia;
a desmotivação das equipes e a baixa
rentabilidade.
Melitha acredita que todo o relacionamento
comercial busca reconhecimento, satisfação,
reciprocidade, comprometimento, credibilidade,
fidelização e evolução.
Quando um destes quesitos é ignorado ou
mal trabalhado, surgem os problemas. “Então,
as partes começam a ver defeitos em tudo,
a satisfação cai, a estima pelo
negócio é abalada e os lucros ficam
comprometidos. Ou seja, um problema de relacionamento
afeta até a capacidade financeira do negócio”,
alerta.
Problemas enfrentados pelas redes,
quando não são discutidos ou resolvidos
rapidamente, são capazes de somar estragos
e danos irreparáveis e até quebras
de contrato. “Tudo costuma começar
na deficiência de comunicação
e na falta de diálogo”, diz Melitha.
Caminhos
A consultora aponta caminhos importantes
para evitar conflitos numa rede: consultoria jurídica
preventiva e gestão participativa. “A
consultoria pode prevenir problemas e identificar
oportunidades e ameaças para o negócio
em todas as relações que mantém”,
resume Melitha. “Por meio de uma relação
estreita com o cliente, analisamos freqüentemente
os riscos que ela corre em todos os elos da cadeia”.
A consultoria jurídica
preventiva tem ainda um papel importante para
as redes: analisar parcerias comerciais e propor
a melhor forma de relação jurídica
entre as partes. De acordo com Melitha, a base
desse trabalho é analisar a situação
de fato, averiguar os riscos existentes e a legislação
em vigor de cada segmento, para aí sim
desenhar uma estrutura jurídica adequada.
Sobre gestão participativa,
Melitha analisa: “A comunicação
é um instrumento importantíssimo
para que as partes não se sintam prejudicadas.
Os franqueadores, licenciadores ou proprietários
de marcas devem saber ouvir e justificar suas
falas. Estar perto de seus franqueados, licenciados,
representantes comerciais ou quaisquer parceiros
comerciais, acompanhando suas performances, os
fará evoluir através das próprias
ferramentas disponíveis na rede”,
ensina.
Este sistema – no qual todos
têm voz e sabem ouvir o outro lado –
é uma das mais eficientes ferramentas para
evitar e administrar problemas. “Estamos
falando de uma cadeia de pessoas. Desde o proprietário
da marca e sua equipe até o canal de distribuição
e sua equipe, além do consumidor final.
É só gente o tempo todo. Todos devem
estar saudavelmente se relacionando. Administrar
sentimentos negativos e incentivar os sentimentos
positivos faz parte do processo”, completa
a consultora.
Quando já existe o conflito
- Melitha acredita na solução por
métodos não-adversariais. “Sempre
que possível, é melhor optar pelas
ferramentas de negociação e facilitação
ou, ainda, em última instância, pelas
câmaras de mediação e arbitragem.
De forma mais rápida, menos burocrática
e mais eficiente que a Justiça Comum, esses
órgãos já possuem profissionais
capazes de ajudar na solução de
conflitos, mantendo a parceria comercial, que
é o mais relevante na situação”.
Mediação é
um processo de investigação dos
interesses entre as partes a fim de indicar caminhos
para a solução do conflito. O mediador
faz com que as partes se entendam e decidam qual
a melhor solução para o conflito.
Arbitragem é um procedimento
privado onde o árbitro ouve as partes,
dissipa o conflito e sua decisão tem o
valor de sentença judicial, não
podendo ser contestada na Justiça Comum
O mais interessante na Arbitragem,
é que um procedimento arbitral não
necessariamente põe fim a uma relação
jurídica. Ao contrário: apesar de
discutida e decidida a questão por um terceiro,
o árbitro, a relação jurídica
pode continuar, proporcionando até uma
maior maturidade à relação.
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