Pesquisas

Vendas globais de veículos devem estabilizar

As compras de veículos na China, Índia e América Latina continuarão em ritmo acelerado durante 2007. Entretanto, após cinco anos consecutivos de recordes de vendas, espera-se que os volumes globais permaneçam estáveis, à medida que a desaceleração do crescimento econômico reduza as vendas nos mercados maduros dos Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental e Japão, de acordo com o mais recente Relatório Global sobre Automóveis (Global Auto Report) divulgado pela Scotia Economics.

"A China tornou-se o terceiro maior mercado de carros do mundo em 2006 e continuará como 'líder em crescimento' durante 2007", declarou Carlos Gomes, especialista no setor de automóveis do Scotiabank. "As vendas de carros na China dispararam quase 40% por cento em 2006, atingindo 4,1 milhões de unidades e superando as vendas de 3,4 milhões na Alemanha. A maioria do crescimento se concentra em carros de passeio de porte médio e pequeno, que representam agora dois terços das vendas totais de carros na China, o dobro da sua participação ao final do milênio".

"A China deve se tornar o segundo maior mercado de carros do mundo (após os Estados Unidos) antes do final da década, enquanto a pequena penetração de veículos, o crescimento dos rendimentos, uma maior disponibilidade de crédito e uma queda nos preços dos carros levantem o nível de vendas superando o do Japão", acrescentou Gomes. "Apesar dos crescimentos rápidos de vendas, a penetração de veículos no mercado da China continua sendo de somente 24 para cada 1.000 habitantes, em comparação com 749 nos mercados maduros do grupo G7".

Embora as marcas estrangeiras, como o General Motors e a Volkswagen, respondam por 75% do mercado de carros na China, os fabricantes nacionais de carros chineses (Geely, Chery e outros) estão conquistando uma participação significativa no mercado. A maioria das suas ofertas corresponde a modelos de pequeno e médio porte que apresentam ganhos anuais de vendas superiores a 50% ao ano. Com os compradores de seus primeiros carros representando mais de 80 por cento de todas as compras de carros na China e uma continuação do crescimento do rendimento per capita em um ritmo de dois dígitos, esperamos crescimentos de vendas superiores a 15% ao ano até o final da década.

O alvo dos fabricantes de carros chineses não é exclusivamente o mercado doméstico. A China tornou-se, em termos líquidos, uma exportadora de veículos em 2005, com a exportação por fabricantes de carros baratos como a Chery para cerca de 30 países, a maioria na África, Sudeste Asiático e Oriente Médio. Apesar do fracasso recente de um negócio de exportação de veículos para a América do Norte, a China já vende alguns modelos para a Europa Ocidental. Além disso, um fabricante de carros chinês assinou recentemente um contrato para exportação de 158.000 veículos para a Europa durante os próximos cinco anos. Uma autoridade governamental indicou recentemente que a China pretende aumentar as suas exportações de veículos e autopeças para dez por cento do total global ao longo dos próximos dez anos.

"A Índia continua também como um dos mercados de automóveis mais dinâmicos do mundo, com um crescimento de vendas de quase 20% em 2006", diz Gomes. "Com somente 1% da população possuindo um veículo, espera-se que as vendas anuais na Índia aumentem para dois milhões de unidades até o final da década".

Um fabricante de carros local, Maruti Udyog, domina o mercado da Índia, abrangendo mais da metade das vendas totais de carros. Entretanto, fabricantes estrangeiros como a General Motors, Suzuki e Hyundai pretendem investir mais de US$ 5 bilhões na Índia até 2012. Além disso, segundo o seu 'Plano da Missão Automotiva', recentemente anunciado, a Índia pretende multiplicar por quatro a produção e venda de veículos durante a próxima década.

As vendas de veículos na América Latina continuarão a apresentar um crescimento firme em 2007, impulsionado por um crescimento econômico superior a 4% pelo quarto ano consecutivo. O Brasil e o México são os maiores mercados de automóveis na América Latina, mas o Peru é o mercado de crescimento mais rápido da região. Durante os três primeiros trimestres de 2006, as vendas de veículos no Peru dispararam com um crescimento de 41%.

Há previsão de um crescimento adicional de dois dígitos em 2007, acompanhando um avanço da atividade econômica em um ritmo de quase 6%. O Peru tem um dos índices mais baixos de propriedade de veículos na região com apenas 24 veículos para cada 1.000 habitantes, um quinto da média de toda a América Latina e o Caribe.

Queda nos EUA

"Os volumes de vendas devem ser mais fracos nos Estados Unidos e outros mercados maduros durante 2007. Houve uma redução de 3% nas vendas de veículos para passageiros nos EUA que caíram para 16,5 milhões de unidades em 2006, sob a pressão dos preços elevados para a gasolina e uma desaceleração do crescimento econômico. Esperamos uma redução das vendas em 2007 para um valor inferior a 16 milhões de unidades pela primeira vez desde 1998", diz Gomes.

Apesar de alguns sinais recentes de estabilização do mercado imobiliário dos Estados Unidos, os preços das casas provavelmente cairão ainda mais em 2007, reduzindo o nível de confiança do consumidor e o poder de compra. Os domicílios americanos utilizaram quase um trilhão de dólares com base no valor dos seus patrimônios imobiliários desde 2001, empregando muitos destes saques de recursos no financiamento de compras de bens de consumo, inclusive carros novos e caminhões leves.

O número de domicílios nos Estados Unidos que pretende comprar um veículo nos próximos seis meses caiu recentemente para o nível mais baixo registrado desde 1970. Os preços de carros usados, um indicador importante de demanda de veículos novos, também estão sob pressão, caindo neste final de 2006 para valores inferiores aos de um ano atrás pela primeira vez desde dezembro de 2003.

Enquanto isso, no Canadá, há uma previsão de queda de vendas de carros e caminhões leves para 1,54 milhão de unidades em 2007, em relação ao valor de 1,61 milhão em 2006. Haverá uma queda nos volumes à medida que a desaceleração do crescimento nos EUA reduza a atividade no centro e leste do Canadá. O crescimento do nível de emprego em Ontário atenuou recentemente, caindo para menos de 1% em termos anuais, em comparação com quase 2% no final de 2005. Por outro lado, o crescimento do nível de emprego está explodindo em Alberta, aumentado 6 por cento em termos anuais, provavelmente impulsionando as vendas em 2007 para atingir um novo recorde e aumentando os volumes totais de vendas no oeste do Canadá.

Na Europa Ocidental, o mercado de carros de passageiros apresentou um crescimento mínimo em 2006, pois os preços elevados da gasolina reduziram o crescimento econômico e o nível de confiança dos consumidores. Esperamos compras de veículos mais fracas em 2007, com a queda do crescimento do PIB real para menos de 2%, em relação ao valor aproximado de 2,5% para 2006. Estas perdas devem se concentrar mais na Alemanha, com uma diminuição das vendas em decorrência do aumento de três por cento no tributo sobre circulação de mercadorias (VAT), que passará a ser de 19% em 1º de janeiro de 2007.

Enquanto os fabricantes japoneses de carros anunciam grandes lucros no exterior, eles continuam a lutar em seu mercado doméstico. A venda de carros no Japão caiu 5% em 2006 e espera-se que fique em torno de 4,5 milhões de unidades em 2007, alinhada com a média da década passada, mas bem abaixo do auge de 5,1 milhões em 1990. Cerca de 20% da população está com pelo menos 65 anos de idade e a demanda por substituição é limitada. Em 1990, quando as vendas de carros no Japão atingiram seu pique, somente 12% da população encontravam-se na terceira idade, um nível equivalente ao perfil demográfico atual no Canadá e nos Estados Unidos.


Leia Também:

Loja de vestuário lidera em parcelamento com cheque

Em crise, empresa breca programa de qualidade de vida

Crédito mercantil bate crédito do sistema financeiro

CANAL EXECUTIVO lança serviço de pesquisa sob encomenda

Brasileiro pretende gastar mais neste Natal

Aportes em telecomunicações vão crescer

E-commerce brasileiro é o melhor da América Latina

Cresce o consumo de produtos piratas

Sentido religioso do Natal diminui a cada ano

Sobrepeso afeta metade dos industriários

Turista já trouxe mais dólares do que em 2005 inteiro

Confiança do paulistano sobe 1,9% em novembro

Vendas de imóveis em SP aumentaram 4,5% em setembro

Empresas falham em segurança de TI

Clique Aqui e Veja Mais Pesquisas
Leia Todas as Últimas Notícias