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Grande
indústria amplia investimento em quase
80%
Estudo elaborado pela Serasa,
com base nos demonstrativos contábeis de
cerca de 10.000 empresas de capital aberto e fechado,
mostra que desde 2003 até setembro de 2006,
as grandes indústrias ampliaram os investimentos
em ativos fixos destinados para aumentar a capacidade
produtiva e com isso incrementar o nível
de competitividade de seus produtos. Como se pode
ver pelo quadro abaixo, os aportes subiram quase
80%, como proporção do faturamento,
enquanto que nas pequenas e médias ficou
praticamente estável.

Fonte: Serasa // obs: dados não incluem
a Petrobras
Em 2003, a economia teve dois
momentos distintos: no primeiro semestre as taxas
de juros estavam elevadas e houve desaquecimento
do mercado interno, em razão da perda de
poder aquisitivo da população e
da alta taxa de desemprego. A partir de julho,
contudo, houve cortes consecutivos da taxa básica
de juros, aumento da concessão de financiamento
em alguns setores, crescimento da entrada de investimento
externo no país e estabilidade da taxa
de câmbio, fatores que contribuíram
para o aquecimento da atividade industrial ao
longo do segundo semestre. Neste período
os investimentos das grandes empresas representaram
4,3% do faturamento, contra 3,9% nas pequenas
empresas.
Em 2004, as exportações
foram responsáveis por grande parte do
crescimento da atividade industrial. Porém,
verificou-se, em maio, o início da recuperação
da demanda interna, sustentada em grande medida
pela melhora nas condições de crédito
ao consumidor. O aumento da massa salarial, motivado
pela expansão do nível de emprego,
também contribuiu para o desempenho do
mercado interno.
Os investimentos realizados neste
período representaram 4,9% nas grandes
empresas e 4,3% nas pequenas e médias empresas,
mostrando-se ligeiramente superior ao ano anterior,
sendo justificados pelo aumento da produção
dos setores de eletrodomésticos (linhas
branca e marrom) e de automóveis, camionetes
e utilitários, além do segmento
de bens de capital que foi favorecido pelo crescimento
das exportações e das vendas internas
para os setores de mineração, siderurgia,
alumínio, papel e celulose e agricultura.
Em 2005, a expansão do
crédito e das exportações
foram os fatores que beneficiaram os investimentos
em ativos das grandes indústrias.
Nas grandes indústrias,
aquelas com faturamento líquido anual maior
que R$ 50 milhões, o volume de investimentos
em ativos fixos, revelou crescimento contínuo
desde 2003 e foi equivalente a 7,6% do faturamento
até setembro de 2006, maior percentual
atingido no período do estudo. As cerca
de 1.700 grandes empresas da amostra fizeram investimento
de cerca de R$ 32 bilhões no imobilizado,
até setembro, sem considerar os valores
da Petrobrás, que investiu sozinha cerca
de R$ 11 bilhões no mesmo período.
O segmento de Papel e Celulose
se destacou no estudo com indicador de investimento
de 26,9% das vendas até setembro/2006.
Diante da demanda aquecida e da acirrada concorrência
interna e externa, destinou grande parte de seus
recursos à manutenção e ampliação
das plantas industriais, afim de consolidar-se
como player de destaque no mercado globalizado.
Outro destaque foi o segmento
siderúrgico que destinou o equivalente
a 12,7% das vendas para investimento. O segmento
foi beneficiado nos últimos anos pelos
consecutivos aumentos da demanda interna e externa,
com destaque para EUA e China, cujo aumento do
consumo e o fato de as usinas brasileiras estarem
operando próximo a sua capacidade plena,
levou as empresas a destinar investimentos para
expansão da produção.
O segmento Petroquímico
revelou investimentos da ordem de 8,2% do faturamento
líquido, destinados ao aumento da capacidade
do processamento de insumos; a programas de segurança
e meio ambiente bem como à manutenção
das plantas operacionais.
Como contraponto, o segmento têxtil
apresentou investimentos equivalentes a 1,9% do
faturamento, devendo-se ressaltar a grande concorrência
com os produtos asiáticos importados, que
prejudicaram o desempenho das empresas.
As pequenas e médias empresas,
aquelas com faturamento anual de até R$
50 milhões, apresentam investimentos equivalentes
a 4,1% do faturamento até setembro/2006,
bem inferior ao das grandes empresas. Dentre elas,
o segmento químico foi o que apresentou
maior nível de investimento com 6,0% das
vendas, enquanto o menor foi o de alimentos que
apresentou indicador de 2,6%.
Historicamente, a menor lucratividade
das pequenas e médias indústrias
aliado aos juros elevados, dificultam o acesso
ao crédito e inibem investimentos maiores.
Da amostra total, as pequenas e médias
empresas, que totalizaram cerca de 8.300 empresas
da amostra, investiram mais de R$ 2 bilhões
até setembro de 2006.
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