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Carreira e bem-estar são compatíveis
01-09-2007
Concentrar esforços
em determinado projeto, e revestir-se
de comprometimento, dedicação
e simplicidade: isso trará,
inevitavelmente, a alegria tão
necessária para uma vida saudável,
tanto profissional, quanto pessoal.
“Somente quando
conseguimos honrar os compromissos
na empresa, e também com nossa
família, é que podemos
nos considerar verdadeiramente felizes.
Imaginar em alcançar êxito,
separadamente, faltando uma dessas
partes, seria como ter uma felicidade
superficial, ou passageira”,
afirma Mirian Zacareli, diretora de
Recursos Humanos de um grupo norte-americano
de empresas de produtos químicos,
NCH, na qual atua há mais de
30 anos.
Quando fala em simplicidade,
a executiva refere-se à importância
de perceber os detalhes fundamentais
do cotidiano, dos quais, infelizmente,
poucos se dão conta. “Adquirir
o hábito de sorrir pode proporcionar
um ambiente agradável no trabalho.
Mas a pressão sobre os executivos
é tanta, que eles só
se concentram em cumprir prazos e
metas. Além do que, nunca estão
felizes com o que ganham no final
do mês. A essa característica
chamamos de ambição,
fator que vem contribuindo para o
aumento de estresse, ano após
ano”.
Mirian explica que
é preciso, sim, almejar o crescimento
profissional, crescer e prosperar,
mas na dose certa. “A ambição
sadia, aquela que não o deixa
ganancioso, funciona como uma grande
motivação. Se você
perguntar às pessoas quanto
elas gostariam de ganhar para se sentirem
felizes, provavelmente, todas responderão
algo entre 40% a 60% a mais do que
suas receitas atuais. Quanto mais
elevado é o salário,
a competição se torna
maior. E esse tipo de comportamento,
de sempre querer melhorar a sua satisfação
financeira, pode levar a um colapso
nervoso”, alerta a especialista
em gestão de pessoas.
Todos querem ter uma
história de sucesso e, à
busca desse “sonho”, dedicam
mais de 15 horas por dia. Contudo,
acabam não aproveitando o fruto
desse trabalho. As conquistas com
a nova posição e o aumento
de salário impulsionam-nos
a só querer mais e mais.
“O viciado em
trabalho, ou “workahoolic”
como é chamado, perde amigos
e ganha a distância da família.
O pior é que sem perceber,
podem também perder o “feeling”
deixando passar oportunidades importantes
pela cegueira ocasionada pelo “estresse”
das muitas horas de trabalho e dedicação,
tornando-se pouco criativos e com
habilidades minimizadas", diz
ela.
"Talvez a solução
esteja em um quadro de capital humano
mais horizontalizado, no qual as tarefas
sejam distribuídas com maior
coerência, aliviando a tensão.
Felicidade e bem-estar são
geradores de produtividade”,
lembra a diretora de RH.
O fato do indivíduo
atuar em um meio ambiente onde as
relações são
superficiais, e o estresse é
alto, contribui para tornar o trabalho
incompreensível e abrir dúvidas
sobre quanto é o bastante produzir
em nome de uma carreira promissora
e do reconhecimento.
“Em seu livro
sobre inteligência social, Daniel
Goleman cita um estudo realizado com
cem homens e mulheres que usaram dispositivos
que mediam a pressão arterial
sempre que interagiam com outras pessoas.
Quando estavam com a família
e os amigos, a pressão arterial
caía. Eram interações
agradáveis e tranqüilizantes.
Quando se deparavam com alguém
problemático, a pressão
se elevava", conta.
"O ideal seria
evitar esse tipo de convivência,
mas na prática isso não
é tão fácil,
principalmente se a relação
for entre chefes e subordinados que
sentem um misto de hostilidade, medo
e insegurança recíprocos.
Os insultos, que podem ser comuns
quando vindos de gerentes autoritários,
servem para reafirmar o poder e, ao
mesmo tempo, fazer com que os funcionários
se tornem impotentes e vulneráveis.
Essas interações explosivas
e, ao mesmo tempo, imprevisíveis,
exigem esforços maiores e vigilância”.
Mirian reforça
que não existe uma receita,
mas sim segredos, que cada um tem
que descobrir por conta própria,
para aprender a ter flexibilidade,
saber explorar oportunidades e lidar
com novas tecnologias.
“É necessário
reorganizar atividades do dia-a-dia
que tomam muito tempo, reconhecer
que é fundamental manter os
estudos, especializando-nos, tudo
isso sem esquecer que somos gente
e convivemos com gente. Buscar o equilíbrio
emocional, nos momentos mais difíceis,
manter a calma, ter paciência
quando o outro está alterado,
segurar o impulso, ter tempo para
atender todos os compromissos, são
atitudes que contribuem para que nos
sintamos felizes”.
Saber ouvir, segundo
a diretora, também “é
fundamental”. Encontrar pontos
positivos em situações
adversas é atitude nobre e
para os sábios. E também
acreditar nos sonhos, ser ousado,
entusiasta, persistente, corajoso,
inovador, permitindo-se o direito
de errar se estiver explorando um
campo desconhecido em busca de aperfeiçoamento.
“Atualize-se,
encante seu cliente com a excelência
de seus serviços, organize-se
e ajude as pessoas para que elas sempre
tenham esperança. Inclua sua
família na sua agenda. Viva
o presente. E faça as coisas
com paixão”, recomenda.
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