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Quem contrata call center prioriza
preço
04-09-2007
A indústria
de contact center já teve dias
melhores. É o que aponta o
estudo realizado pelo Grupo Padrão
em parceria com a E-Consulting. Engana-se,
porém, quem pensa que as cifras
sejam desanimadoras. O segmento já
se acostumou com a casa dos bilhões,
e crescer continua fazendo parte da
lista de objetivos a serem alcançados
pelos grandes players. O que ainda
barra o crescimento do setor é
a guerra de preços, que ainda
compromete a rentabilidade das companhias.
"O mercado de
contact center passa por um período
de transformação, em
que os dados estatísticos apontam
para a queda de faturamento por funcionário,
que passou de 3,5% positivos em 2005
para 4,8% negativos em 2006",
explica Daniel Domeneghetti, sócio-fundador
da E-Consulting e CEO da DOM Strategy
Partners. Isso torna quase que obrigatória
uma solidificação do
setor com um número menor de
empresas.
Assim como muitos
outros, o setor de relacionamento
com o cliente engloba empresas sérias
e oportunistas. "A expectativa
é que, com a falta de opções
"talibãs", o crescimento
volte a dar sinais concretos",
explica Roberto Meir, publisher do
Grupo Padrão e presidente da
Associação Brasileira
das Relações Empresa–Cliente
(Abrarec). Vale ressaltar que o momento
é de estabilidade, em que a
tendência de concentração
fará com que as empresas de
contact center busquem diferenciais
que sustentem qualidade de crescimento
e não a quantidade.
Meir afirma ainda,
que o setor busca a padronização
das melhores práticas. "O
mercado quer expelir as poucas companhias
que exercem práticas nada ortodoxas,
que acabam comprometendo a seriedade
e a imagem do segmento como um todo",
defende. Prova disso foi o surgimento
do Programa Brasileiro de Auto-Regulamentação
da Indústria de Relacionamento
(call center/contact center/help desk/SAC/
telemarketing), também conhecido
como Probare, que certifica as empresas
comprometidas com um trabalho sério
e ético.
Depois de atingir
altos índices de crescimento
nos últimos anos, o mercado
começa a mostrar que atinge
um nível de maturidade e parte
para uma evolução diferente
do que tem se visto até agora.
Assim, consolidação
torna-se a palavra que define o momento
do setor de contact center no Brasil.
Domeneghetti explica
que existem três movimentos
de consolidação do setor
e todos acontecem ao mesmo tempo em
território nacional. O primeiro
é no setor de telefonia, que
entra na era da convergência
e passa por uma redefinição
de identidade. Depois, vem a consolidação
vertical, na qual acontece a aquisição
das pequenas e médias por grandes
empresas, o que revela sinais de maturidade
e profissionalização
do mercado. O terceiro movimento é
o de consolidação lateral,
no qual empresas de tecnologia incorporam
contact centers, unindo-se para trabalhar
na terceirização de
processos de negócios (Business
Process Outsourcing – BPO).
Produtividade
e eficiência em queda
Os números
mostram que o setor cresce a cada
ano. Em 2005, as empresas de terceirização
dos serviços de contact center
faturaram pouco mais de 4,84 bilhões
de reais. Em 2006, a cifra passou
de 5,52 bilhões de reais, apresentando
um crescimento na ordem de 11,7%.
A estimativa é que o faturamento
de 2007 cresça em cerca de
8,6%.
De 2004 para 2005
o faturamento por PA (Posição
de Atendimento) cresceu 17%, caindo
2% em 2006. Em 2007, cresceu 3%, e
a previsão é que em
2008 o faturamento por PA cresça
4%. Domeneghetti explica que houve
uma inflação de demanda
do setor, que caminhou para um vale
de ruptura quando os números
caíram sofreram ajustes em
2006, logo depois da expansão
desenfreada da indústria em
2005. "Em 2009, o crescimento
deverá passar a inflação
e chegar a 6% ou 7% em relação
ao faturamento por PA, o que é
estável e padrão nas
indústrias consolidadas".
Produtividade e eficiência
apresentam queda expressiva para 2007,
cerca de 5%. "A produtividade
e a eficiência estão
caindo, mas devem se recuperar no
ano que vem", afirma Meir, que
conclui ser natural e bem-vindo o
movimento de consolidação
de empresas.
Segundo Domeneghetti,
este também é um momento
de substituição tecnológica.
A baixa produtividade é explicada
pelo aprendizado de novas tecnologias,
como Voz sobre IP, adoção
de discadores preditivos, URAs de
últimas gerações,
sistema de mobilidade, workforce management,
entre outros.
O volume movimentado
pelo mercado gira em torno dos R$
17 bilhões, sendo que R$ 6
bilhões derivam das terceirizadas.
Mesmo que o setor ainda não
tenha uma categoria específica
que a identifique nos dados do IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística) a movimentação
financeira é próxima
do setor de propaganda ou cosméticos.
Domeneghetti afirma
que no mercado internacional, sob
a ótica do acionista, o modelo
de oferta de valor agregado com linhas
de serviço que saem da normatização
de SAC, aumenta as margens de lucro
e, portanto, o valuation (avaliação
financeira da empresa com o objetivo
de se determinar o valor justo dos
ativos) da companhia.
"O atendimento
é levado para outras linhas
como vendas, cobrança, retenção.
Aquilo que sai do padrão de
SAC, somado à agregação
de outros modelos de oferta como TI,
suporte, integração
etc., tem sido o modelo de negócio
mais premiado", finaliza. O mercado
nacional segue essa tendência.
Acompanhe a evolução
do setor de contact center:
| |
2004 |
2005 |
2006 |
2007
* |
2008
* |
| PAs
terceirizadas |
79
mil |
94
mil |
105
mil |
114
mil |
121,5
mil |
| Funcionários
terceirizados |
189
mil |
211
mil |
2352
mil |
274
mil |
292
mil |
| Faturamento
por PA terceirizada |
44,06
mil |
51,53
mil |
52,61
mil |
54,27
mil |
56,52
mil |
| PAs
Total |
232
mil |
269
mil |
292
mil |
317
mil |
328
mil |
| Volume
de movimentação
terceirizado |
3,48
bilhões |
4,84
bilhões |
5,52
bilhões |
6,19
bilhões |
6,90
bilhões |
| Volume
de movimentação
do setor (total) |
10,23
bilhões |
13,83
bilhões |
15,34
bilhões |
17,18
bilhões |
19,62
bilhões |
*Projeções
da E-Consulting // Valores em R$
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