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Cochilos ajudam quem trabalha à noite
04-05-2007
Pesquisa realizada na Faculdade
de Saúde Pública (FSP) da
USP com profissionais de enfermagem mostra
que dormir durante curtos períodos
em jornadas de trabalho noturno é
uma prática eficiente para manter
o nível de alerta do trabalhador.
O estudo, realizado pelo biólogo
Flávio Notarnicola da Silva Borges,
verificou o índice de capacidade
de trabalho, os ciclos de vigília
e sono e os ritmos biológicos dos
enfermeiros.
Na primeira etapa da pesquisa,
foram aplicados questionários em
696 enfermeiros de um hospital da cidade
de São Paulo. "As questões
serviram para apontar as variáveis
sócio-demográficas, de saúde
e ligadas ao ambiente de trabalho que comprometiam
a capacidade para o trabalho", afirma
Borges. "Na parte sócio-demográfica,
ter mais de um emprego, filhos e ser o único
responsável pela renda familiar geravam
perda de capacidade".
Segundo o pesquisador a
idade também influenciou a capacidade
de trabalho. “Enfermeiros que passaram
dos 40 anos e continuam a trabalhar em turnos
possuem melhor tolerância”,
explica, “enquanto profissionais que
apresentavam perda de capacidade antes dessa
faixa etária não fazem mais
parte do corpo de trabalhadores”.
O estudo aponta que dentro
do ambiente de trabalho, o conforto térmico
e o abuso verbal também influenciam
na aptidão dos enfermeiros. "O
abuso é mais sentido quando o profissional
foi maltratado verbalmente mais de duas
vezes no último ano", conta
Borges. "No aspecto da saúde,
obesidade, problemas de sono e sensação
de fadiga influenciam a capacidade de trabalho".
Alerta
Na segunda etapa do estudo,
foram avaliados os ritmos biológicos
de dois hormônios, a melatonina (ligada
ao sono) e o cortisol (relacionado a resposta
ao estresse), através de suas concentrações
na urina e também o ciclo vigília-sono,
assim como os níveis de alerta de
20 voluntários. "Para o ciclo
de vigília-sono, foi um usado um
actímetro, aparelho usado para medir
os níveis de atividade, combinado
a escalas onde os trabalhadores avaliavam
a qualidade do sono e os períodos
de alerta", diz o pesquisador.
Borges relata que os trabalhadores
noturnos que podiam dormir durante a jornada,
apesar de terem um sono mais curto e de
menor qualidade, mantinham o nível
de alerta no trabalho até o final
da madrugada, apresentando menor sonolência
do que aqueles que não dormiram.
"A produção de melatonina
é menor do que os trabalhadores diurnos,
o que pode acontecer devido a maior exposição
noturna à luz", diz. "Ao
mesmo tempo, o menor nível de cortisol
pode ser um indício de fadiga".
Segundo a pesquisa, a qualidade
do sono também varia conforme a tolerância
ao trabalho em turnos. "Os profissionais
que toleram mais o trabalho noturno tem
um sono com melhor qualidade referida, e
não apresentam diferenças
na produção de melatonina
nos períodos de trabalho e de folga",
afirma o biólogo. "Os que suportam
menos os turnos eram significativamente
mais sonolentos".
Borges ressalta que a prática
de pequenos períodos de sono durante
o trabalho noturno é pouco adotada
no Brasil, e quase sempre é feita
de modo informal. "Não se deve
generalizar as necessidades de repouso,
pois há grande variabilidade individual”,
alerta. “Deve-se levar em conta também
a vida fora do trabalho e a palavra do próprio
trabalhador". (Júlio
Bernardes - Agência USP de Notícias)
Mais informações: (0xx11)
5041-6970 / 8354-0024, com Flávio
Notarnicola da Silva Borges. Pesquisa orientada
pela professora Frida Marina Fischer
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