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Investment grade pode agravar apagão
de talentos
05-09-2007
Antonio Carlos
A conquista pelo Brasil
da posição de investment
grade pode agravar a falta de executivos
e de talentos, problema que já
aflige alguns setores da economia.
O quadro - batizado de apagão
de talentos pela DBM, consultoria
em gestão do capital humano
- vale, especialmente, para companhias
que atuam em setores como os de investimento,
private equity, agronegócios,
fusões e aquisições,
além das áreas de marketing
e vendas.
Segundo dados da consultoria,
hoje tais segmentos já demandam
mais executivos e talentos do que
efetivamente conseguem localizar e
contratar no mercado local. Como resposta,
algumas empresas, nacionais e múltis,
estão repatriando profissionais
que foram enviados para subsidiárias
em outros países. Outras, iniciaram
programas de formação
de talentos para enfrentar o novo
cenário da economia.
"Apenas no primeiro
semestre deste ano, o volume de novos
postos de trabalho para executivos
se ampliou em 40%. Em julho e agosto,
a demanda por profissionais para atuar
do nível de média gerência
a presidente seguiu em crescimento",
diz Marcelo Cardoso, presidente da
DBM. "Caso o Brasil conquiste
a posição de investment
grade, a demanda será maior
ainda."
Análise realizada
pela consultoria conclui que outros
setores poderão ser afetadas
no futuro pela escassez de mão-de-obra,
caso a boa fase da economia se prolongue.
Entram nesta lista empresas do mercado
imobiliário e companhias atuantes
nos mercados de produtos voltados
às classes C e D, além
de bancos e empresas relacionadas
a project finance, educação
e crédito.
Outro ponto identificado
no estudo é a possível
incapacidade dos centros de ensino
brasileiros de formar profissionais
gabaritados para o novo contexto econômico.
Isso geraria uma ultra-competição
por talentos, aumentando as compensações
oferecidas aos indivíduos que
apresentem as competências essenciais
para o novo momento da economia brasileira,
e até mesmo a busca por executivos
expatriados.
Na opinião
de Cardoso, para fazer frente a esse
cenário, as companhias brasileiras
precisam se preparar para reter talentos
e criar outros atrativos, além
dos financeiros, que mantenham os
colaboradores alinhados com o crescimento
da empresa.
A carência de
profissionais não acontece
só aqui. O prolongado período
de crescimento mundial, tido como
o maior da história, tem espalhado
o problema pelos quatros cantos do
mundo.
"Antes, os melhores
executivos eram disputados, basicamente,
por empresas americanas, européias
e japonesas. Agora, isso mudou e eles
passam a ser caçados por empresas
de todos os continentes", diz
Cardoso.
Segundo dados do IMD
(International Institute for Management
Development), existem no mundo cerca
de 33 milhões de executivos.
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