Mercado de escritórios de alto padrão segue aquecido

Em 2006, o mercado de escritórios de alto padrão (classes AA e A) cresceu 11% em São Paulo e 10% no Rio de Janeiro, segundo dados que a consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle.

É o terceiro período consecutivo de bons resultados para o segmento, que registrou alta de 8% e 9% nas capitais paulista e fluminense, respectivamente, em 2005.

De acordo com a consultoria, os indicadores de crescimento do ano passado devem ser atribuídos, sobretudo, à estabilidade da economia brasileira, ao cenário político-eleitoral e ao baixo volume de lançamentos de novos empreendimentos.

“Tivemos um processo político-eleitoral sem surpresas e os indicadores econômicos também permaneceram estáveis, o que manteve o mercado de escritórios em rota de recuperação pelo terceiro ano seguido”, resume Lílian Feng, executiva da área de consultoria, avaliação e pesquisa da Jones Lang LaSalle.

São Paulo

Na cidade de São Paulo, a absorção líquida cresceu 61% no ano passado, com a marca de 205 mil m² ocupados, ante 125 mil m² de 2005.

Trata-se do segundo melhor indicador de desempenho do segmento registrado no histórico de dez anos de medições da Jones Lang LaSalle. A melhor taxa de absorção líquida foi verificada no ano de 2002: 221 mil m².

“Desde 2004, quando o mercado retomou o crescimento após um período de declínio, os índices de melhora são crescentes e permitem novas projeções otimistas em São Paulo”, afirma Lílian Feng.

A redução da taxa de vacância na cidade de SP também foi representativa: caiu para 13,32%%, contra 21,07% em 2005 – redução de 63,2%.

O melhor desempenho de ocupação na capital paulista ocorreu nas regiões das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Berrini e no bairro de Vila Olímpia.

O destaque, contudo, fica para a área da Faria Lima, na qual a queda da taxa de vacância não apenas chegou a 11% como respondeu por 29% de toda a absorção líquida registrada na cidade.

Segundo Lílian, os resultados animadores da capital paulista ainda podem ser atribuídos ao volume reduzido de novos empreendimentos entregues.

Havia, de acordo com a executiva, a expectativa de que cerca de 90 mil m² fossem entregues em SP em 2006 – mas este número ficou na casa dos 50 mil m². Apesar dessa diferença, o índice medido para novo estoque de imóveis cresceu 2% em comparação ao ano de 2005.

A projeção da Jones Lang LaSalle para o comportamento do mercado de escritórios de alto padrão este ano em SP é igualmente positiva. A consultoria acredita, por exemplo, que a taxa de vacância chegará a 10%, mesmo que outros 135 mil ² em imóveis (novo estoque) devam ser entregues pelos empreendedores.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a taxa de vacância medida pela Jones Lang LaSalle teve desempenho relevante, semelhante ao da capital paulista – foi de 5,29%, a terceira melhor marca histórica atrás apenas das de 2001 (4,47%) e 2000 (5,11%).

Recorde histórico também na medição da absorção líquida: 66,5 mil m², contra 54,5 m² do ano passado - salto de 22%.

Os especialistas da Jones Lang LaSalle salientam, no entanto, que esse indicador deve ser atribuído à entrega recente, com absorção imediata, de um novo empreendimento construído em regime build-to-suit na Barra da Tijuca.

Para Lílian Feng, o mercado carioca, apesar do bom desempenho registrado nos últimos três anos, sofre com o impacto da falta de terrenos incorporáveis para a construção de escritórios de alto padrão.

No Rio, segundo Lílian, a taxa de vacância deverá sofrer nova queda em 2007 e atingir patamar inferior a 4% do total do estoque, mesmo com a entrega de três novos empreendimentos equivalentes a 33,5 mil m².

“Há um nítido desequilíbrio entre a oferta e a demanda no Rio, que pode se tornar ainda mais representativo nos próximos períodos, pois é evidente a limitação de espaços adequados para a expansão do mercado. Por enquanto, a alternativa dos empreendedores cariocas para atender ao mercado de alto padrão tem sido o ‘retrofit’, ou seja, a execução de reformas estruturais nos empreendimentos, de maneira a adequá-los aos critérios de avaliação superior”, conclui Lilian.

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