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Especialista explica importãncia do café
da manhã
Levantar cedo e geralmente atrasado
são as explicações mais usadas
para que as pessoas deixem de fazer o desjejum.
“Qualquer que seja o motivo alegado, essa
omissão pode influenciar negativamente
o nosso metabolismo durante o dia, pois após
um jejum prolongado - englobando a noite e a manhã
- nosso corpo traduz essa situação
como escassez de alimentos e reage reduzindo a
queima calórica”, informa a endocrinologista
e nutróloga Ellen Simone Paiva, diretora-clínica
do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.
“Logo, podemos concluir
que não comer pela manhã pode dificultar
não somente a nutrição, mas
também a manutenção do peso,
além de não ser uma boa estratégia
para emagrecer”, defende a médica.
O mecanismo da fome, acionado progressivamente
durante o dia, pode se tornar incontrolável
após longos períodos sem a ingestão
de alimentos. Isso explica como essa omissão
matutina desencadeia comportamentos alimentares
anormais ao longo do dia, culminando com grandes
ingestas no almoço e, principalmente noturnas,
que por sua vez, perpetuam o processo de falta
de apetite na manhã seguinte.
“Outro comportamento alimentar
anormal da pessoa que não toma o café
da manhã é o do beliscador, que
come pequenas porções de alimento
durante todo o dia e não tem fome para
fazer refeições bem definidas”,
observa Ellen Paiva. Estas pessoas acabam pulando
também o almoço e ingerindo várias
pequenas porções de alimentos durante
o dia, geralmente com grandes quantidades de carboidratos
e gorduras, comprometendo o peso e a nutrição.
“Nesses pacientes, a secreção
de insulina é irregular, ocorren toda vez
que ingerem pequenos beliscos, propiciando ainda
mais o ganho de peso, uma vez que esse hormônio
sempre tenta armazenar calorias em detrimento
da queima”, explica a endocrinologista.
Cardápio
matinal
Um bom café da manhã
deve conter proporções variadas
de pães - principalmente os integrais -
cereais matinais, geléia, margarina, requeijão
e cream cheese lights, queijo fresco, leite ou
iogurte desnatados, café, achocolatados,
frutas frescas e secas.
“A composição
do cardápio deve priorizar a escolha de
uma porção de carboidrato, evitando
o consumo de pães e cereais na mesma refeição,
procedendo assim com os demais nutrientes como
gorduras e proteínas”, explica a
nutróloga. No quesito gorduras, elas geralmente
vem incorporadas às proteínas de
origem animal, como leite e derivados e embutidos,
informa a especialista.
“Quando avaliamos uma refeição,
devemos observar seu valor em calorias e seus
nutrientes. O café da manhã deve
conter cerca 25% das calorias ingeridas no dia”,
afirma Ellen Paiva. Calorias são importantes
para todos, mesmo quando estamos com peso normal.
“Devemos lembrar que as gorduras são
os nutrientes mais calóricos, sendo que
1g de proteína ou carboidrato confere 4
calorias, ao passo que 1g de gordura agrega 9
calorias ao nosso cardápio”, exemplifica
a médica.
Os alimentos mais gordurosos,
que põem em risco o café da manhã,
são os queijos amarelos, os embutidos,
a manteiga, os biscoitos recheados e os bolos.
Não há a necessidade de bani-los
do cardápio, mas podemos optar pelas versões
lights e evitar os cookies, bolos e guloseimas.
“Muitos têm dificuldade
para comer pela manhã. Não sentem
fome alguma, ou o que é ainda pior, não
toleram a idéia de comer que ficam nauseados.
Muitas vezes, este comportamento traduz uma ingestão
excessiva de alimentos à noite, refletindo
na inapetência matinal. Se este for o caso,
a redução do volume de alimentos
à noite pode ajudar”, defende a endocrinologista.
Caso esse não seja o motivo
para não querer tomar o café da
manhã, a pessoa pode recorrer à
reeducação alimentar, tentando ingerir
pequenas porções de alimentos e
aumentando o consumo gradativamente, de acordo
com a sua tolerância. “Se esta pessoa
conseguir tomar o café da manhã
completo terá uma manhã muito mais
produtiva, com melhor capacidade de raciocínio
e de ânimo para vencer os embates do dia”,
diz a nutróloga.
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