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Maternidade já não significa
estagnação da carreira
11-05-2007
O impacto da maternidade
na carreira foi, durante vários anos,
objeto de apreensão de inúmeras
profissionais que associavam a gestação
com a estagnação do processo
de ascensão nas empresas. A análise
do ambiente corporativo, nos últimos
anos, mostra que a forma de as empresas
tratarem a questão mudou e, mesmo
preferindo retardar a maternidade, as profissionais
brasileiras podem lançar um novo
olhar sobre o desafio de ser mãe
e profissional.
Essas são algumas
das conclusões do estudo exclusivo
realizado pelo Great Place to Work, consultoria
especializada em ambiente de trabalho que
acompanha. Com base no know-how adquirido,
a empresa lançou, no final de 2006,
o estudo inédito “Dez anos
de gestão de pessoas nas Melhores
Empresas para Trabalhar”, um retrato
do mundo corporativo e sua evolução
na última década.
Um dos tópicos do
estudo analisa a presença feminina
no ambiente profissional, com informações
interessantes sobre as práticas das
Melhores Empresas relativas à ascensão
gradativa das mulheres. Segundo o presidente
do Great Place to Workâ no Brasil,
José Tolovi Jr., os gestores das
melhores empresas passaram a associar a
maternidade com o desenvolvimento de competências
valorizadas pelas organizações
como empatia, paciência, humanidade,
habilidade em trabalhar em equipe, capacidade
de delegar e negociar.
“As melhores empresas
reconhecem que a maternidade traz maturidade
à mulher e reforça a capacidade
de lidar com diferentes perfis de pessoas,
entre outras qualidades valorizadas pelos
gestores. As empresas mais produtivas e
lucrativas são as que cuidam dos
colaboradores — e as mães sabem
gerir com maestria esse cuidado”,
afirma Tolovi Jr.
O consultor ressalta que
uma das preocupações das Melhores
Empresas é com a retenção
de talentos, sobretudo de profissionais
que após anos de atuação
decidem se dedicar à maternidade.
“Para reter essa profissional e evitar
que concorrentes possam atrai-la, as empresas
oferecem diferenciais que vão além
de um horário flexível”,
afirma.
A Todeschini, por exemplo,
oferece projetos diferenciados como o Programa
Futura Mamãe, destinado a gestantes
e mães adotivas, que isenta do pagamento
de co-participação nas consultas
pré-natais e nos exames referentes
à gestação. Além
disso, há possibilidade de se ausentar
do trabalho por oito horas mensais para
ir a consultas e fazer exames. A empresa
distribui o livro Saúde da Gestante
e do Bebê, uma cartilha nutricional
e cestas com itens para a criança.
Na área da saúde, oferece
cobertura para vacinas infantis obrigatórias
e isenção de co-participação
no pagamento das consultas pediátricas
no primeiro ano do bebê. Após
a licença maternidade regular —
de quatro meses —, a funcionária
pode tirar uma nova licença, de um
período (ou período integral),
até que a criança tenha um
ano de idade.
Na Unimed Vales do Taquari
e Rio Pardo — indicada a Melhor Empresa
para a Mulher Trabalhar, em 2006 —
o período de amamentação,
que por lei é de seis meses, foi
prolongado para nove meses. Se a funcionária
não estiver amamentando, pode utilizar
esse período para acompanhar o desenvolvimento
do filho. Há reembolso-creche, benefício
oferecido até os oito anos de idade
da criança. Criado em 1996, o reembolso,
em dinheiro, pode ser utilizado, desde 2002,
para o pagamento da babá.
O horário diferenciado
também é um atrativo. Na Unimed,
as mães-funcionárias escolhem
a hora que vão trabalhar dentro do
período das 7 horas às 18
horas. A meta é permitir que as funcionárias
possam se dedicar à família
e conciliar os horários profissionais
com as atividades dos filhos. O Grupo de
Gestantes, que faz acompanhamento do casal
durante a gestação, pode ser
usado por esposas de funcionários,
clientes e pela comunidade. Um especialista
em enfermagem dá orientação
sobre os primeiros cuidados com o bebê,
em visitas domiciliares, após o nascimento.
Ascensão
Em 2004, as mulheres ocupavam
35% dos empregos das Melhores Empresas para
Trabalhar e, em 2006, passaram a ocupar
38% dos postos. Além de ocupar mais
vagas, elas aumentam a sua participação
em cargos de chefia. Em 2006, passaram à
marca de 31% contra os 20% de 2004. Segundo
avaliação da consultoria,
a ascensão das mulheres no mundo
empresarial tem contado com forte incentivo
das organizações, que reforçam
cada vez mais práticas de gestão
específicas para o universo feminino.
De outro lado, essa evolução
aumentou a sobrecarga de trabalho das mulheres
e o desequilíbrio entre a sua vida
pessoal e profissional – além
da jornada de trabalho há os compromissos
com a administração da casa
e com a educação dos filhos.
Mesmo assim, as mulheres se mostram dispostas
a abrir mão do equilíbrio
entre a vida pessoal e profissional em busca
de maior oportunidade de crescimento profissional.
Nesse ponto também, as empresas estão
reagindo, trazendo para dentro dos escritórios
serviços para facilitar o dia-a-dia
das profissionais, como salão de
beleza, apoio a gestantes e creches.
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