Prédios doentes afetam produtividade do pessoal

18-09-2007

Antonio Carlos

Falta de tempo, esquecimento ou desconhecimento sobre as conseqüências para a saúde são algumas das razões pelas quais muitos empresários não realizam a limpeza periódica dos aparelhos de ar-condicionado dos escritórios. Com isso, acabam comprometendo a eficiência do equipamento, que pode se tornar um grande proliferador de doenças no ambiente de trabalho.

O problema é sério e já merece há tempos a atenção da Organização Mundial de Saúde. No início da década de 80, a OMS cunhou o termo Síndrome dos prédios doentes para definir os problemas de saúde que afetam ocupantes de edifícios modernos, dotados de sistema de ar-condicionado central, iluminação artificial ou móveis inadequados, entre outros itens.

No Brasil, a questão também já despertou a atenção das autoridades. Uma das medidas foi a criação de uma regulamentação específica - portaria 3523 de 31/08/1998 – que estabelece normas e periodicidade para limpeza, manutenção, operação e controle dos sistemas de ar interior.

Entre as doenças decorrentes da sujeira instalada no ar-condicionado estão: sinusite, rinite, otite, amigdalite, faringite, bronquite, pneumonia, asma, gripes e resfriados. Doente, o funcionário perde em produtividade ou simplesmente falta ao trabalho, ampliando os prejuízos para a empresa.

"A manutenção freqüente do ar-condicionado é a melhor maneira de se evitar a contaminação do ar no ambiente de trabalho", diz o empresário Assis Francisco da Silva, da Air Shield. “As pessoas não fazem idéia da sujeira que se acumula no aparelho”.

Outros problemas

Além dos danos relacionados ao ar-condicionado sem a devida manutenção, quem passa a maior parte do dia no ambiente de trabalho pode adquirir hábitos pouco saudáveis que têm reflexos sobre a saúde. O pior é que muitos só se dão conta do problema quando adoecem. Daí, alertam os especialistas, a importância de se incorporar e manter bons hábitos.

Pessoas que utilizam o computador como instrumentos de trabalho, por exemplo, passando horas digitando em ambiente com iluminação precária, estão mais expostas aos problemas de visão. “Os mais freqüentes são dores de cabeça, irritação e vermelhidão na vista, sensações de ardor, tremor involuntário das pálpebras e o agravamento dos problemas de visão em geral”, diz Renato Neves, diretor do Eye Care Hospital de Olhos.

Outro problema comum envolve postura e mobiliário inadequado. O correto é que mesas e cadeiras sejam ajustáveis à altura do usuário, garantindo que sua coluna permaneça ereta (formando um ângulo de 90º) enquanto trabalha – evitando que “dobre” o corpo.

As mesas devem ter, ainda, espaço livre para permitir o movimento das pernas. O ideal é que as bordas sejam arredondadas, para evitar a compressão mecânica sobre os antebraços. Os braços da cadeira precisam ter apoio para os cotovelos, o encosto dever ser adequado e, novamente, altura ajustável.

"Devem completar essa lista os cuidados com a iluminação e a acústica", diz Donizetti Pontim, presidente da Intelligent Table, empresa especializada na produção de mobiliário corporativo.

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