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Real
forte reduziu rentabilidade da indústria
19-06-2007
Estudo da Serasa mostra
que o indicador de rentabilidade das empresas,
que mede a relação entre o
lucro e o faturamento, alcançou em
2006 a média de 5%, mantendo-se no
mesmo patamar quando comparado com os índices
de 4,6%, 5,1% e 5,3% obtidos em 2003, 2004
e 2005, respectivamente. O menor percentual
em 2006, na comparação com
os dois anos anteriores, foi puxado pela
indústria, que sofreu os impactos
da valorização cambial.

Margem de lucro % do Faturamento líquido
O estudo foi realizado com
uma amostra de 43.300 balanços contábeis,
dos quais 10.400 são da indústria,
18.800 do comércio e 14.100 do setor
de serviços. Os balanços foram
fechados pelas empresas em 31 de dezembro
de 2006 e divulgados no 1º quadrimestre
de 2007.
A rentabilidade das empresas
do setor industrial, após atingir
o maior nível em 2004 (7,0%), apresentou
recuo em 2005 (6,1%) e 2006 (5,5%) com a
valorização do real, que reduziu
a rentabilidade das exportações
de bens industriais. Em contraposição,
o efeito cambial foi positivo para aqueles
segmentos nos quais parte dos custos são
importados, bem como para as empresas com
dívidas em dólar, pois a cotação
em queda reduziu as dívidas em reais
gerando receita financeira e contribuindo
para a rentabilidade.
Os segmentos industriais
em destaque são o de Papel e Celulose,
beneficiado pela demanda externa aquecida,
pelos consecutivos aumentos nos preços
de exportação da celulose
e pelo incremento nas vendas internas e
no consumo próprio, e o Siderúrgico,
que mesmo com a pressão altista nos
custos, teve a rentabilidade favorecida
pela diminuição dos estoques
e pelo elevado patamar das cotações,
apesar da redução das cotações
do setor.
A rentabilidade média
de 5% das empresas em 2006 foi puxada pelo
setor de serviços, que atingiu o
patamar de 7% nos dois últimos anos
e é superior ao da indústria
e do comércio. As empresas que atuam
como prestadoras de serviços de utilidade
pública foram favorecidas pelas condições
de consumo e pelo nível de atividade
da economia doméstica.
O desempenho do setor de
saneamento básico foi impulsionado
pelo aumento do consumo de água e
da coleta de esgoto, pela expansão
do número de usuários e pela
alta dos investimentos. O crescimento do
uso da água e da geração
de esgotos foi estimulada pela ampliação
da base de clientes e pela expansão
da atividade da economia doméstica,
enquanto o aumento do número de ligações
e de usuários do sistema decorreu
dos investimentos na ampliação
das redes de distribuição,
abastecimento e captação de
água, bem como de coleta e tratamento
de esgotos. Tais fatores, associados ainda
aos reajustes das tarifas de água
e esgoto, contribuíram para compensar
as elevações dos custos dos
principais insumos utilizados pelas empresas
do segmento, e influenciaram a rentabilidade
das empresas de saneamento.
Segundo a Serasa, é
bom lembrar as ações tomadas
pelas companhias de saneamento para reduzir
as perdas de faturamento, como aquisição
de equipamentos dentro das especificações
técnicas, contratação
e treinamento de mão-de-obra especializada
para conserto de vazamentos, aperfeiçoamento
dos sistemas de medição, trocas
de hidrômetros e redução
das ligações clandestinas
via aumento da fiscalização.
No segmento de telefonia
fixa, observa-se que a partir de 2005, face
à tendência de estagnação
da taxa de penetração, e,
consequentemente, do número de novos
acessos, há diminuição
no tráfego de ligações
locais de longa distância, devido
à migração dos usuários
para a telefonia móvel e à
disseminação de novas tecnologias
como o VoIP. Como conseqüência,
muitas operadoras adotaram a estratégia
de ofertar serviços de valor adicionado.
Produtos como chamada em
espera, chamada em conferência, entre
outros, além de planos alternativos
para cobrança de assinatura básica
mensal, controle de pulsos utilizados e
tarifas especiais para o usuário
de acesso discado à internet, visam
evitar o aumento da inadimplência
e o cancelamento de linhas existentes e
atrair consumidores de menor poder aquisitivo,
garantindo, assim, a rentabilidade das operadoras
de telefonia fixa.
Cabe ressaltar ainda, conforme
a Serasa, que com a convergência das
redes serviços de "Triple Play"
– uma combinação de
telefonia fixa, televisão a cabo
e acesso à Internet por banda larga
a custo único oferecido pelas operadoras
em parceria com empresas de TV a cabo –
e IPTV (Rede IP que provê o usuário
com banda larga, telefonia VoIP e TV por
assinatura) significam, não apenas
diversificação de mercados
e novas fontes de receita, mas a garantia
da própria sobrevivência e
melhoria da lucratividade do setor.
No segmento de energia,
a apreciação do real frente
ao dólar ajudou a diminuir o custo
financeiro das empresas endividadas em moeda
estrangeira, o que conjugado ao aumento
do consumo total de energia elétrica
e a melhor gestão das empresas do
segmento, beneficiou a rentabilidade. A
manutenção das condições
que estimulam o nível de atividade
econômica, tais como a expansão
da massa salarial, a ampliação
do crédito e a recomposição
de estoques em importantes segmentos da
indústria, incentivou o consumo das
classes industrial, comercial e residencial.
Além disso, aumento da massa salarial
e do crédito foram propícios
à expansão das vendas de eletrodomésticos
e eletroeletrônicos (naturais consumidores
de energia elétrica) beneficiando,
sobretudo, o consumo da classe residencial.
A rentabilidade das empresas
do setor do comércio que, historicamente,
trabalha com margens mais comprimidas, também
apresentou mudança de patamar ao
longo dos anos. No período de 2001
a 2003, a média da margem de lucro
situou-se em torno de 1,2%, enquanto de
2004 até 2006, a margem líquida
atingiu média de 2,1%. Dentre os
principais motivos podem ser citados o ganho
de margem do setor supermercadista, devido
à venda de eletrônicos e eletrodomésticos
com lucratividade maior que os alimentos,
e a ampliação da margem das
concessionárias de veículos
na prestação de serviços,
além da maior atenção
à venda de carros usados.
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