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É possível se alimentar bem
num self-service
20-04-2007
Até o início
dos anos 80, eram raras as opções
para quem precisava almoçar fora
de casa. As alternativas restringiam-se
aos restaurantes com serviço à
la carte, lanchonetes ou pequenos estabelecimentos
comerciais que ofereciam o prato feito,
o popular "PF". Tais alternativas
deixavam a desejar pelo preço ou
pela demora no atendimento.
O cenário começou
a mudar com a instalação de
redes de fast-food e o surgimento dos restaurantes
self-service por quilo. "Esta última
opção permitiu ao consumidor
escolher entre vários pratos de saladas,
carnes e massas, pagando apenas pelo seu
consumo individual. Foi uma mudança
de comportamento que alterou a hora do almoço
nas grandes cidades", afirma a endocrinologista
Ellen Simone Paiva, diretora do Centro Integrado
de Terapia Nutricional, Citen.
Hoje, o ramo dos self-services
é bastante disputado. De acordo com
o Sebrae-SP, existiam, em 2005, cerca de
800 mil estabelecimentos deste tipo no país
- o dobro do registrado em 2000 -, sendo
2,5 mil deles somente na capital paulista.
"Assim, em duas décadas, o brasileiro
passou a contar, na hora do almoço,
com uma opção de alimentação
prática, saudável e econômica",
diz a médica.
Almoçar no self-service
é a primeira opção
para quem quer fazer uma refeição
rápida, porque a comida servida é
boa, já está pronta e tem
um preço médio atrativo: R$
10 por pessoa, independentemente do cardápio.
"Estes restaurantes também buscam
oferecer todos os grupos de alimentos, com
várias opções de frutas
e hortaliças, carboidratos e proteínas
de origem animal e vegetal, preparados de
diversas maneiras, indo desde o grelhado
ao empanado, possibilitando uma escolha
de alimentação saudável,
de acordo com as preferências e as
necessidades nutricionais de cada um",
explica Amanda Epifanio, nutricionista que
integra o corpo clínico do Citen.
A nutricionista recomenda
que antes de se servir, a pessoa deve dar
uma olhada em todas as opções
disponíveis, saladas, pratos quentes
e sobremesas, possibilitando assim a escolha
de um alimento de cada grupo e evitando
os excessos diante de opções
tão variadas.
Como escolher?
A seguir, a endocrinologista
Ellen Simone Paiva e a nutricionista Amanda
Epifanio fornecem orientações
para que a escolha dos alimentos no restaurante
self-service possa se tornar uma refeição
balanceada:
(1) Para montar um prato
equilibrado devemos iniciar com uma salada
bem variada de folhas e legumes ocupando
metade do prato, ficando a outra metade
reservada à uma opção
de carboidrato (arroz, batata ou massas),
proteína (soja, peixe, frango ou
carne vermelha) e leguminosa (feijão,
grão de bico, ervilha ou lentilha).
"Não é recomendável
se servir duas vezes, pois corremos sempre
o risco de consumir grandes volumes de alimento
devido à variedade de oferta",
diz Ellen Paiva;
(2) As proteínas
de origem animal são sempre bem vindas,
principalmente as opções menos
gordurosas, uma vez que esses alimentos
trazem consigo a maior parte da gordura
da refeição. Diferente do
que pensam muitas pessoas, elas são
ricas em calorias. Peixe, frango ou carne,
o que importa mesmo é a escolha da
carne vermelha mais magra, uma vez que esta
é rica em gordura saturada e a observação
das formas de preparo, devendo ser evitados
os molhos gordurosos como o madeira e o
estrogonofe, as frituras, empanadas como
o peixe a doré, o bife à milanesa
e as diversas preparações
de frango recheadas com farofa, bacon e
queijos. "Para atender às recomendações
de um cardápio variado, a melhor
opção seria a escolha de um
tipo de carne para cada dia da semana",
informa a nutricionista Amanda Epifanio;
(3) O peso do prato não
é tão importante, basta analisarmos
dois exemplos, nos quais um deles mais pesado
pode ser muito mais saudável e menos
calórico do que outro mais leve:
Prato 1 - duas colheres
de arroz, uma concha de feijão, legumes
refogados e uma sobrecoxa de frango;
Prato 2 - uma colher de
salpicão de frango, um pastel de
carne e outro de queijo, um pedaço
pequeno de lingüiça calabresa
e uma colher de farofa.
"Apesar da primeira
opção ter quase o dobro do
peso da segunda, ela é muito menos
calórica e muito mais saudável",
afirma a diretora do Citen, Ellen Paiva;
(4) Diante de diferentes
tipos de massa, prefira as sem recheio,
do tipo espagueti ou nhoque, tendo cuidado
na escolha dos molhos, uma vez que, muitas
vezes, estes são mais calóricos
do que a própria massa, como é
o caso do molho à bolonhesa, quatro
queijos e certos molhos brancos enriquecidos
com nozes, castanhas e embutidos. Uma boa
opção de molho é o
de tomate fresco. Depois de tantos cuidados,
não abuse do queijo parmesão;
(5) Para temperar as saladas,
procure não ceder à tentação
dos molhos prontos, utilize o vinagrete,
o shoyo e o vinagre balsâmico. Cuidado
também com o excesso de azeite, pois,
apesar de saudável e "da famosa
gordura boa", ele é tão
calórico quanto a banha de porco;
(6) Impossível convencer
as pessoas a não ingerir líquidos
durante as refeições. Parece
até que se tornaram parte do cardápio.
Se for água ou refrigerantes light
ou diet, o problema não são
as calorias, mas a interferência no
processo digestivo, tornando-o mais lento
e difícil. "Sempre que possível,
evite a ingestão dos 350ml de líquido
gasoso das latas de refrigerante, dividindo-os
com alguém", aconselha a nutricionista
Amanda;
(7) A ingestão de
sal é sempre maior quando comemos
fora de casa. Sabendo disso, evite adicionar
sal à salada e abra mão de
frios, como presunto e queijos amarelos,
azeitonas, alcaparras e preparações
gratinadas. No caso dos hipertensos, esses
cuidados devem ser redobrados;
(8) Se uma sobremesa fizer
parte do pacote do almoço, lembre-se
que uma gelatina tem o mesmo valor calórico
que um bombom. Se existir uma preocupação
em perder ou manter peso, faça a
opção pelas frutas e deixe
o doce ou o sorvete para o final de semana;
(9) Não há
nenhuma vantagem nutricional na opção
pelos restaurantes self-services que oferecem
apenas alimentos orgânicos;
(10) Além do sabor
da comida, é importante observar
a limpeza do ambiente, dos pratos, dos talheres,
do uniforme dos funcionários, assim
como a proteção dos seus cabelos.
"Os consumidores também devem
ser orientados a evitar conversas durante
o ato de servir o prato devido à
possibilidade de contaminação
das travessas de alimentos pelas gotículas
de saliva. As mulheres, em especial, deveriam
evitar mexer em seus cabelos, próximo
ao balcão de alimentos. Os demais
consumidores agradecem", recomenda
a endocrinologista Ellen Paiva;
(10) Devido à grande
variedade de saladas e preparações,
os restaurantes self-service possibilitam
perfeitamente o consumo de uma dieta de
baixas calorias, variada e completa em nutrientes.
"Basta saber escolher e resistir às
muitas tentações calóricas
ao longo do trajeto de nossas bandejas",
afirma Amanda Epifanio.
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