Indústria reduz contratações de jovens

26-04-2007

A indústria brasileira prefere contratar empregados com experiência profissional, segundo constatou a pesquisa Caracterização das Admissões na Indústria, elaborada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e divulgada em Brasília. De cada seis trabalhadores contratados pelo setor entre 2000 e 2005, apenas um ingressou no primeiro emprego, mostrou o levantamento. Em 2005, por exemplo, 83,6% das contratações foram de trabalhadores com experiência anterior no mercado de trabalho.

A pesquisa do Senai apontou ainda que os salários daqueles que já haviam trabalhado com carteira assinada são, em média, 30% superiores aos dos jovens que começaram no primeiro emprego. Além disso, cerca de 60% dos trabalhadores admitidos sem experiência recebem, em geral, o equivalente a no máximo 1,5 salário mínimo. A pesquisa Caracterização das Admissões na Indústria foi elaborada com base nos dados de 2000 a 2005 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

O estudo revelou que, além de a indústria preferir mão-de-obra experiente, está mais difícil para o jovem conquistar sua primeira ocupação no mercado formal de trabalho. Em 2000, as admissões de primeiro emprego representaram 18,3% do total das contratações da indústria; em 2005, essa participação caiu para 16,4%.

"A dificuldade do jovem encontrar o primeiro emprego é um problema mundial", afirmou o professor João Saboia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador da pesquisa. Para ele, a disposição das empresas em contratar pessoas com experiência é natural e está presente mesmo em momentos de expressivo crescimento econômico, quando aumenta a oferta de empregos em todos os setores. "O trabalhador de primeiro emprego não tem experiência e exige treinamento", disse Saboia.

No entanto, a pesquisa mostrou que alguns segmentos industriais tendem a dar preferência a trabalhadores de primeiro emprego. É o caso dos setores de madeira, mobiliário, têxtil, vestuário, calçados, alimentos e bebidas. "Em 2005, as admissões de primeiro emprego superavam 20% do total das contratações nesses setores", diz o estudo.

O estudo confirmou que o emprego industrial se concentra nas grandes regiões metropolitanas do Sul e do Sudeste do país. Em 2004, as indústrias do Sudeste foram responsáveis por 44,5% das admissões de primeiro emprego e as do Sul, por 22,5%. "Há uma concentração do emprego no eixo Sul-Sudeste", observa Saboia.

Conforme a pesquisa, a maioria dos trabalhadores que consegue a primeira inserção no mercado formal de trabalho é jovem do sexo masculino e tem maior escolaridade do que os com experiência. Entre os contratados do primeiro emprego em 2005, 57,1% tinham de 18 a 24 anos e 13,7% tinham de 25 a 29 anos. Mais da metade deles (52,2%) recebia entre um e 1,5 salário mínimo e 70,1% eram homens.

O estudo mostra que as admissões de primeiro emprego ocorreram em distintos níveis de escolaridade. Mas a maior parte das vagas foi reservada para os candidatos com ensino médio completo. Entre os contratados em 2005, 27% tinham ensino médio completo. "Para os trabalhadores com baixa escolaridade, as possibilidades são bem mais limitadas", diz a pesquisa. Apenas 9,3% dos admitidos no primeiro emprego em 2005 tinham até a 4ª série do ensino fundamental.

O perfil dos trabalhadores com experiência contratados pela indústria em 2005 é diferente dos do primeiro emprego. Eles têm mais idade e menos escolaridade e 79,6% são homens. Apenas 29,3% dos admitidos em reemprego têm entre 18 e 24 anos. Em termos de escolaridade, quase 40% dos admitidos com experiência anterior não têm o ensino médio completo. Apesar disso, sua remuneração é mais elevada que a daqueles que estão tendo a primeira experiência no mercado formal. Entre os trabalhadores com experiência admitidos em 2005, 34,2% recebiam de um a 1,5 salário mínimo.

O estudo elaborado por João Saboia para o Senai contém dados regionais e setoriais sobre as admissões na indústria. Mostra, por exemplo, que São Paulo foi o estado que liderou as contratações de primeiro emprego no setor, com 25% das admissões feitas no país de trabalhadores sem experiência. O estado de Tocantins ficou com uma participação de apenas 0,5% e o Amazonas, com 1,8%.

A pesquisa revela ainda as características das contratações nas diversas mesorregiões brasileiras. Assim é possível saber, por exemplo, que, em 2005, as indústrias da região Madeira-Guaporé, em Rondônia, contrataram 1.638 jovens de primeiro emprego e 5.024 trabalhadores com experiência. No mesmo ano, na Zona da Mata mineira, foram admitidos 32.510 empregados com experiência e 6.734 do primeiro emprego. A maioria das vagas dessa e das demais regiões foi aberta pela indústria de transformação.

As informações do estudo Caracterização das Admissões na Indústria integram o conjunto de pesquisas e levantamentos que orientam as ações do Senai em todo o país, nos seus dois eixos principais de atuação: Educação Profissional e Ensino Técnico e Tecnológico. Reconhecido pela excelência na formação de mão-de-obra para a indústria, o SENAI mantém uma rende de 707 unidades operacionais e formou mais de 43 milhões de profissionais desde 1942.

A pesquisa está disponível, na íntegra, no site www.senai.br, na seção documentos institucionais


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