MPEs do Rio estão mais otimistas

Pesquisa do Sebrae/RJ e FGV mostra que as micro e pequenas empresas do Rio de Janeiro estão mais otimistas quanto ao futuro. O Índice de Confiança nos Negócios (ICON), que visa captar a expectativa futura das empresas em relação aos resultados dos seus negócios em um horizonte de seis meses, atingiu quase 70%. A maioria (66%) considera as perspectivas muito boas ou boas; 28% têm perspectivas razoáveis e apenas 6% fracas ou muito fracas.

Para o Sebrae/RJ, as condições macroeconômicas e as políticas públicas no país e no estado podem ter colaborado para esta percepção otimista. Sergio Malta lista entre os fatores a ser observados neste contexto a estabilidade econômica; a anunciada política de cooperação entre governos federal e estadual; o anúncio de novos investimentos no estado, como o Complexo Petroquímico de São Gonçalo e Itaboraí, e os incentivos ao segmento de micro e pequenas empresas com a sanção da Lei Geral, pelo presidente da República, no mês de dezembro.

Além disso, as MPEs empregadoras fluminenses estão mais dinâmicas para enfrentar a concorrência no mercado. O Índice de Dinamismo (IDIN) registrado no período de outubro a novembro aumentou 6,5% em relação ao terceiro trimestre, atingindo 19,2 pontos. Este índice é resultado de uma metodologia desenvolvida pela FGV e Sebrae/RJ para avaliar a evolução de medidas associadas ao aumento da competitividade nessas empresas.

De acordo com o IDIN, no quarto trimestre do ano passado, 24,1% das empresas realizaram investimentos em máquinas, equipamentos e instalações; 21,7% fizeram inovações em produtos ou processos; 18,5% capacitaram sócios ou empregados e 7,8% introduziram aplicativos de tecnologia da informação (TI). Além disso, um terço (30,5%) realizou ações de apoio social ou de prevenção ambiental e 17,6% participaram de ações de associativismo.

Entre os fatores analisados, o maior crescimento ocorreu na adoção de novos aplicativos de TI (4,4 pontos percentuais), com destaque para ações como aperfeiçoamento de provedores de dados e de sites; aquisição de softwares; implantação de sistemas de gestão (financeiros, controle de estoques, contabilidade, comercial, etc) e de softwares específicos para produção.

“Este índice de dinamismo revela a constante preocupação dos empresários em apostar nas ações que aumentem sua competitividade. Empresas socialmente responsáveis, que investem na capacitação de funcionários e gestores e, em sintonia com as novas tecnologias, buscam a inovação em produtos e processos, estão mais preparadas para enfrentar os desafios do mercado globalizado”, analisa Sergio Malta, superintendente do Sebrae/RJ.

Fim-de-ano

O movimento das festas de fim-de-ano, principalmente nos setores de comércio e serviços, contribuiu para o bom desempenho das MPEs empregadoras em dezembro de 2006. Pesquisa do SEBRAE/RJ, coordenada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), indica que essas empresas faturaram R$ 4,1 bilhões e injetaram na economia R$ 1,3 bilhão em remuneração para seus funcionários. O segmento ocupou 1,86 milhão de pessoas, entre sócios e empregados, e gerou 18,7 mil novos empregos.

Estes são os principais resultados apontados pelo Índice de Desempenho (IDES), que mede mensalmente faturamento, pessoal ocupado e massa salarial. Os números foram apresentados em entrevista coletiva na sede do Sebrae/RJ e baseiam-se em um universo estimado de 145.720 micro e pequenas empresas empregadoras, já considerando a entrada em operação de 449 novos estabelecimentos no período. O IDES de dezembro foi apresentrado em conjunto com o ICON e o IDIN, relativos ao quarto trimestre do ano. Ambos apresentaram crescimento em relação ao terceiro trimestre.

Desempenho

O coordenador da pesquisa pela FGV, Sergio Gustavo, explicou que o IDES é o indicador que melhor representa o impacto da atuação das MPEs empregadoras sobre a economia do estado. Na composição deste índice, são levados em considerações o número de MPEs empregadoras que entraram em operação no período da pesquisa, bem como a estimativa dos postos de trabalho informais gerados por elas.

O IDES de dezembro de 2006 revela que as empresas tiveram um crescimento de 10,8% no faturamento, em relação ao mês anterior. O melhor resultado foi obtido na Região Metropolitana (11,4%), o que não ofusca o bom resultado do interior (8,7%). O maior aumento foi gerado pelo comércio (13,3%). O setor de serviços apresentou crescimento de 12,3% e a indústria teve queda de 3,7% no faturamento.

As MPEs também aumentaram em 0,8% os postos de trabalho no mês de dezembro de 2006 em relação ao mês anterior. A segmentação dos resultados por região indica que o crescimento ocorreu tanto na Região Metropolitana (0,9%) quanto no interior (0,4%). O aumento foi resultado da abertura de postos de trabalho no comércio para atender as vendas de fim de ano. O setor teve crescimento de 1,7%, contra 0,1% para a indústria e serviços.

A massa salarial cresceu 7% em relação a novembro. Os índices captaram o efeito do pagamento, total ou parcial, do 13º salário, realizado pelas empresas neste mês. De acordo com os pesquisadores, após um ano do cálculo do IDES será possível comparar os resultados do mesmo mês do exercício anterior, permitindo o isolamento deste e de outros impactos de natureza sazonal.

Em março, o Sebrae/RJ divulgará o IDES referente ao mês de janeiro de 2007. O IDIN e o ICON relativos ao primeiro trimestre deste ano serão divulgados em maio, juntamente com o IDES de março.

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