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Gestor de processos é uma carreira
em ascensão
28-05-2007
Nova e forte tendência
na administração empresarial,
a Gestão de Processos é uma
área em franca ascensão na
oferta de vagas de trabalho. De acordo com
levantamento realizado pelo Instituto Avançado
de Desenvolvimento Intelectual (Insadi)
apenas entre os estados de São Paulo
e Rio de Janeiro o número de profissionais
atuando na área passou de 8 mil em
2004 para 19 mil nos últimos 12 meses.
O aumento deve-se ao crescimento
de grandes corporações internacionais
(como Siemens, Ticket Arccor Service, TIM
e Unilever), nacionais (Banrisul, Camargo
Correa, Grupo Gerdau, Petrobrás,
Telemar e Serasa) e instituições
governamentais (ANS, INSS, TCU, ANATEL e
ANEEL) adotando este tipo de gestão
para aumentar a eficiência e, conseqüentemente,
a produtividade das organizações.
“Hoje cerca de 4,8
mil empresas, entre grandes e médias,
no eixo Rio-São Paulo desenvolvem
projetos na área. As empresas estão
investindo neste modelo visando ganhos melhores
e mais rápidos, mas faltam suficientes
profissionais especializados”, afirma
Dieter Kelber, diretor-executivo Insadi,
entidade pioneira na disseminação
da Gestão de Processos no Brasil.
Há aproximadamente
10 anos no país, a Gestão
de Processos é uma metodologia que
procura integrar as atividades de diversas
áreas da empresa (vendas, financeiro,
logística, marketing etc.) para tornar
os processos mais eficientes. A área
funciona como uma “ponte” entre
a Gestão Estratégica da empresa
e as suas diversas Áreas de Negócios,
usando como suporte a Tecnologia da Informação
(TI) e outros processos suporte, como os
do RH.
Ela é quem colhe
as informações sobre como
funcionam os processos das unidades de negócios,
propõe projetos de melhoria, busca
junto a TI as ferramentas adequadas e coordena
como deve ser implementado o projeto e colocado
em prática junto aos colaboradores.
Os profissionais podem trabalhar
em consultorias externas ou em um escritório
de processos específico da própria
organização. Diversas empresas
optam ainda em alocar profissionais de processos
dentro das unidades de negócios ou
de apoio. A profissão possui, pelo
menos, quatro especializações
com salários que podem variar de
R$ 2 mil a R$ 15 mil.
O primeiro nível
é o de Mapeador e Modelador de Processos,
no qual o profissional fica responsável
por “desenhar” todas as etapas
e atividades dos processos da organização,
ou seja, como eles funcionam no momento.
Depois está o Arquiteto de Processos,
que monta um projeto para melhorar e otimizar
as atividades, eliminar desperdícios,
gargalos e retrabalhos, visando os processos
ideais na “situação
futuro”.
Logo em seguida está
o Gestor de Projetos de Processos, que implementa
o que foi projetado e transfere a condução
para a área responsável e,
por último, o Gestor de Processos
quem irá gerenciar e controlar os
principais processos e suas atividades da
organização. Normalmente,
nesta posição o profissional
é interno da corporação.
Segundo Kelber, do Insadi,
não é necessário uma
formação acadêmica específica
para atuar na área de Gestão
de Processos, o caminho é traçado
por meio de cursos de especialização
ou mestrados nas áreas de Gestão
de Processos e afins. No entanto, ele explica
que a tendência são os profissionais
de TI, Administração e Engenharia
trabalharem nesta área por conta
da proximidade do assunto e por existirem
faculdades que já incluíram
na grade curricular dos cursos de graduação
e pós-graduação disciplinas
relacionadas ao tema.
Roberto Pereira é
um exemplo de profissional que atua na área.
Gerente de contas da IDS-Scheer, ele é
responsável pelos novos negócios
de Gestão de Processos da multinacional
alemã na América Latina. Formou-se
em Administração com ênfase
em Recursos Humanos e antes trabalhava no
setor bancário. Sem nenhuma experiência
na área, iniciou sua carreira em
gestão de processos na consultoria
Trevisan, atuando na implementação
de processos de qualidade em grandes empresas.
“A partir daí, foquei na melhoria
contínua e investi em cursos de especialização
em processos”, diz. Hoje, atua também
como professor do Insadi e da Fiap (Faculdade
de Informática e Administração
Paulista).
Outro exemplo é João
Carlos Malheiros Cunha, gerente de Processos
do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande
do Sul), que trabalhava em uma prestadora
de serviços em TI para o banco. Em
96, fez um curso de Gerência de Processos
Organizacional (GPO), mas somente três
anos depois conseguiu iniciar projetos pontuais
em Gestão de Processos no Banrisul.
O resultado foi tão
positivo que há quatro anos a estatal
criou uma Gerência de Processos, que
hoje é coordenada pelo Tecnólogo
em Gestão Bancária. “Quando
fiz o curso percebi que tinha encontrado
o caminho da ‘roça’,
ou seja, a direção entre quem
define as regras do negócio e quem
desenvolve o sistema para atender o negócio.
A Gestão de Processos é uma
forma de resolver os problemas culturais
entre Negócio e TI, comenta."
Já Viviane Neiva
Salyna, gerente de Processos Coorporativos
e Planejamento de TI da Ticket Arccor Service,
é formada em Psicologia e atuava
em RH. Ela sentia que a área não
tinha nenhum envolvimento com a estratégia
de negócios da empresa. Então,
fez uma especialização em
gestão de produção
para poder aproximar as duas áreas
e estudar as tecnologias de processos.
“Fiz o caminho inverso.
No entanto, hoje a cada decisão tenho
uma visão ampla sobre os processos
e as pessoas que irão executar os
procedimentos. Por isso, hoje as organizações
precisam estar montadas em três pilares:
pessoas, processos e tecnologia.”.
Léa Simone Friedmann
dos Reys, gerente de Excelência Operacional
da construtora Camargo Correia, completa:
“Com a gestão de processos
é possível padronizar e automatizar
uma grande parte das tarefas, permitindo
assim que as pessoas tenham tempo para aplicar
seus conhecimentos e competências
em atividades de valor”. Ela é
formada em matemática aplicada, foi
programadora e ingressou na carreira na
Deloitte atuando em projetos de Gestão
de Processos.
Formação
profissional
Para auxiliar a formação
desses profissionais e a seleção
por parte das empresas, o Insadi lançou
recentemente a primeira Certificação
Profissional em Gestão de Processos
de Negócios do Brasil (CPGP). O objetivo
é atender as novas necessidades empresariais
e profissionais da área de processos
de negócios. “Com a certificação
o profissional poderá comprovar seus
conhecimentos, competências e a sua
experiência prática no campo
da Gestão de Processos”, afirma
o Kelber, diretor do Insadi.
A certificação
será dividida em três níveis:
o Mapeador e Modelador de Processos (Nível
1); o Arquiteto de Processos (Nível
2) e o Gestor de Projetos de Processos (Nível
3). No Nível 1 a certificação
terá validade de um ano, no Nível
2 três anos e no Nível 3 cinco
anos. Os requisitos para conquista da certificação
estão no final do texto.
O Fórum Brasileiro
de Processos – FBP (www.fbp.org.br)
é o responsável pelo programa,
cuja coordenação é
feita que pelo Insadi e a sua validação
por um Conselho de Certificação
formado através de representantes
de empresas e organizações
do setor público e privado com ampla
atuação e uso da gestão
de processos no Brasil e exterior. Segundo
o diretor do Insadi, os cursos preparatórios
para o Nível 1, estão previstos
para iniciarem a partir de julho e os Níveis
2 e 3 em 2008. Já os exames para
certificação devem acontecer
logo na seqüência no mesmo mês
e em agosto.
Como ser um profissional
de Processos?
Especialistas apontam as
cinco as principais características
para quem deseja atuar na área:
1) Ser questionador, saber
fazer a pergunta certa para conseguir a
informação que precisa;
2) Saber lidar com as pessoas e ter bom
relacionamento interpessoal;
3) Ser paciente, pois como a profissão
lida diretamente com as pessoas é
necessário conquistar a confiança
dos que estão envolvidos e que executam
os processos;
4) Conhecimentos em sistemas de informação
(como ferramentas de mapeamento e otimização
de processos, ERP, BI, CRM, BPMS etc.);
5) Bom inglês
Completando seis anos de fundação,
o Insadi é pioneiro e líder
na divulgação e disseminação
da Gestão de Processos no Brasil.
Com escritórios em São Paulo
(SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília
(DF), a entidade realiza cursos, treinamentos,
programas de desenvolvimento e consultorias
através da sua unidade Business Processes
School, coordena e promove as atividades
do Fórum Brasileiro de Processos
(FBP) e do evento anual da comunidade de
processos, o “Business Process Day”.
Já a sua unidade
Human Excellence promove trabalhos na área
comportamental, onde usando a metodologia
TAR desenvolve o alinhamento entre as competências
técnicas e as de atitude, alinhando
assim processos e pessoas.
Para Kelber, o principal
propósito do trabalho é mostrar
que a gestão de processos não
se restringe à tecnologia, como costuma
ser vista por outras áreas. “Ao
contrário, como o seu próprio
nome diz, ela envolve processos de negócios,
o que abrange não só TI, mas
todas as áreas envolvidas com o atendimento
às necessidades dos clientes: marketing,
vendas, RH, logística, finanças,
etc. “E os profissionais de processos
de negócios são os responsáveis
por facilitar a integração
dessas atividades”, considera.
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