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Aonde os ricos vão, o comércio
vai atrás
30-05-2007
Na Escola Politécnica
da USP, um estudo revela como as ruas de
comércio na cidade de São
Paulo influem na mobilidade da população.
Em sua dissertação de mestrado
Dinâmica de rua de comércio
na cidade de São Paulo, a arquiteta
Ana Maria de Biazzi analisou a dinâmica
do comércio de rua por diversos aspectos:
evolução urbana, transformações
socioeconômicas e hábitos de
compra do consumidor.
De acordo com a pesquisadora,
a maioria dos trabalhos acadêmicos
sobre áreas de comércio se
restringem ao mundo dos shopping centers.
“Essa modalidade de comércio
surgiu em meados da década de 1980
em todas as grandes cidades do País.
Atualmente avançam também
para cidades médias e pequenas”,
conta Ana Maria, afirmando que as ruas de
comércio, essenciais para o consumo
das mais diversas classes sociais paulistanas,
não costumam receber a importância
devida.
A pesquisadora conseguiu,
em seu estudo, traçar um padrão
de mobilidade que é demonstrado pelo
surgimento de ruas de comércio na
cidade, o deslocamento das classes altas.
Ela conta que as primeiras ruas se desenvolveram
no Centro Velho da cidade (Avenida Ipiranga,
Rua 25 de Março), onde viviam os
mais abastados. “Eles se mudaram para
o centro “novo” (outro modo
de denominar a região das cercanias
da Avenida Paulista), e trouxeram as ruas
de comércio para lá”,
conta. Porém, as ruas do Centro Velho
não alteraram seu caráter
comercial, apenas se destinaram a um público
com menor poder aquisitivo. Houve um deslocamento
das classes mais altas do Centro para a
região da Rua Augusta, o que acarretou
mudança socioeconômica na dinâmica
das ruas de comércio.
Origens
Sobre a origem dessas ruas,
Ana Maria afirma que elas surgem por meio
de necessidades de consumo; nos bairros,
há o fator da “compra por conveniência”.
Entre alguns aspectos interessantes verificados
na pesquisa, ela destaca que a rua 25 de
março, conhecida pelo comércio
popular, é freqüentada por praticamente
todas as classes sociais, principalmente
a classe A, que compra por impulso, e não
por conveniência, como se constata
nas classes C e D. Na rua 12 de outubro,
no bairro da Lapa, e que foi o foco principal
da pesquisa, a pesquisadora constatou que
os postes são os mesmos desde seu
surgimento. “Isso demonstra a falta
de preocupação com a infra-estrutura
nesses pólos de consumo”, constata.
A ausência de infra-estrutura
e a inexistência de um planejamento
estratégico são as principais
deficiências encontradas nas ruas
de comércio. “A rua não
é um empreendimento, é formada
quase que naturalmente”, afirma Ana
Maria. Nenhuma das fontes do trabalho possuía
dados de quanto a rua é representativa
em determinado nicho comercial, estatística
só obtida para supermercados e shopping
centers. O desconhecimento dos lojistas
sobre o potencial das ruas de comércio,
seu fluxo e renome, é grande: para
a maioria, “vender bem basta”.
Ana Maria também
analisou os aspectos relacionados aos mecanismos
internos de competição. A
compra comparada ocorre por meio da concentração
de lojas do mesmo nicho em quarteirões
bem próximos ou até mesmo
em um quarteirão específico.
A concorrência, porém, é
acirrada e não há tabelamento
de preços. As lojas que costumam
praticar políticas de preços
uniformes, como as lojas de diversidade
(conhecidas por “lojas de R$ 1,99”),
se encontram espalhadas ao longo das ruas.
Outro fator central da pesquisa é
o mapeamento do “mix”, ou seja,
a diversidade de setores na composição
do comércio.
Sobre as tendências
futuras das ruas de comércio, há
um fator positivo e outro negativo, respectivamente,
de acordo com a autora do estudo: o crescimento
do crédito, com o boom de financiadoras
em volta e dentro das lojas de rua, e o
aumento da informalidade. (Luigi
Parrini - Agência USP de Notícias)
Mais informações: (0XX11)
3831-1568; 8109-7733, ou e-mail anabiazzi@uol.com.br,
com Ana Maria de Biazzi.
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