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Internacionalização
de empresas traz demanda por diplomatas corporativos
15-05-2008
Nas últimas décadas notou-se uma inversão
de tendência quando o assunto é internacionalização
de empresas. Há alguns anos, era comum multinacionais
estrangeiras abrirem filiais nos países emergentes.
Hoje, porém, existe um processo inverso: cada
vez mais, as empresas dos países emergentes abrem
filiais nos chamados países centrais.
Para se ter uma idéia dessa tendência,
recentemente a empresa de ônibus Marcopolo anunciou
que metade das vagas que serão abertas em 2009
estará no exterior. Outra grande empresa, a Votorantin
Cimentos, possui cerca de 40% de seus profissionais
alocados em outros países. A Vale também
anunciou o início de uma campanha global de recrutamento
de funcionários. A mineiradora arregimentará
profissionais simultaneamente no Brasil, Estados Unidos,
Inglaterra, Austrália e Canadá para uma
previsão de 62 mil contratações
em cinco anos.
Segundo o professor Amâncio Jorge de Oliveira,
do Centro de Estudos das Negociações Internacionais
(Caeni), instituto ligado ao Depto. de Ciência
Política da USP, esse processo traz uma demanda
por profissionais que dominem todas as dimensões
que compõe o processo de internacionalização
de uma empresa: os chamados Diplomatas Corporativos.
“O mercado espera um profissional capaz de compreender
todo o processo da diplomacia coorporativa: fatores
políticos, culturais, financeiros, diplomáticos
e organizacionais”, diz.
Para suprir essa demanda, a Fundação
Vanzolini e o Caeni acabam de lançar o curso
‘Internacionalização de Empresas
e Diplomacia Coorporativa, destinado a profissionais
que desejam trabalhar nos departamentos internacionais
das empresas.
O curso, que é dividido em quatro partes (Gestão
de Negócios Internacionais, Diplomacia corporativa
e negociações internacionais, Cases &
experiências de internacionalização,
Mercados emergentes: a dimensão geo-estratégica
dos negócios), é intensivo em dinâmicas
e simulações, de forma a reproduzir o
ambiente de negócios internacionais vivenciados
no dia-a-dia do profissional.
Essa demanda, segundo o professor, é muito maior
nos países emergentes, uma vez que a diplomacia
oficial desses países se concentra mais nas relações
governamentais. “Nos Estados Unidos, por exemplo,
os diplomatas gastam a maior parte do tempo, 60%, com
promoção comercial. Já a diplomacia
brasileira gasta 70% do tempo em relações
governamentais. Dessa forma, as empresas que querem
se internacionalizar devem buscar suas próprias
estratégias”, explica.
O professor cita também uma pesquisa realizada
pela Goldman Sachs, em 2003, que indica que, em 2040,
o PIB dos BRICs (grupo de países formado por
Brasil, Rússia, Índia e China) vai igualar
o PIB dos países desenvolvidos, chamados de G6
(grupo dos seis países mais industrializados
do mundo), um cenário muito diferente ao dos
anos 90, onde o PIB desses países representava
apenas 11% do volume dos negócios internacionais.
“Um fator determinante para esse fenômeno
é, sem dúvida, a internacionalização
de nossas empresas. E o profissional que deseja acompanhar
essa tendência, deve buscar as ferramentas necessárias
para isso”, finaliza. Site: www.vanzolini.org.br
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