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Faturamento
do varejo de SP cresceu 4% em julho
01-09-2008
O segundo semestre teve início com o mesmo perfil
do primeiro: vendas aquecidas, estimuladas pela oferta
de crédito e pela recuperação na
renda e no emprego. É o que mostra a Pesquisa
Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), da
Federação do Comércio do Estado
de São Paulo (Fecomercio), que registrou em julho,
alta no faturamento de 3,9%, no contraponto ao mesmo
mês de 2007. No acumulado do ano, a elevação
nas vendas é de 5,3%.
O maior destaque foi visto nas Concessionárias
de Veículos, que apresentaram em julho, recorde
de crescimento: 29,4%, em relação ao mesmo
período de 2007. No acumulado do ano a alta foi
de 16,5%. Esses índices ganham ainda maior expressão
quando se observa que, nos sete primeiros meses do ano
passado, o segmento registrava aumento real de vendas
bastante significativo, de 19,3%. Os resultados deste
ano estão sendo alcançados sobre uma base
já bastante elevada, o que mostra o vigor do
segmento.
Os resultados são convergentes com os demais
indicadores nacionais sobre produção,
crédito e renda. Tanto o nível de produção,
como de licenciamentos de veículos novos mostram
expansões vigorosas, ao mesmo tempo em que a
concessão de crédito permanece estimulada
pelo aumento de prazo, facilidade de acesso e taxas
de juros reduzidas para essa modalidade. Aliado a isso,
a confiança do consumidor, baseada na recuperação
da renda, permite a consolidação da trajetória
de vendas aquecidas. A seguir, os resultados setoriais:
Vestuário, Tecidos e Calçados
Marcado pelas liquidações de queima de
estoque em virtude da troca de coleção,
o mês de julho foi de crescimento nas vendas deste
grupo (19,3%), ante ao mesmo período de 2007.
No ano, as lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados
acumulam elevação de 24,2%.
Para agosto, a expectativa é de que as vendas
do setor sejam arrefecidas, devido ao nível de
endividamento da população e a persistente
alta nos preços dos produtos alimentícios,
que reduz a quantidade de renda disponível para
gastos com vestuários. Há também
a entrada da coleção primavera-verão,
que traz preços mais elevados ao consumidor.
Móveis e Decorações
Ainda se beneficiando de um ambiente de crédito
– oferta, prazos e condições cadastrais
– o segmento de Móveis e Decorações
registrou em julho, alta de 13,2%, com relação
ao mesmo período de 2007. No acumulado do ano,
a elevação é de 11,7%. A expectativa
é de que o cenário permaneça aquecido
por conta da ascensão do mercado imobiliário.
Material de Construção
O segmento continuou a registrar crescimento em julho,
com alta de 13,1% na comparação com o
mesmo mês de 2007, e acumulado de 13,7% no ano.
O desempenho das vendas continua favorecido pelos bons
resultados da economia, principalmente da oferta de
crédito e do crescimento da massa real de salários
na região metropolitana de São Paulo.
Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos
Esse setor apresentou em julho aumento de 7,6% em relação
ao mesmo mês do ano passado. No ano, acumula alta
de 13,9%. O resultado é reflexo do volume do
crédito, que permaneceu elevado no mês
avaliado.
Farmácias e Perfumarias
Em julho o setor continuou sua trajetória de
crescimento pouco expressivo, ficando abaixo da média
do comércio varejista num todo (2,8%). No ano,
acumula alta de 2,3%. O resultado é reflexo da
oferta de crédito e o maior consumo de medicamentos
genéricos em detrimento dos tradicionais, principalmente
entre a população com menor poder aquisitivo.
Supermercados
O setor de Supermercados apresentou queda de 11,2%,
no comparativo a julho de 2007. No acumulado do ano,
o grupo tem retração de 0,7%. O desempenho
negativo pode ser atribuído ao aumento dos preços
das commodities, que foram repassadas ao consumidor,
ao nível de endividamentos dos consumidores,
principalmente dos que estão situados na faixa
de rendimento de até 3 salários mínimos
e o efeito substituição, que faz o consumidor
optar por produtos que caibam no seu orçamento,
abrindo mão dos mais caros.
Departamentos
Pelo décimo mês consecutivo o grupo apresentou
queda em seu faturamento real. Em julho a retração
ficou em 12,9%, em relação ao mesmo mês
de 2007. No ano, a variação negativa é
de 13,6%.
A concorrência direta com as grandes lojas de
outros segmentos - que comercializam a mesma gama de
produtos, com condições de pagamento facilitadas
-, a alta nos preços dos alimentos - que faz
com que as vendas do segmento sejam arrefecidas por
serem consideradas supérfluas – e o elevado
nível de comprometimento de renda da população
são os responsáveis pelo resultado.
Autopeças e Acessórios
As Lojas de Autopeças e Acessórios registraram
em julho o pior desempenho dentre todos os setores varejistas
pesquisados, com retração de 26,9% em
suas vendas reais em relação ao mesmo
mês do ano passado. No ano, o setor também
apresenta queda acumulado de 29,6%.
Segundo a Fecomercio, independentemente das razões
conjunturais – queda real de preços dos
produtos importados da China, forte aumento da frota
de veículos novos, dentre outros - esse comportamento
de quedas sistemáticas parece apontar para uma
mudança estrutural desse mercado: há indícios
de que tanto consumidores quanto aplicadores (oficinas)
têm buscado adquirir os produtos diretamente dos
distribuidores, e as concessionárias passaram
a ter maior demanda também pelos serviços
e fornecimento de autopeças e acessórios,
valendo-se do forte aumento de clientes ocorrido nos
últimos anos.
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