Licença-maternidade maior pode prejudicar mulher, diz diretora da Fiesp

01-09-2008

O projeto de lei que amplia a licença-maternidade dos atuais quatro para seis meses, aprovado recentemente pela Câmara, possui aspectos negativos para a mulher. Essa é a opinião de Eliane Belfort, diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (CORES-FIESP).

Embora favorável à licença de seis meses, Eliane entende que ela deveria ser concendida a pais e mães, sendo que cada um ficaria três meses afastado do trabalho. “Dessa maneira, ambos dividiriam a responsabilidade pelos cuidados com os filhos e nenhum dos dois arcaria sozinho com o ônus de se afastar por um período tão longo do trabalho”, diz a diretora do CORES-FIESP.

Ainda de acordo com ela, do modo como está configurada a nova lei a mulher sai prejudicada profissionalmente e toda a sociedade perde, pois os homens continuam a ter um papel secundário na formação dos filhos.

De acordo com o projeto, as empresas que resolverem aderir a ele ganharão incentivos fiscais e o Certificado Empresa Amiga da Criança. O projeto depende apenas da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor. Os incentivos só serão concedidos a partir de 2010 porque o Governo alega que a redução na arrecadação terá de ser adaptada à Lei Orçamentária, o que só poderá ocorrer no ano que vem.

A extensão da licença-maternidade não é obrigatória - caberá às empresas conceder ou não os 180 dias de benefício a suas funcionárias. Na prática, as trabalhadoras da iniciativa privada só serão beneficiadas pela Lei a partir de 2010, quando as organizações poderão obter incentivos fiscais.

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