Brasil deverá crescer 5,3% neste ano apesar da crise, prevê CNI

03-10-2008

O desempenho da economia brasileira em 2008 não será afetado pela crise financeira internacional, principalmente por conta da ampliação da demanda interna. Por isso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aumentou, no Informe Conjuntural trimestral, a projeção de resultado do PIB neste ano. A estimativa anterior, de 4,7%, feita em junho, foi recalculada para 5,3%.

Na avaliação dos técnicos da CNI, a crise internacional só se refletirá nos resultados da economia nacional a partir do ano que vem. Numa estimativa preliminar, o PIB de 2009 deverá ficar em torno de 3,5%. Para a CNI, a capacidade de o Brasil enfrentar as dificuldades é hoje maior que no passado: reservas elevadas, substancial superávit primário, sistema de regulação bancária desenvolvido e menor dependência externa.

“Não obstante, essas condições não impedem que os desdobramentos da crise mundial alcancem o Brasil”, diz o texto do Informe Conjuntural. De acordo com o texto, são dois os principais vetores da transmissão: a menor disponibilidade de crédito internacional e a redução da demanda externa pelos produtos brasileiros. “O primeiro tem efeito mais imediato, enquanto o segundo irá se apresentar de forma progressiva à medida que o comércio mundial perca dinamismo”, escrevem os técnicos da instituição.

Para a CNI, a não-renovação das linhas externas de financiamento, em especial o crédito para exportação, gera dificuldades para a operação das empresas, principalmente se não houver uma substituição integral dessas linhas por opções internas. Desse modo, diz o texto, o Banco Central deve mostrar-se atento aos problemas de liquidez e ao aumento do custo do crédito, reavaliando a intensidade da política monetária, “que não foi dimensionada para um cenário mais adverso como o atual”.

Indústria

O setor industrial deverá crescer 5,5% neste ano, um pouco acima da média da economia. Esse indicador é puxado para cima pela estimativa de crescimento de 8,7% da produção da indústria da construção civil. A indústria de transformação, a maior do segmento industrial, deverá crescer 5,1% no ano.

O aumento expressivo da demanda interna, de quase 8% em relação a 2007, sustenta o crescimento da indústria, que está sendo acompanhado pelos investimentos no setor. A formação bruta de capital fixo mantém-se em alta. No ano passado, crescera 13,4%, ante 10% de crescimento em 2006.

Para este ano, a previsão da CNI é de crescimento no mesmo ritmo de 2007, ou seja, em torno de 13,5%. A projeção anterior, de junho, era de 10,5%.

Os técnicos da CNI calculam que o IPCA, índice oficial de inflação, vai ficar em 6,2% neste ano, acima do centro da meta do governo, de 4,5%, mas dentro da margem. A estimativa anterior, de junho, era de 6,4%. A taxa de juros deverá terminar o ano em 14,5%, ante previsão anterior de 14,25%.

Setor externo

Para a CNI, a balança comercial deverá fechar 2008 com um superávit de US$ 25 bilhões, ante a estimativa anterior de US$ 20 bilhões. Esse resultado será obtido devido a exportações de US$ 208 bilhões neste ano, ante previsão anterior de US$ 190 bilhões, e de importações de US$ 183 bilhões (a estimativa em junho era de US$ 170 bilhões).

Segundo os técnicos da CNI, o comércio exterior terá um desempenho melhor do que o esperado anteriormente devido ao aumento dos preços das exportações, que cresceram 29% de janeiro a agosto, compensando, com sobra, o recuo de 1% no volume exportado no mesmo período em relação ao intervalo de janeiro e agosto do ano passado.

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