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População
não associa colesterol alto com risco para o
coração
05-08-2008
Nada menos que 85% dos paulistas não consideram
o colesterol um fator de risco para o coração,
apesar de a metade já ter feito exame para avaliar
a taxa de gordura no sangue. A pesquisa da Sociedade
de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP)
sobre fatores de risco cardiovascular, feita pelo Instituto
Datafolha, revela que entre os jovens e pessoas das
classes D e E esse número é ainda mais
alarmante: apenas 8% se lembram do colesterol quando
questionados sobre as possíveis causas dos problemas
cardiovasculares.
Para o presidente da entidade, Ari Timerman, o resultado
da pesquisa é muito grave, já que a parcela
da população que menos sabe sobre o colesterol
é justamente a que pior se alimenta. “Os
jovens entre 14 e 17 anos preferem os lanches aos legumes,
frutas e verduras. Já entre as pessoas de menor
poder aquisitivo o grande vilão é a falta
de dinheiro. Com o preço de quatro maçãs
é possível comprar dois pacotes de bolacha,
muito menos saudável”, explica o médico.
O baixo conhecimento dos entrevistados com nível
superior também surpreende o especialista. Apenas
dois em cada dez entrevistados apontou o colesterol
como um fator de risco. “É aceitável
que os adolescentes ainda desconheçam o que faz
mal ao coração, mas era esperado que em
idade universitária esse número fosse
muito maior”, diz o coordenador da Pesquisa SOCESP,
Álvaro Avezum.
A pesquisa revelou também que 88% dos entrevistados
não sabem indicar de forma espontânea o
valor do LDL (colesterol ruim) quando está alterado;
apenas 4% indicaram como alterado, quando o LDL é
maior que 100 mg/dl; 5% indicaram 200 mg/dl; e 1% apontou
300 mg/dl. O nível desejado de colesterol LDL
é menos do que 100 mg/dl.
Quando os pesquisadores estimularam as repostas mostrando
os índices, 63% permaneciam sem conhecer o LDL
e os níveis de referência; 8% apontaram
como alterado quando maior que 300 mg/dl; 18% quando
maior que 200mg; e apenas 10% citaram a reposta correta:
maior que 100 mg/dl, já é considerado
alterado.
89% dos entrevistados não sabem que existe HDL
(colesterol bom) e o índice de desconhecimento
em relação as taxas ideais também
é alto entre homens e mulheres.
Metade dos entrevistados nunca mediu a taxa de gordura
do sangue. Entre os que mediram, 47% avaliaram há
menos de seis meses; 24% entre seis meses e um ano;
15% entre um e dois anos; 14% avaliaram o colesterol
há mais de dois anos. “O ideal é
avaliar o colesterol a cada ano”, lembra Timerman.
74% revelaram que o resultado obtido pelo exame foi
normal, 22% disseram que a taxa estava alterada e 4%
não lembram se estava normal ou alterada.
“Com base nesses dados, vamos traçar metas
para aumentar a conscientização das pessoas
sobre os fatores de risco e, consequentemente, diminuir
a incidência das doenças cardiovasculares,
que hoje matam 300 mil pessoas por ano no Brasil”,
completa o coordenador da Pesquisa SOCESP, Álvaro
Avezum.
A pesquisa sobre fatores de risco cardiovascular foi
feita com 2.096 pessoas, entre 14 e 70 anos, em 85 cidades
representando os 645 municípios do estado de
São Paulo.
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