Perspectiva dos varejistas quanto ao Natal cai aos níveis de 2005

10-12-2008

A crise financeira mundial já mudou a perspectiva dos empresários para o Natal de 2008, no que diz respeito ao faturamento e às vendas físicas. De acordo com a Pesquisa Serasa Experian de Perspectiva Empresarial, 39% das empresas brasileiras de varejo esperam aumentar o faturamento em relação ao Natal de 2007, 32% acreditam manter o faturamento e 29% acham que cairá.

Essa perspectiva mostra o menor percentual de empresários esperando aumento (39%) do faturamento e também o maior (29%) no recuo, na comparação com as outras datas comemorativas (Dia das Mães, das Crianças, Pais, Namorados e Páscoa) de 2008. A ansiedade ante a crise e os bons indicadores de 2007, que define uma base forte, são os responsáveis pela mudança de humor dos empresários do varejo.

Na mesma data de 2007, 61% dos empresários do varejo aguardavam elevação do faturamento e apenas 11% acreditavam em decréscimo na comparação com o Natal de 2006. Já para o Natal de 2005, 38% acreditavam em aumento do faturamento, 33% em estabilidade e 29% em recuo, um perfil muito próximo das expectativas atuais. Em 2005, a economia brasileira enfrentava uma política monetária contracionista, com o aumento da Selic, para controlar a inflação. Diferentemente da situação atual, as condições externas eram favoráveis.

No Natal 2008, as médias empresas são as mais otimistas (43%) para crescimento do faturamento. Nas grandes empresas há uma divisão entre otimismo (41%) e pessimismo (36%). As pequenas também não têm uma opinião determinante, de maioria, 38% esperam elevação do faturamento, 33% estabilidade e 29% redução.

Na análise regional, o Nordeste é o mais otimista em relação à evolução do faturamento, com a opinião de 47% de seus varejistas. A região aposta no turismo para aumentar seu faturamento, como resultado da valorização do dólar. As regiões Norte (40%), Centro-Oeste (39%), Sul (38%) e Sudeste (37%) encontram-se no mesmo intervalo sobre a expectativa para o aumento do faturamento. Essas regiões sofrem os efeitos da queda nos preços internacionais das commodities e da valorização do dólar, que encarece os componentes importados na indústria. De forma geral, o crédito mais caro, mais seletivo e de prazo mais curto impacta as expectativas de todos os setores.

Sobre as vendas físicas (quantidade vendida), 39% das empresas esperam aumento da quantidade, 33% estabilidade e 28% queda. No Natal de 2007, 59% dos entrevistados acreditavam em acréscimo nas vendas físicas, 31% em manutenção e 10% em decréscimo em relação à mesma data de 2006.

Analisando os dados nacionais do Natal de 2008, há uma relação idêntica entre as perspectivas de faturamento e de vendas físicas, que reafirma que o varejista crê em um desempenho inferior, em todos os aspectos, na comparação com 2007.

Na análise por porte das vendas físicas, os resultados repetem o perfil verificado para o faturamento. As médias empresas são as mais otimistas (45%). As grandes empresas se dividem igualmente entre crescimento (38%) e queda (38%). As pequenas empresas compartilham o acréscimo (37%) e a estabilidade (36%) da quantidade vendida.

Na análise regional das vendas físicas, o Norte (45%) e o Nordeste (44%) são os que mais acreditam em crescimento, seguidas do Sul (41%), Sudeste (37%) e Centro-Oeste (36%). Norte e Sul são regiões que apresentam perspectivas de vendas físicas superiores às de faturamento, o que se traduz em expectativa de vendas de produtos mais baratos.

Os empresários que crêem em crescimento das vendas no Natal 2008 alegam que os fatores microeconômicos e de mercado (segmento de produtos relativos à data, as promoções programadas, plano de marketing etc.) respondem por 58% de sua opinião e os fatores macroeconômicos (emprego, renda, crédito entre outros) por 46%. No Natal de 2007, os fatores microeconômicos e de mercado correspondiam a 37% e os macroeconômicos a 65%.

De acordo com os varejistas, os presentes que mais serão demandados para presentes no Natal 2008 serão: Celular (32%); Roupas, sapatos e acessórios (22%); Eletrodomésticos (8%); Brinquedos (6%); Cesta de Natal e produtos da época (5%), Computadores e periféricos (5%); Jogos eletrônicos (5%); DVD, CD e livros (3%); Bebidas (2%); Perfumes e Cosméticos (2%); Aves e carnes (2%); Eletrônicos (2%) e outros 7%.

No Natal 2007, os presentes mais procurados foram: Celular (30%); Roupas, sapatos e acessórios (20%); Eletrônicos (17%); Eletrodomésticos (11%); Brinquedos (7%); Cesta de Natal e produtos da época (3%); Perfumes e Cosméticos (3%); DVD, CD e livros (2%); Computadores e periféricos (2%); Alimentos 1%; Bebidas (1%); Jogos Eletrônicos (1%) e outros 4%.

Na comparação entre os Natais 2008/2007, crescem as vendas de: Celular; Roupas, sapatos e acessórios; Cesta de Natal e produtos da época; Computadores e periféricos; Jogos eletrônicos; DVD, CD e livros e Bebidas. Nota-se que a maioria é de produtos que podem que tem uma ampla opção de preços e os destaques ficam para os celulares, computadores e periféricos e jogos eletrônicos, que serão objeto de promoções do varejo visando o 13º salário e financiamento com parcelamentos mais curtos. Caem: Brinquedos; Perfumes e Cosméticos; Eletrodomésticos; Eletrônicos, que são produtos mais intensivos de crédito e sensíveis à variação cambial.

No Natal 2008, 49% das vendas serão à vista e 51% a prazo. Os meios de pagamentos que serão utilizados à vista: Dinheiro (38% das transações); Cheque (22%); Cartão de crédito (20%); Cartão de débito (16%); Cartão da loja (2%) e Outros (2%).

As vendas a prazo, no Natal 2008, serão realizadas por: Cheque pré-datado (35% das transações); Cartão de crédito parcelado (31%); Financiamento ou crediário (27%); Cartão de débito parcelado (5%) e cartão da loja parcelado (2%).

No Natal 2007, 47% das vendas foram à vista e 53% a prazo e as preferências de pagamento à vista foram: Dinheiro (38%das transações); Cheques (23%); Cartão de Crédito (20%); Cartão de Débito (14%); Cartão da loja (2%) e outros (3%). As vendas a prazo foram distribuídas em: Cheque Pré-datado (37%das transações); Cartão de crédito parcelado (27%); Financiamento/crediário (25%); Cartão de débito parcelado 5%, o Cartão da própria loja parcelado 2% e outros 4%.

A relação dos meios de pagamentos entre o Natal 2008/2007 mostra uma maior preferência pelos pagamentos à vista agora, provavelmente pelo maior endividamento de parte dos consumidores e pela cautela em se endividar diante das incertezas geradas pela crise mundial.

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