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Por pior
que seja, CEO demora para ser demitido
11-06-2008
Há pouca correlação entre resultados
ruins de curto prazo para o acionista e a demissão
de CEOs nas 2.500 maiores empresas de capital aberto
do mundo. Essa é uma das principais conclusões
da sétima edição da pesquisa CEO
Succession, realizada anualmente pela consultoria de
gestão estratégica Booz & Company.
O estudo descobriu, ainda, que a rotatividade mundial
de CEOs caiu levemente em 2007, mas continua alta.
O estudo também aponta que um dos motivos para
as diretorias demorarem anos para substituir CEOs com
baixo desempenho pode ser a falta de candidatos preparados
para assumir o posto. Essa hipótese ganha força
quando se avalia que as diretorias de empresas norte-americanas
e européias continuam contratando profissionais
de fora da companhia para o cargo de CEO.
A média brasileira de demissões de CEOs
com performance insatisfatória em 2007 se iguala
à média mundial, 13,9%, e fica abaixo
apenas das médias da Europa, 17,6%, e dos Estados
Unidos, 15,2%. Já quando comparados aos profissionais
da Argentina e do Chile, os CEOs com baixo desempenho
no Brasil têm mais chances de serem demitidos.
A possibilidade de os profissionais que atuam na Argentina
serem forçados a deixar o cargo é de 12%
e, no Chile, a média é ainda menor, 6,5%.
“A profissionalização, os avanços
em governança nas empresas e a recente internacionalização
das companhias no Brasil, levaram a média nacional
de rotatividade de CEOs a estar bem em linha com a média
mundial. A rotatividade nos outros países do
Cone Sul apresenta patamares menores, refletindo maior
conservadorismo no ambiente empresarial”, afirma
Paolo Pigorini, sócio da Booz & Company.
As principais conclusões da pesquisa “CEO
Succession 2007: The Performance Paradox” são:
· A porcentagem mundial da rotatividade de CEOs
diminuiu, em 2007, para 13,8%, em comparação
com 14,3% no ano anterior. Isso indica uma tendência
decrescente quando comparada ao ponto mais alto de rotatividade,
15,4%, registrado em 2005. No total, 345 CEOs deixaram
o cargo no ano passado, uma diminuição
de 3,5% em comparação com 2006 e de 10%
em relação a 2005.
· Em 2007, a porcentagem de rotatividade geral
de CEOs europeus foi de 17,6%, significativamente maior
do que a de seus pares da América do Norte (15,2%),
América do Sul (12,2%) e Japão (10,6%).
O crescimento do índice na Europa pode ser atribuído
em grande parte a um aumento no índice de sucessões
planejadas, que foi de 8,3%, em 2007, em comparação
com os 6,8% em nível global.
· Os CEOs na América do Norte têm
de longe a maior média de permanência no
cargo: cerca de oito anos, em 2007.
· A média de tempo no cargo para um CEO
que saiu da empresa em 2007 foi de seis anos, igual
à média encontrada em 1995 e à
média dos últimos 10 anos de estudo.
· Os setores mais estáveis para os CEOs
são: Energia (5,8%) e Indústria (8,8%).
Os setores com o maior nível de rotatividade
são: Telecomunicações (21,7%),
Tecnologia da Informação (17,4%) e Serviços
Financeiros (14,4%).
“A ‘regra de dois anos’ — a
noção de que as diretorias demitem os
CEOs depois de dois ou três anos de resultados
decepcionantes — é um mito”, comenta
Pigorini. “A boa notícia é que os
conselhos de administração estão
concedendo mais tempo aos CEOs para que desenvolvam
e executem suas estratégias. Porém, nossa
experiência sugere que há muito potencial
de melhora na forma como as diretorias supervisionam
seus executivos, planejam as sucessões e desenvolvem
novas lideranças”, acrescenta.
Outras conclusões:
· A porcentagem de demissões se estabilizou.
Em 2007, 4,2% de todos os CEOs das empresas pesquisadas
foram demitidos. Essa é uma porcentagem muito
maior do que a de 1,1% a 2% registrada na década
de 1990, mas apenas levemente superior à média
de 3,8% dos anos 2000.
· As desavenças dentro das diretorias
ainda são grandes. As controvérsias na
diretoria e as lutas de poder geram mais de um terço
de todas as demissões de CEOs, desde 2004.
· As diretorias continuam optando por CEOs de
fora da empresa, embora esses profissionais continuem
a ter um rendimento mais baixo. Mais de 20% de todos
os CEOs são trazidos de fora das empresas, ainda
que, em média, tenham um rendimento menor do
que os profissionais que são promovidos a essa
função. Nos dez anos de estudo, a Booz
& Company revelou que os CEOs norte-americanos trazidos
de fora das companhias tiveram rendimento 1% inferior
ao mercado, enquanto o rendimento dos CEOs europeus
externos foi 2,2% menor do que o mercado.
· Um CEO que também é presidente
do conselho de administração está
mais seguro do que um CEO que não acumula o cargo.
A metade dos CEOs demitidos em 2007 nunca atuou como
presidente do conselho de administração
das empresas. Na Europa, apenas 16,5% dos CEOs demitidos
em 2007 tiveram os dois títulos durante a gestão,
em comparação com os quase 75% na América
do Norte.
· A Europa é o ambiente mais difícil
para os CEOs. Durante os dez anos de levantamento, o
estudo revelou que 37% de todas as sucessões
de CEOs europeus foram forçadas, em comparação
com 27% na América do Norte, e 12% no Japão.
A maior incidência de demissões de CEOs
europeus pode ser resultado das reformas de governança
corporativa sancionadas no final da década 90
por muitos países, como França, Alemanha,
Itália e Reino Unido. Site: www.booz.com
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