Carência de talentos leva empresas a chamar aposentados

11-09-2008

A falta de profissionais aptos a lidar com o mercado e com conhecimento técnico tido como adequado está colaborando para a revisão de práticas e (pré-) conceitos relacionados aos executivos. O cenário já levou algumas companhias a até mesmo optar por trazer de volta à vida corporativa profissionais já aposentados. Este é o resultado principal de pesquisa realizada pela DBM, consultoria especializada em capital humano.

Realizada no primeiro semestre de 2008, a pesquisa considera a opinião de 179 profissionais de recursos humanos de companhias de pequeno, médio e grande porte, de capital nacional ou multinacional em operação no Brasil.

Segundo os dados colhidos, no passado recente, ao menos 33 gestores de Recursos Humanos tiveram de trazer de volta às suas empresas profissionais aposentados para fazer frente à falta de talentos com a qual lidavam.

Em cinco dos casos, os executivos retornaram para assumir posições estratégicas - leia-se no Conselho de Administração ou no alto escalão das empresas. Nos 28 outros casos registrados, porém, os aposentados retornaram para posições operacionais para as quais não se localizava profissionais com igual expertise.

"Os números de executivos que são convidados a retornar para as empresas depois da aposentadoria ainda são modestos, mas sugerem que as empresas estão tendo que repensar suas políticas em relação aos profissionais de mais idade, por conta da necessidade crescente de profissionais que reúnam conhecimento técnico e experiência, que em muitos segmentos de mercado, estão em falta", explica Cláudio Garcia, presidente da DBM para o Brasil e América Latina.

"O aquecimento econômico fez o mercado brasileiro experimentar um novo contexto e muitas companhias, como reflexo, têm agora de repensar sua relação com seus profissionais", completa.

Segundo a pesquisa, representantes de 82 empresas consideram que buscar profissionais aposentados para preencher vagas não foi ainda algo necessário em suas companhias, mas que a hipótese é uma solução passível de ser aplicada para que se faça frente à falta de talentos do mercado.

Dos 179 pesquisados, apenas 37 executivos de RH (ou 20,67% da base total) disseram que a solução não seria considerada legítima ou aplicável, por ir contra a cultura de suas empresas. Já 15,08% optaram por não responder a questão.

"A motivação para isso é a falta de talentos - que, ao pressionar o mercado, contribui para a mudança de percepção", afirma Pedro Frascino, consultor da DBM e um dos responsáveis pela análise dos dados.

Segundo Frascino, vale considerar que é crescente o número de companhias que optam por convocar profissionais mais velhos para colaborar com sua gestão, porém, de maneira indireta: atuando como consultores.

"Desta maneira, os profissionais de mais idade voltam a colaborar para as companhias com suas experiências - um ativo excepcionalmente valioso no atual contexto", diz Frascino. "É um fenômeno interessante e positivo. Ele possibilita aos profissionais seniores colaborar intensamente para a formação dos executivos mais novos, mas principalmente colabora para que os mais novos pensem também no seu futuro e na sua aposentadoria".

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