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Pequenas
empresas fecharam semestre com queda na receita
13-08-2008
As micro e pequenas empresas paulistas apresentaram
queda de 1,5% no faturamento entre janeiro e junho de
2008, em comparação ao primeiro semestre
do ano passado, já descontada a inflação.
O comércio foi o único setor com desempenho
positivo no período, com um aumento no faturamento
de +1,2%. As maiores perdas foram verificadas na indústria,
com redução de 6,1%, seguida dos serviços,
com queda de 3,2%. A receita total no período
foi de R$ 128,5 bilhões.
Entretanto, existe sinalização de reversão
deste quadro. No mês de junho, o faturamento real
as pequenas indústrias paulistas foi 5,6% maior
que no mês de maio. “Isso já é
um indício de retorno à trajetória
de crescimento, possivelmente associado aos primeiros
pedidos do final do ano”, analisa Marco Aurélio
Bedê, gerente do Observatório das Micro
e Pequenas Empresas do Sebrae-SP.
Por conta disto, Ricardo Tortorella, diretor-superintendente
do Sebrae-SP, prevê que 2008 não seja tão
bom quanto era projetado, mas ainda assim o segmento
das micro e pequenas empresas deve fechar com desempenho
igual ao do ano passado (alta de 4% do faturamento real
em comparação com 2006) ou com uma pequena
alta em termos de vendas. "O primeiro semestre
foi prejudicado pela inflação, mas no
segundo semestre o impacto da alta dos preços
será menor para as pequenas empresas”,
afirma.
Por regiões, no Grande ABC foi verificada a
maior retração no primeiro semestre, com
índice 4,8% menor que igual período do
ano passado. O município de São Paulo
(-2,9%) e o Interior (-2,4%) também apresentaram
queda. A Região Metropolitana foi a que apresentou
a menor variação negativa, fechando o
semestre com índice de - 0,8% no faturamento.
Os dados constam da pesquisa Indicadores Sebrae-SP,
pesquisa realizada mensalmente pela entidade junto a
2,7 mil micro e pequenas empresas da indústria,
do comércio e serviços na capital, região
metropolitana de São Paulo, Grande ABC e interior.
Já o rendimento dos empregados nas MPEs apresentou
variação positiva de 3,5% no semestre
contra igual período do ano passado. O setor
que apresentou maior taxa de crescimento na remuneração
dos empregados foi o comércio, com aumento de
4,4%, seguido pelos serviços, que pagou salários
e gratificações 3,5% maiores que igual
período do ano passado. O Grande ABC foi a região
onde se verificou o maior aumento no rendimento dos
empregados das MPEs, com índice 7,4% maior que
o mesmo período do ano passado, seguido pelo
interior (+3,6%), pela Região Metropolitana de
São Paulo (+2,5%) e pela capital (+2,3%).
De maneira geral, considerando os três setores,
na média das MPEs paulistas o gasto com folha
de salários apresentou uma queda média
de 4,4%, comparado a igual período do ano passado.
De acordo com Marco Aurélio Bedê, coordenador
da pesquisa, em média, as empresas estão
se tornando mais enxutas em termos de pessoal. Assim,
embora o rendimento por empregado esteja aumentando,
o gasto total das empresas com folha de salários
está apresentando uma redução.
“Mais empresas estão sendo abertas, mas
em média, as empresas novas são cada vez
menores em termos de pessoal. Assim, o número
total de empresas e de empregados cresce no setor dos
pequenos negócios, e verificamos uma redução
do porte médio dessas empresas”, analisa
o economista.
A maior queda do gasto médio com folha de salários
foi verificada no setor de serviços, com queda
de 8,8%, seguido da indústria (-3,8%) e do comércio
(-1,7%). Por região, as empresas do Interior
foram as que gastaram menos com salários (-6,3%).
A seguir, vêm a capital e o Grande ABC, com variação
negativa de -4,3% e -4,0% respectivamente.
O índice de pessoal ocupado médio por
empresa também apresentou queda no primeiro semestre,
registrando uma retração de 4,2% no total
geral, incluindo os três setores. A maior queda
foi verificada no setor de serviços (-5,3%),
seguida pelo comércio (-4,7%) e pela indústria
(-1,4). Por regiões, a maior redução
ocorreu no Grande ABC (-8,6%), seguido do Interior (-4,5%),
do Município de São Paulo (-4,3%) e da
Região Metropolitana, com queda de 3,9%.
Expectativas
Os empresários paulistas das micro e pequenas
empresas (MPEs) estão mais otimistas em relação
ao próximo semestre. Um total de 45% dos empresários
ouvidos em julho pela pesquisa Indicadores Sebrae-SP
esperam faturar mais nos próximos seis meses.
O índice é dez pontos percentuais acima
do detectado em junho, quando 35% dos entrevistados
acreditavam ter aumento de faturamento nos próximos
seis meses.
O cenário para a economia brasileira no segundo
semestre também é positivo para os empresários,
já que 43% dos entrevistados em julho esperavam
uma melhora da economia brasileira nos próximos
seis meses, sobre 33% no mês de junho. “A
melhora nas expectativas dos empresários pode
ser atribuída à movimentação
que já se detecta na economia para atender as
vendas de final de ano, particularmente no setor da
indústria”, explica Bedê.
Conjuntura econômica
Especialistas continuam projetando crescimento da economia
brasileira, devido à melhora do mercado interno,
a partir da recuperação da renda do trabalhador
e da expansão da oferta de crédito ao
consumidor.
Nesse quadro, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro
cresceu 5,8% no 1º trimestre de 2008 sobre o 1º
trimestre de 2007. Nos próximos meses, de acordo
com o Banco Central do Brasil (Bacen), os analistas
de mercado prevêem um crescimento num ritmo menor:
+4,8%.
Entre os fatores que contribuem para essas projeções
de crescimento mais modesto estão o aumento da
inflação, que reduz o poder de compra
da população, e a estratégia de
aumentos nas taxas de juros.
Os analistas de mercado projetam uma inflação
de 6,58% para 2008, medida pelo IPCA-IBGE. A meta estipulada
para o IPCA em 2008 é de 4,5%, com dois pontos
porcentuais de tolerância.
Indicadores
Realizada em parceria com a Fundação
Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade),
a pesquisa Indicadores Sebrae-SP monitora mensalmente
o desempenho das MPEs em todo o Estado, medindo as taxas
de faturamento, pessoal ocupado, gastos com salários,
rendimento médio do trabalhador e expectativas
dos empresários. Apresenta também dados
para quatro regiões: capital (cidade de São
Paulo), Grande ABC, Região Metropolitana de São
Paulo (39 municípios) e Interior.
O estudo completo está disponível em
www.sebraesp.com.br,
clicando em “Conhecendo a MPE”, seção
“Indicadores”.
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