RH deve preparar plano B para 2009, em função da crise

14-10-2008

Os profissionais de Recursos Humanos devem preparar, já, um Plano B para 2009, caso a crise se acentue e provoque perdas maiores às empresas, a fim de evitar cortes unilaterais de reajustes e benefícios. O alerta é do diretor-geral da Hewitt Associates, Carlo Hauschild, responsável pela operação brasileira. A consultoria de RH acaba de apresentar a edição 2008 das pesquisas de Remuneração e Aumentos Salariais.

A projeção é que, em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 3,5%, a inflação fique em torno de 4,85% (IPCA) e 5% (INPC), e que o reajuste médio dos executivos via acordo coletivo seja 5,8%; igual índice da inflação para supervisores; 5,9% para profissionais em geral, e 6,1% para o operacional.

Já os aumentos salarias totais - resultado da soma do acordo coletivo e do aumento por mérito - devem ser de 7,6% para executivos; 7,7% para supervisores e profissionais em geral e 7,3% para o operacional.

Hauschild deixou claro, contudo, que um agravamento da crise mundial e de suas conseqüências na economia brasileira poderão pressionar esses reajustes ao encontro do índice de inflação, e nada além disso. Assim, o ganho real estimado para 2009 pode se tornar uma margem de manobra para redução de custos com pessoal.

Segundo a pesquisa, em 2008, as empresas tiveram de conceder elevados índices de aumentos salariais por força de acordos coletivos. E isso as levou a reduzir os aumentos salariais por mérito. Em 2009, o cenário tende a se manter semelhante ao de 2008:

· Acordos coletivos com percentuais próximos ao do IPCA e INPC; ganhos de produtividade em queda; aumento no escalonamento;

· Aumentos salariais por mérito com percentuais mais baixos; maior seletividade na escolha dos beneficiados; foco em áreas e posições críticas para a empresa; foco em Top Performers/High Potentials.

(Top performers são os profissionais que fazem a diferença em uma empresa, por seu desempenho. High potentials são aqueles que demonstram grande potencial de ser top performers)

Orçamentos para aumentos salariais gerais - Acordo coletivo

 

Executivo

Supervisor

Profissional

Operacional

2007

4.1%

4.2%

4.7%

4.2%

2008*

5.7%

5.6%

5.8%

6.0%

Projeção 2009

5.8%

5.8%

5.9%

6,1%

Orçamentos para aumentos salariais – Mérito

 

Executivo

Supervisor

Profissional

Operacional

2007

4.4%

4.0%

4.0%

2.9%

2008

3.1%

3.0%

2.8%

2.8%

Projeção 2009

3.2%

2.9%

2.6%

2.4%

"Devido ao agravamento recente e à incerteza em relação à extensão e profundidade da crise econômica e seus impactos as empresas têm adotado posturas mais conservadoras na gestão salarial", comenta Patricia Hanai, consultora sênior de Remuneração.

A pesquisa constatou alguns impactos imediatos, como os aumentos por mérito que apresentaram níveis inferiores a 2007; a distribuição de remuneração variável que teve níveis próximos a 2007; o adiamento do lançamento de programas com ganhos mais agressivos; a estabilidade da adoção de programas de Incentivos de Longo Prazo com ligeira redução de Stock Options, e aumento de Restricted Stock.

"No cenário atual, como profissional de RH, é preciso apoiar a atração/retenção dos profissionais com foco nas oportunidades de desenvolvimento profissional e perspectivas de carreira no longo prazo", destaca Hanai.

As pesquisas de Remuneração Total (TCM) e de Aumentos Salariais (SIS) contaram com a participação de 187 empresas dos seguintes segmentos: Tecnologia (15%); Outras Manufaturas (14%); Bens de Consumo (13%); Automotivo/ Autopeças (11%); Químico (11%); Varejo (9%); Farmacêutico (7%); Serviços (9%); Metalurgia (4%); Equipamentos Médicos (4%) e Elétrico Eletrônico (4%).

Cerca de 1/3 das empresas participantes faturam entre R$ 200 milhões e R$ 700 milhões/ano. A maior parte das empresas pesquisadas tem capital de origem norte-americana (46%); brasileira (17%); alemã (10%); francesa (8%); holandesa (4%). Site: www.hewitt.com.br


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