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Estudo
traça perfil das sociedades de advogados em São
Paulo
15-02-2008
A contínua atualização educacional
é o caminho mais valorizado pela elite das sociedades
de advocacia para a ascensão profissional. Essa
é uma das conclusões extraída da
pesquisa “Sociedade de Advogados e Tendências
Profissionais” produzida pela professora Luciana
Gross Cunha, da Direito GV, em parceria com a professora
Gloria Bonelli, e as pesquisadoras Fabiana Luci Oliveira
e Natália Silveira, da Universidade Federal de
São Carlos.
A equipe passou dois anos avaliando o perfil de 239
profissionais que advogam nas principais bancas de São
Paulo. “A idéia era conhecer um pouco o
perfil deste profissional, principalmente dos advogados
mais jovens, e estabelecer as principais tendências
de mercado”, destaca Gloria Bonelli, especialista
em sociologia das profissões. Dentre os entrevistados,
64,7% tinham entre 23 e 30 anos, 28% entre 31 e 40 anos,
3% entre 41 e 50 anos e 4,3% com 51 anos ou mais.
Quando questionados sobre o que mais influencia o sucesso
de uma sociedade de advogados, a esmagadora maioria
(98%) respondeu que o investimento na formação
dos advogados é um fator muito importante, percentual
praticamente igual ao dos que acreditam que a capacidade
de conquista de novos clientes é a mais valorizada
(99%).
Outras respostas que tiveram muito destaque foram a
forma de administração da sociedade, com
96% das respostas, e a notoriedade de seus sócios
(95%). O questionário admitia mais de uma resposta.
Por outro lado, os fatores menos apontados para explicar
o sucesso de uma sociedade foram o número de
sócios (38,4%) e o fato de existirem metas de
produção (69,5%).
A pesquisa também procurou inquirir o que leva
um profissional a buscar um curso de pós-graduação,
e 60,5% dos respondentes afirmaram que a ascensão
na carreira é um objetivo para a procura da pós,
contra 55,6% que disseram que a possibilidade de dedicação
à área acadêmica é muito
importante e 52,5% que acham que um curso de pós-graduação
pode melhorar o currículo. Apenas 7,4% dos respondentes
vêem na pós-graduação uma
oportunidade de mudar de área de atuação,
enquanto 5,9% dos respondentes acreditam que o programa
de pós irá ajudá-los em seu aperfeiçoamento
profissional.
Um fator importante extraído do levantamento
é o grau de relacionamento dos entrevistados
com outras instâncias do mundo jurídico:
50,2% dos respondentes afirmaram ter parentes na área
jurídica. Deste total, 77% são advogados,
12% juízes, 9% procuradores e 2% delegados. “Esse
dado mostra que ainda há uma grande influência
da família na escolha dos jovens pelas profissões
jurídicas, como também há oportunidade
de ser acolhido no escritório do pai/parente”,
aponta a professora Gloria Bonneli.
Por fim, outro dado relevante extraído do material
relaciona-se à área de atuação
dos entrevistados. Ainda há uma grande atuação
nas chamadas áreas “tradicionais”
do direito: 62,2% atuam em áreas como civil,
contencioso, penal, etc, enquanto 26,5% dos entrevistados
atuam em áreas do direito envolvidas em negócios,
8% em áreas dominada pelo direito público
e 3,4% em novas áreas, direitos difusos ou direto
da arbitragem.
Porém, na avaliação da professora,
a tendência é que a área de negócio
cresça paulatinamente. “Está ocorrendo
uma migração dos advogados homens, que
estão saindo das áreas tradicionais e
indo para os ramos envolvendo negócios. As mulheres
estão entrando para substituí-los nos
ramos mais tradicionais”.
A participação feminina nas áreas
tradicionais do direito explica-se, na opinião
da professora, pelo fato de que grande parte das mulheres
torna-se advogadas associadas de escritórios
de porte médio.
“Em geral, essa posição permite
à mulher ter maior flexibilidade e conciliar
vida pessoal, maternidade e a carreira profissional.
Por outro lado, as maiores bancas – que geralmente
atuam com direito de negócios - exigem mais comprometimento
de seus advogados e, nesse ponto, os homens levam vantagem,
pois podem disponibilizar mais tempo para se dedicar
a eventos indiretamente ligados ao mundo dos negócios,
como encontros com clientes e happy hours”.
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