Inflação derruba confiança do consumidor, diz Fecomercio

16-07-2008

As recentes pressões inflacionárias, observadas principalmente nos preços dos alimentos, tiveram impacto direto sobre o otimismo dos consumidores que vivem na cidade de São Paulo. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), apresentou queda de 8% em julho e atingiu 131,5 pontos, a maior retração desde setembro de 2005 quando apurou retração de 13%, totalizando 109,5 pontos. Vale lembrar que o ICC varia de 0 a 200, mostrando pessimismo abaixo de 100 pontos e otimismo acima desse patamar.

A reação está em consonância com o Índice de Preços no Varejo (IPV), também medido pela Fecomercio, que em junho registrou alta de 1,25%, a segunda maior variação registrada em 2008, atrás de maio quando subiu 1,46%. Os avanços verificados em Açougues (8,65%), Supermercados (2,67%) e Padarias (0,88%) foram os responsáveis pelas pressões no IPV. Somados, os três grupos representam cerca de 38% na composição geral do índice. De abril a junho, o IPV acumula alta de 3,24%. A expectativa para julho é de que os preços sigam em ascensão. Diante disso, de abril a julho, o ICC registra queda de 17 pontos, cerca de 12%.

A segmentação por gênero e faixa de renda mostra que as mulheres e os que ganham menos de 10 salários mínimos são os mais pessimistas. Nestes dois grupos, o ICC apresentou variações negativas de, respectivamente, 11,2% (126,1 pontos) e 8,7% (127 pontos), no mês de julho. A queda na confiança fica ainda mais evidente quando analisado o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC). Entre elas, a retração foi de 11,4% (120 pontos) quanto às condições econômicas futuras e para os que têm rendimento inferior a 10 salários mínimos, a queda foi de 9,2% (120,5 pontos).

Os resultados refletem de forma clara a preocupação das mulheres com as conseqüências econômicas que o avanço da inflação pode ter na vida das famílias e do próprio país. Isso porque, ainda na maioria dos casos, elas são as responsáveis pela administração do orçamento doméstico e têm maior contato com o dia-a-dia dos preços, principalmente dos alimentos.

Por sua vez, os consumidores com renda mais baixa parecem sentir com maior intensidade as dificuldades da elevação dos preços, principalmente no que se refere aos alimentos, uma vez que a proporção de gastos com alimentos em relação aos seus orçamentos é alta. Segundo o IPV, o setor de Supermercados registrou alta de 5,87% no acumulado do primeiro semestre do ano.

Segundo a Fecomercio, os resultados mostram a dimensão negativa que a alta dos preços teve na percepção dos consumidores paulistanos tanto no presente como no futuro. De modo geral, o Índice de Condições Econômicas Atuais (ICEA), que registra a percepção em relação ao presente, apresentou queda de 7,9% e atingiu 140,3 pontos. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que mede a confiança futura, mostrou retração de 8% e totalizou 125,7 pontos. Esse dado é particularmente relevante, pois sinaliza que os consumidores não acreditam na melhoria do atual cenário de altas nos preços, pelo menos a médio prazo.

A entidade conclui que os resultados do ICC – tanto globais quanto segmentados - evidenciam a apreensão generalizada dos consumidores em relação às expectativas futuras de inflação e os impactos que esse avanço nos preços pode gerar sobre o crescimento econômico e, principalmente, os reflexos no mercado de trabalho e na renda.

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