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Endividamento
do paulistano fechou o ano em alta
16-12-2008
O nível de endividamento dos consumidores paulistanos
encerra 2008 com quase estabilidade em relação
a novembro, passando de 49% para 50% em dezembro. Em
relação ao mesmo mês do ano anterior,
quando o indicador atingiu 48%, há uma alta de
dois pontos percentuais. Esses dados fazem parte da
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor
(PEIC) da Federação do Comércio
do Estado de São Paulo (Fecomercio).
Do total de consumidores endividados, cerca de 30%
estão inadimplentes - possuem contas em atraso.
Em relação a novembro, há queda
de sete pontos percentuais e de seis pontos percentuais
no comparativo interanual. Com a proximidade das festividades
de final de ano, os consumidores procuram quitar o saldo
das dívidas em atraso, principalmente com o recebimento
do 13º salário, e com isso evitar possíveis
problemas de restrição de crédito
para a realização de novas compras.
Segundo a Fecomercio, a expansão da massa real
de rendimentos e a oferta de crédito impediram
que o aumento do endividamento das famílias paulistanas
refletissem em elevados níveis de inadimplência
ao longo de 2008. Adicionalmente, no final do ano, tem
a entrada de recursos do 13º salário, contribuindo
para a redução do nível de consumidores
endividados com contas em atraso.
A expectativa da entidade para 2009 é que os
níveis de endividamento e inadimplência
dos consumidores dependerão da intensidade dos
reflexos das variáveis macroeconômicas
na economia brasileira. Mas como a perspectiva é
de desaceleração do ritmo de crescimento
da economia e isso traz como conseqüência
uma redução dos níveis de emprego,
renda e oferta de crédito, a tendência
é de que a inadimplência seja maior no
próximo ano.
A PEIC mostra ainda, que quanto menor a renda, maior
é o nível de endividamento dos consumidores.
Na análise por renda, 53% dos consumidores que
recebem até 3 salários mínimos
e também os que ganham de 4 a 10 salários
mínimos possuem algum tipo de dívida.
Já os que possuem rendimentos acima de 10 salários
mínimos, o percentual de endividamento alcança
38%.
Isso acontece devido a expansão da oferta de
crédito verificada nos últimos anos, que
proporcionou a entrada das pessoas de baixa renda no
mercado consumidor. Isso permitiu que o consumo nesse
segmento de baixa renda aumentasse em R$ 118 bilhões
de reais entre 2002 e 2006, sendo que, apenas em 2006
o movimento ultrapassou R$ 550 bilhões, segundo
dados do IBGE.
Em relação à inadimplência,
41% dos endividados com renda até 3 salários
mínimos estão com contas em atraso, contra
24% dos que ganham entre 4 e 10 salários mínimos,
e 21% entre os que possuem renda acima de 10 salários
mínimos.
O cartão de crédito continua sendo o
grande vilão dos paulistanos, a exemplo do que
aconteceu ao longo de 2008. Cerca de 46% dos consumidores
possuem dívidas nesta modalidade. Em seguida,
com 29%, estão os carnês.
Com relação ao prazo médio de
comprometimento da renda dos consumidores com dívidas,
a maior incidência é verificada no período
de por mais de 1 ano (30%). O restante divide-se entre
os seguintes períodos: de 3 meses a 6 meses (24%),
de 6 meses a 1 ano (22%), e até 3 meses (23%).
Quando indagados sobre as principais despesas que afetaram
as dívidas atuais, 33% dos consumidores apontaram
gastos com alimentação, seguido por gastos
com eletrodomésticos e eletroeletrônicos
(22%), vestuário (23%), móveis (17%),
veículos (13%), remédios (7%) e financiamento
imobiliário (3%).
Na análise segmentada por sexo nota-se que os
homens estão discretamente mais endividados que
as mulheres (50% e 49% respectivamente). Por outro lado,
na divisão por faixa etária, observa-se
os consumidores com idade entre 18 e 34 anos estão
mais endividados que os acima de 35 anos (52% e 51%
respectivamente).
No que diz respeito a intenção do pagamento
de contas em atraso houve melhora nas expectativas devido
ao recebimento do 13º salário. Entre os
consumidores endividados com contas em atraso em dezembro,
28% acreditam não ter condições
de pagar total ou parcialmente as suas dívidas,
registrando uma queda de 4 pontos percentuais em relação
ao mês anterior. Por outro lado, entre os consumidores
que informaram a intenção de pagar total
ou parcialmente as suas dívidas em atraso, passou
de 66% para 70%.
Em relação ao tempo de atraso de dívidas,
constatou-se que para 38% dos pesquisados o prazo é
acima de 90 dias, enquanto que para 27% o período
é de até 30 dias. Já para 22% o
atraso é de 30 a 60 dias e para outros 14%, o
tempo de atraso das dívidas é de 60 a
90 dias.
A PEIC mostra ainda que mais pessoas tentaram renegociar
suas dívidas neste mês. Enquanto em novembro
43% dos entrevistados informaram que procuraram acertar
as dívidas com credores, em dezembro o percentual
atinge 48%. A taxa de juro elevada foi a principal dificuldade
encontrada por 56% dos consumidores, seguida da falta
de recursos financeiros (31%), prazo de pagamento curtos
(2%) e credor não admite renegociação
(8%).
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