Inadimplência dos consumidores fechou ano em alta

17-01-2008

A inadimplência dos consumidores encerrou 2007 com um aumento de 1,7% em relação a 2006. É o que revela o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Física, que também aponta uma alta de 10,2% na inadimplência dos consumidores na relação de dezembro de 2007 com dezembro de 2006. Já na variação mensal (dezembro com novembro de 2007) houve queda de 1,5% na inadimplência das pessoas físicas.

O aumento da inadimplência do consumidor brasileiro se agravou no último trimestre de 2007, afirmam os técnicos da Serasa. A expansão do endividamento, com prazos mais longos oferecidos no crédito, facilitou o acúmulo de dívidas por parte de consumidores não organizados financeiramente. Para outros consumidores, o alongamento dos prazos de financiamento aliado à queda das taxas de juros viabilizaram a programação de seus compromissos e isso foi bem refletido pela continuidade da demanda por crédito consignado.

Os fatores que mais contribuíram para atenuar um crescimento maior da inadimplência foram o aumento da massa salarial e do emprego formal (com carteira assinada). Por outro lado, segundo os técnicos, o avanço da inflação, em alguns produtos básicos e administrados, determinou uma menor renda disponível do consumidor para o pagamento de dívidas.

No balanço do ano, a evolução da inadimplência de 1,7% comparada com a do crédito, que até novembro acumulou alta de 31,3% segundo o Banco Central, determina uma relação muito favorável para o crédito. Porém, quando analisada a própria série histórica da inadimplência, este crescimento de 1,7% ocorre sobre bases elevadas. Em 2006 a inadimplência cresceu 10,3% e em 2005, 13,5%. Pode-se afirmar que a inadimplência do consumidor está praticamente estabilizada em patamares elevados, o que também tem sido ponto de resistência à redução maior das taxas de juros pelo mercado.

Dívidas com os bancos

As dívidas com os bancos ficaram em primeiro lugar no ranking de representatividade da inadimplência das pessoas físicas em 2007, com uma participação de 40,1%, acima da registrada em 2006, quando teve um peso de 32,5% no indicador. Em segundo lugar, vêm, com participação de 30,2%, as dívidas com cartões e financeiras, que em 2006 representavam 32,8%.

Os cheques sem fundos aparecem em terceiro lugar, com uma representatividade de 27,2% em 2007, abaixo dos 31,8% egistrados em 2006. Por fim os protestos, que têm menor peso na inadimplência de pessoa física, apresentaram no ano passado uma participação de 2,6%, e em 2006, 2,9%.

Segundo o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Física, em 2007, o valor médio das anotações de cheques sem fundos das pessoas físicas foi de R$ 611,25. Quanto às dívidas com as instituições financeiras, o valor médio dos registros, em 2007, ficou em R$ 1.286,73. As dívidas com cartões de crédito e financeiras registraram valor médio de R$ 364,02 no ano passado e os registros de títulos protestados, no mesmo período, ficaram em R$ 883,32.

No decorrer de 2007, houve um aumento de 8,1% no valor médio das anotações das dívidas com cartões de crédito e financeiras e de 10,2% no valor médio dos registros de inadimplência das dívidas com os bancos, em relação a 2006. O valor médio dos registros de cheques sem fundos em 2007 aumentou 4,8% na comparação com 2006, e dos protestos apresentou alta de 11,9% no período.

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