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Estudo
mostra efeitos da crise no planejamento salarial de
2009
17-12-2008
As empresas do Brasil, Argentina, Chile, México,
Porto Rico e Venezuela já definiram, em seu planejamento
para 2009, congelamento de contratações,
menores reajustes salariais e, em menor escala, redução
das promoções e até demissões.
No Brasil, mais de 40% das empresas participantes da
pesquisa da Hewitt prevêem demissões em
função da crise econômica, índice
só superado pelos 45% da Argentina.
Congelar contratações é a medida
com maior índice nas empresas da América
Latina, principalmente no Chile (quase 80%). A Venezuela
foi o país com menor índice de empresas
que pretendem demitir colaboradores: 18%.
“A crise já é uma realidade para
as empresas destes seis países, embora ainda
seja difícil avaliar o quanto impactará
o Produto Nacional Bruto de cada um deles em 2009. De
qualquer maneira, já provocou mudanças
abruptas nos reajustes previstos para o ano que vem,
e nas contratações. O cenário mais
provável é de congelamento de vagas, com
reajustes salariais menores, em intervalos de tempo
maiores”, diz Patrícia Hanai, consultora
sênior de Remuneração e Recompensas.
“Já quanto às demissões,
no curto prazo o aumento do desemprego não tende
a aparecer nos indicadores oficiais da economia brasileira,
principalmente, devido à diferença de
tempo entre a realização dos cortes, a
apuração realizada pelos institutos de
pesquisa e o aumento do consumo desta época do
ano. No entanto, no longo prazo e com o agravamento
da crise, a tendência é de alta",
ressalta Patrícia.
Aumentar o intervalo entre os reajustes salariais será
uma das medidas, por exemplo, para 23% das empresas
mexicanas que participaram da pesquisa. Congelar salários,
para 30% das empresas brasileiras.
Em dois meses, houve acentuada mudança de planos
para a remuneração em 2009. Em todas as
categorias profissionais da pesquisa houve queda na
perspectiva de reajuste. No Brasil, a queda do reajuste
previsto foi de 7,5% para 6,5%, aproximadamente, portanto,
pouco acentuada. Na Argentina, contudo, com índices
inflacionários bem mais expressivos, o reajuste
médio caiu de 20%, para 18,5%.
Somente na Venezuela, também com crescimento
explosivo da inflação, a previsão
de reajuste foi alterada para cima: de 25% a 27%, para
32% a 36%.
Uma boa notícia é que as empresas de
todos os países pesquisados preocupam-se, sobremaneira,
com a retenção dos profissionais de alto
desempenho e alto potencial, profissionais críticos
e essenciais para as empresas em tempos de crise. Quase
60% das brasileiras, por exemplo, pensam em reservar
parte da previsão de reajuste salarial para estes
profissionais. Também pensam em investir em treinamento
e aprendizagem, e, em menor escala, nas recompensas
com ações da empresa.
Menos afetados são os planos de remuneração
variável (mais em 2008 do que em 2009). Na Argentina,
haverá redução em 2008, em 100%
das empresas pesquisadas, mas em 50% deste total em
2009. No Brasil, o panorama é inverso: haverá
redução superior a 10% em 15% das empresas
em 2008; e em 23%, em 2009.
“Em tempos de crise, as empresas falham porque
entram em pânico, fazem demissões indiscriminadas,
focam no curto prazo e não se comunicam adequadamente
com os colaboradores” comenta Hanai.
No entanto, empresas que obtiveram destaque em períodos
como este, tomam ações diferentes, entre
elas:
– Enfrentam as mudanças de forma proativa
e têm um objetivo, um rota definida;
– Colocam os líderes da empresa à
frente para dirigir e inspirar;
– Vêem nos tempos de crise uma oportunidade
para realizar as mudanças necessárias
(incluindo os modelos de RH);
– Comunicam as mudanças e os cortes com
eficácia e como estas mudanças irão
beneficiar a empresas e os colaboradores;
– As empresas com colaboradores de alto desempenho
e engajados sabem que irão se recuperar com rapidez.
Recomendações consultoria, em lugar de
medidas extremas:
– Pensar estrategicamente;
– Focar a remuneração em talentos-chave
(colaboradores de alto desempenho, alto potencial e
força de vendas);
– Promover a diferenciação na remuneração
variável;
– Monitorar constantemente o engajamento dos
colaboradores, transformando os resultados das pesquisas
de clima em ação e focando os investimentos
na gestão eficaz de pessoas;
– Comunicar e esclarecer.
A pesquisa foi realizada com 217 empresas, de seis
países (Argentina, Brasil, Chile, México,
Porto Rico e Venezuela). Site: www.hewitt.com.br.
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