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Gestão de talentos
é o maior desafio do RH
21-08-2008
O gerenciamento de talentos é o maior desafio
da área de recursos humanos, e permanecerá
no topo das prioridades de líderes mundiais num
futuro próximo. É o que conclui o novo
relatório do The Boston Consulting Group (BCG),
consultoria em estratégia e gestão empresarial,
realizado em parceria com a World Federation of Personnel
Management Associations (WFPMA).
O estudo Creating People Advantage: How to Address
HR Challenges Worldwide Through 2015 analisa o resultado
de uma pesquisa realizada com 4.471 executivos de RH
e de outras áreas em 83 países. O levantamento
colheu a opinião desses profissionais sobre 17
tópicos ligados à gestão de recursos
humanos e a 194 ações e direcionamentos
específicos. O relatório mostra que o
equilíbrio entre a vida pessoal e profissional
dos funcionários e o desenvolvimento de lideranças
também estão entre os principais desafios.
Segundo especialistas, ao longo das últimas
décadas, o ritmo das transformações
tem produzido alterações significativas
nas sociedades e nos modelos de negócios. Talento
e liderança estão se tornando recursos
cada vez mais limitados. Essa escassez resulta em alterações
importantes na complexidade dos negócios e nas
expectativas dos funcionários. Como conseqüência,
a área de recursos humanos de uma empresa é
parte cada vez mais essencial no sucesso profissional,
e sua relevância se acentuará ainda mais
no futuro.
À medida que os negócios se expandem
e alcançam novos mercados, as empresas enfrentam
um contexto de RH cada vez mais complexo e se deparam
com importantes desafios, especialmente para recrutar
e reter talentos estrangeiros e integrar diferentes
culturas. Reflexo da globalização e da
competição crescentes, o gerenciamento
de talentos foi apontado como o maior desafio de RH
por nove dos 17 países analisados em profundidade,
incluindo Estados Unidos, Austrália, Cingapura,
Japão e Inglaterra, e está entre as três
maiores prioridades de 14 deles.
A pesquisa revelou que os executivos das regiões
estudadas esperam que suas empresas impulsionem e incentivem
a procura global por talentos. Embora atualmente poucas
empresas estejam levando seus negócios para novos
lugares, em busca de mais acesso a pessoas, executivos
apostam que essa tendência será a que crescerá
com maior velocidade até 2015.
“As empresas são sistemas sociais complexos,
que requerem clareza de objetivos, liderança
e gestão. As que apresentarem habilidade para
ganhar vantagem competitiva por meio de estratégias
de recursos humanos estarão à frente dos
concorrentes”, diz Rainer Strack, sócio
do BCG na Alemanha e um dos autores do relatório.
Além disso, a força de trabalho está
envelhecendo, e as pessoas estão tendo menos
filhos. Depois de anos reestruturando e reduzindo os
quadros de trabalhadores, muitas empresas em breve terão
de lidar com o inverso: dificuldade para contratar pessoas
para ocupar cargos estratégicos e para substituir
o valioso conhecimento dos colaboradores em idade de
aposentadoria.
“Será mais difícil identificar
e reter talentos”, continua Strack. “Problemas
surgirão em função da perda de
conhecimento e de produtividade, se as empresas não
começarem a se preparar, hoje, para a falta de
mão-de-obra em cinco ou dez anos. Os executivos
deveriam analisar os riscos de capacidade e produtividade
de cada local, unidade e tipo de trabalho e, com esses
dados, desenvolver medidas para diminuir os problemas
previstos”.
Outros desafios
O bem-estar emocional dos funcionários também
é cada vez mais importante. Se no passado a maioria
dos funcionários ambicionava ficar na mesma empresa
até a aposentadoria, ou pelo menos no mesmo setor
de atividade, atualmente essa expectativa mudou. Segundo
o relatório, cada vez mais os profissionais escolherão
cargos e farão sacrifícios profissionais
com base em considerações familiares e
no desejo de uma vida mais completa fora do trabalho.
Administrar a vida pessoal e profissional aparece como
prioridade em todas as regiões estudadas, exceto
na região do Pacífico, e está entre
os três maiores desafios no Chile, Argentina,
Brasil, Canadá, Índia, Itália,
Cingapura e África do Sul.
Oferecer horários flexíveis é
uma das iniciativas que se destacaram na pesquisa. Mais
de 60% dos executivos entrevistados disseram que suas
empresas já oferecem horários alternativos,
e 80% disseram que planejam implementar o projeto até
2015. Oferecer jornadas de meio período foi a
segunda opção considerada para o futuro.
“Colaboradores, especialmente os mais talentosos,
sempre fazem escolhas baseadas em fatores como flexibilidade
de horários e gratificação emocional”,
diz Andrew Dyer, líder mundial de Prática
de Organizações do BCG e co-autor do relatório.
Aperfeiçoar lideranças também
esteve entre os três principais desafios de RH
para dez entre 17 países estudados, incluindo
tanto nações desenvolvidas, como os Estados
Unidos e o Japão, como emergentes, caso de China
e Índia. “À medida que os desafios
na gestão dos recursos humanos aumentam, crescem
igualmente as oportunidades de as empresas de se destacarem
por meio de estratégias específicas para
o tema pessoas”, conclui Dyer.
Enquanto algumas questões foram quase universalmente
importantes, outras variaram acentuadamente, de acordo
com a localização geográfica. Gerenciar
os aspectos demográficos, por exemplo, foi a
quarta prioridade mais citada no geral, mas executivos
de diferentes países mostraram fortes variações
na avaliação de sua importância.
Líderes dos Estados Unidos, Canadá, Austrália
e de boa parte da Europa, particularmente Alemanha,
França e Itália, classificaram essa questão
como premente. Por outro lado, executivos japoneses,
que vêm se debatendo há anos com o envelhecimento
da força de trabalho, não a entenderam
como uma prioridade de RH.
Brasil
Para os 178 executivos brasileiros entrevistados, o
equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e a
gestão de talentos foram os principais desafios
detectados. A questão da administração
da melhoria do desempenho e formas de recompensá-la
foi apontada como o terceiro desafio-chave do RH no
Brasil. Além disso, com maior freqüência
que nos outros países-foco, no Brasil os executivos
apontaram que transformar o RH em um parceiro estratégico
é um ponto importante no futuro.
Empregados brasileiros se desdobram para melhorar o
equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
Para as empresas, a tarefa também é complexa,
já que as leis trabalhistas não oferecem
muita flexibilidade para regimes alternativos de trabalho
e remuneração.
Em função do sistema de ensino público
inadequado e da expatriação de indivíduos
talentosos, executivos brasileiros acreditam que suas
companhias se apoiarão em duas linhas de ação
no futuro: deslocar negócios para novas localidades,
a fim de ter acesso a pessoas qualificadas, e recrutar
talentos globalmente.
Eles acreditam que a primeira estratégia, atualmente
usada por 8% das empresas, será adotada por 42%
delas em 2015; avaliam também que a utilização
da segunda suba dos atuais 20% para 66% no mesmo período.
O desenvolvimento de planos de carreira individuais
e de um sistema de remuneração específico
para os funcionários mais talentosos será
a tática mais popular no futuro. Pelo menos é
a aposta de mais de três quartos dos executivos
brasileiros, que crêem que essa vai ser a política
de suas empresas em 2015.
Mais de dois terços dos respondentes no Brasil
declaram que suas companhias recompensarão boas
performances em 2015, em comparação com
apenas metade deles, que dizem já ter esses planos
em suas empresas. Barreiras legais, reguladoras e culturais
têm limitado o emprego de remuneração
variável no Brasil, sobretudo para posições
não-gerenciais, mas a expectativa é de
que as empresas locais alcancem o resto da América
Latina nessa questão.
Os entrevistados destacaram que, apesar do foco histórico
dos departamentos de RH em aspectos operacionais, a
importância crescente de atrair e reter talentos
está tornando os executivos de recursos humanos
parceiros estratégicos, muitas vezes indispensáveis,
das companhias.
Duas empresas no Brasil se destacam pelo papel estratégico
do RH nos seus negócios: a Natura Cosméticos
e a Votorantim Finanças. Ambas sublinham a importância
do uso de índices na criação de
valor, para estabelecer sistemas de remuneração.
E, nos dois casos, asseguram que os altos executivos
estão intimamente engajados na avaliação
e no desenvolvimento de outros executivos.
Nesses pontos, o RH tem um papel ativo no ciclo de
planejamento e no processo de tomada de decisão
de negócios. É exigida dos gerentes de
RH uma visão de negócios, ao passo que
funções administrativas da área
são executadas por meio de uma central de serviços.
Essa movimentação permite aos executivos
de RH uma função estratégica nos
negócios, para atrair, motivar e reter continuamente
os melhores talentos.
Metodologia
Durante janeiro de 2007, o The Boston Consulting Group
e a European Association for Personnel Management (EAPM)
realizaram uma pesquisa online em 27 países europeus.
Foram recebidas 1.355 respostas de executivos de recursos
humanos e de outras áreas. Em seguida, foram
realizadas entrevistas pessoais com 102 executivos seniores.
Entre setembro e novembro do ano passado, a pesquisa
foi ampliada para 56 países.
Novamente foram realizadas pesquisas via web, desta
vez em parceria com a The World Federation of Personnel
Management Associations (WFPMA). Foram recebidas 3.386
respostas, seguidas de 118 entrevistas com executivos
desses países. Ao todo, as duas pesquisas online
obtiveram 4.741 respostas de 83 países. O BCG
conduziu 220 entrevistas.
O relatório Creating People Advantage: How to
Address HR Challenges Worldwide Through 2015 aponta
os desafios de RH em sete regiões do mundo. São
elas: América do Norte (Canadá e Estados
Unidos); América Latina (Argentina, Chile e Brasil);
Europa (França, Alemanha, Itália, Rússia,
Espanha e Inglaterra); África (África
do Sul); Ásia emergente (China e Índia);
Ásia desenvolvida (Japão, Cingapura e
Coréia do Sul) e Pacífico (Austrália).
Além desses, o relatório contém
retratos de 29 países. Os demais não foram
destacados, porque foram representados por menos de
20 respostas.
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