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Invenção
barateia reciclagem de resíduos da construção
civil
25-04-2008
Um novo método para aproveitamento dos resíduos
de construção civil e demolição
(RCD), 50% mais barato e com consumo de energia 80%
menor. Esse é o principal resultado de um estudo
realizado por pesquisadores da Escola Politécnica
da USP (Poli/USP), do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem)
e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O novo
método dispensa a britagem do material a ser
reciclado, o que barateia o processo e torna viável
a instalação de pequenas usinas de reaproveitamento
dos RCD. O método é tão inovador,
que está sendo patenteado.
Segundo o professor Vanderley John, do Departamento
de Engenharia de Construção Civil da Poli,
um dos integrantes da equipe que realizou o estudo,
a tecnologia desenvolvida possibilita que usinas de
reciclagem simplifiquem a produção de
matéria-prima para bases e sub-bases de pavimentação
a partir de resíduos da construção
civil.
“Atualmente, a reciclagem de RCD passa necessariamente
pela britagem (quebra dos resíduos em pedaços
pequenos, com no máximo 63 milímetros
de diâmetro)”, explica. “Isso encarece
o processo, pois o britador representa mais da metade
do investimento total da montagem de uma usina de reciclagem.
O novo método reduz os investimentos iniciais
e simplifica a operação das centrais de
reciclagem, o que torna viável um maior número
de centrais de reciclagem públicas ou privadas.”
A nova tecnologia está baseada nos resultados
de uma pesquisa com amostras representativas de resíduos
coletados em três cidades: Macaé (RJ),
Maceió (AL) e São Paulo (SP). “Coletamos
20 toneladas de resíduos dessas três cidades”,
explica John. “E constatamos que cerca da metade
dos resíduos tinha tamanho inferior a 63 milímetros;
ou seja, poderiam ser aplicados diretamente na composição
de pavimentos, sem necessidade da britagem”, acrescenta.
Esta constatação levou a equipe a propor
uma forma extremamente simples de transformar resíduos
em agregados: separação manual do material
indesejável ao processo, seguido de peneiramento
na bitola de 60 mm e de uma nova remoção
manual dos contaminantes (madeira, papel, cerâmica),
remanescentes da fração abaixo de 63 mm,
que será comercializada como agregado de pavimentação.
Segundo John, o novo método poderá ser
aplicado em ambientes urbanos e adotado por prefeituras,
cooperativas ou empreendimentos privados. “A redução
dos investimentos iniciais, dos custos e da complexidade
de operação facilita a introdução
da reciclagem, inclusive porque reduz os riscos. Assim,
esperamos que essa tecnologia possibilite a ampliação
do número de usinas e a margem de lucro desse
novo negócio”, ressalta. Em conseqüência,
evita-se a deposição ilegal desses resíduos
nas margens de ruas e rios, reduzindo os impactos ambientais,
além de minimizar os gastos das prefeituras com
a gestão deles.
A nova tecnologia tem várias outras vantagens,
a exemplo da redução do consumo de energia
elétrica (60% a 80%) em relação
ao sistema de reciclagem tradicional com britagem. “O
novo método também torna possível
a implantação das usinas nas proximidades
do mercado consumidor, o que significa menores distâncias
de transporte, que corresponde a dois terços
do preço final do produto”, diz. Outra
vantagem é que o sistema reduz de forma significativa
a emissão de material particulado e principalmente
de ruídos na operação de britagem.
Assim, alternativas de desenvolvimento sustentável
são incentivadas.
Além do professor Vanderley John, entre os pesquisadores
da Poli também participaram da pesquisa o professor
Artur Pinto Chaves e a pesquisadora Carina Ulsen, ambos
do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo,
e os pesquisadores Francisco Mariano Sérgio Ângulo
(atualmente no IPT).
Serviço:
A nova tecnologia de reciclagem de RCD será
apresentada no próximo dia 28 de abril, durante
a Conferência sobre Resíduos de Construção
e Demolição (RCD) como Material de Construção,
que será realizada em São Paulo, no auditório
“Prof. Francisco Romeu Landi”, do prédio
da Administração da Poli (Avenida Prof.
Luciano Gualberto, travessa 3, nº 380, Cidade Universitária,
São Paulo). Mais informações sobre
o evento: http://rcd08.pcc.usp.br/.
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