Medo da inflação cresce e reduz otimismo dos brasileiros

25-07-2008

O consumidor brasileiro voltou a se assustar com a inflação e isso fez com que o otimismo em relação à economia recuasse no segundo trimestre deste ano, de acordo com a pesquisa Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O INEC recuou 1,6% na comparação com o registrado em março e 1,2% na comparação com junho de 2007, tendo ficado em 109,8 pontos, valor que ainda denota expectativa positiva (acima de 100 pontos).

O índice geral teve esse recuo por conta da deterioração das expectativas do consumidor quanto à evolução da inflação. O índice sobre expectativas da inflação recuou 10,6% na comparação com março de 2008 e caiu 17,3% na comparação com o mesmo trimestre de 2007 (a queda aponta um maior pessimismo). A pesquisa foi realizada a partir de 2.002 entrevistas com consumidores de 141 municípios, entre os dias 20 e 23 de junho.

"Essa avaliação decorre do aumento da inflação registrada neste ano, não mais restrita somente aos segmentos de alimentos", explica o texto da pesquisa. Esse índice ficou em 105,5 pontos no segundo trimestre deste ano, ante 118,4 pontos no trimestre anterior e 127,4 pontos no mesmo período de 2007.

Os consumidores também revelaram maior apreensão quanto ao desemprego e no tocante à evolução de sua renda, esta última associada pela queda na renda real com o aumento da inflação. O (novo) índice de endividamento mostra que os consumidores aumentaram seu endividamento. O índice recuou para 102,4, uma queda de 2,3% na comparação com março de 2008 e de 2% na comparação com junho de 2007. O índice é calculado a partir de pergunta sobre a evolução do endividamento; quanto menor o índice, maior o grau de endividamento.

Já o (novo) índice de compras de bens de maior valor - como móveis e eletrodomésticos - exibiu melhora: crescimento de 6% na comparação com março e de 7,1% na comparação com junho de 2007. Ele atingiu 111,1 pontos. O crescimento no índice se deve à redução no percentual de consumidores que esperam retração em seu consumo: recuou de 34% em março para 20% em abril.

"Metade dos consumidores entrevistados espera manutenção em seu nível de compras", afirma o texto da pesquisa. Por fim, o (novo) índice de situação financeira exibiu uma pequena deterioração deterioração da percepção de saúde financeira dos consumidores (recuo de 0,8%) - mas uma melhora na comparação com o mesmo mês de 2007 (crescimento de 3,7%).

Segundo a CNI, o INEC foi reformulado para avaliar melhor a percepção dos consumidores em relação à economia e os efeitos no consumo. Por isso, foram excluídas perguntas sobre perspectivas para o ano, satisfação com a vida, compras no trimestre e evolução da renda em geral. Foram incluídas perguntas sobre a situação financeira, o grau de endividamento e intenção de compras de maior valor.

Além disso, cada uma das perguntas passou a ter cinco alternativas de
respostas, para se entender com mais clareza o sentimento do consumidor.

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